Nova Geração # 204 – O Sonho dos Profetas : preparação emocional

Por muito tempo, os conhecedores do Espiritismo discordaram de Allan Kardec sobre a forma de lidar com os símbolos. Kardec, os estuda, os valoriza e os utiliza para compreender e, como o Cristo, torna-os instrumentos para divulgar a verdade. Os conhecedores pensavam que os símbolos deveriam ser esquecidos. Hoje, amadurecidos, descobrimos que Cristo e Kardec têm razão.

Gênesis 37 

9. Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: “Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim”.

10. Quando o contou ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e lhe disse: “Que sonho foi esse que você teve? Será que eu, sua mãe, e seus irmãos viremos a nos curvar até o chão diante de você?” 11 Assim seus irmãos tiveram ciúmes dele; o pai, no entanto, refletia naquilo.

Gênesis 39 

José havia sido levado para o Egito, onde o egípcio Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá.

Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?”

Genesis 40 

Eles responderam: “Tivemos sonhos, mas não há quem os interprete”.

Disse-lhes José: “Não são de Deus as interpretações? Contem-me os sonhos”.

Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho a José: “Em meu sonho vi diante de mim uma videira, 10 com três ramos. Ela brotou, floresceu e deu uvas que amadureciam em cachos. 11 A taça do faraó estava em minha mão. Peguei as uvas, e as espremi na taça do faraó, e a entreguei em sua mão”.

12 Disse-lhe José: “Esta é a interpretação: os três ramos são três dias. 13 Dentro de três dias o faraó vai exaltá-lo e restaurá-lo à sua posição, e você servirá a taça na mão dele, como costumava fazer quando era seu copeiro. 14 Quando tudo estiver indo bem com você, lembre-se de mim e seja bondoso comigo; fale de mim ao faraó e tire-me desta prisão, 15 pois fui trazido à força da terra dos hebreus, e também aqui nada fiz para ser jogado neste calabouço”.

16 Ouvindo o chefe dos padeiros essa interpretação favorável, disse a José: “Eu também tive um sonho: sobre a minha cabeça havia três cestas de pão branco. 17 Na cesta de cima havia todo tipo de pães e doces que o faraó aprecia, mas as aves vinham comer da cesta que eu trazia na cabeça”.

18 E disse José: “Esta é a interpretação: as três cestas são três dias. 19 Dentro de três dias o faraó vai decapitá-lo e pendurá-lo numa árvore[a]. E as aves comerão a sua carne”.

20 Três dias depois era o aniversário do faraó, e ele ofereceu um banquete a todos os seus conselheiros. Na presença deles reapresentou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros; 21 restaurou à sua posição o chefe dos copeiros, de modo que ele voltou a ser aquele que servia a taça do faraó, 22 mas ao chefe dos padeiros mandou enforcar[b], como José lhes dissera em sua interpretação.

23 O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; ao contrário, esqueceu-se dele.

Fonte:  https://www.biblegateway.com/passage/?search=G%C3%AAnesis+39&version=NVI-PT

Livro dos Espíritos

Segunda Parte – Mundo Espírita ou Dos Espíritos

Capítulo 8 – Emancipação da alma. Item 1. O sono e os sonhos

402. Como podemos julgar da liberdade dos espíritos durante o sono?

“Através dos sonhos. Acredita-o: quando o corpo repousa, o espírito possui mais faculdades do que no estado de vigília; tem a lembrança do passado e, algumas vezes, a previsão do futuro; adquire maior potência e pode comunicar-se com os outros espíritos, quer deste mundo, quer de um outro. Dizes, com frequência: tive um sonho estranho, um sonho horrível, mas que não tem verossimilhança alguma; tu te enganas; frequentemente, é uma lembrança dos lugares e das coisas que viste ou verás, numa outra existência ou num outro momento. O corpo estando adormecido, o espírito tenta quebrar suas correntes, pesquisando no passado ou no futuro. 

Pobres homens, como conheceis pouco os fenômenos mais comuns da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais vulgares vos confundem; a estas perguntas que todas as crianças fazem: O que fazemos quando dormimos? O que são os sonhos? Ficais embaraçados.

O sono liberta, parcialmente, a alma do corpo. Quando dormimos, ficamos, durante certo tempo, no estado em que nos encontraremos, de uma maneira fixa, depois da morte. Os espíritos que rapidamente se desligaram da matéria, por ocasião de sua morte, tiveram sonos inteligentes; esses, quando dormem, juntam-se à sociedade dos outros seres superiores a eles; com eles viajam, conversam e se instruem; trabalham mesmo em obras que, ao morrerem, acham-se inteiramente concluídas. Isto deve vos ensinar, ainda uma vez, a não temer a morte, visto que morreis todos os dias, segundo a palavra de um santo.

Isto, para os espíritos elevados; mas, quanto à massa dos homens que, por ocasião da morte, têm de permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza de que já vos falaram, estes vão, ora para mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os chamam, ora em busca dos prazeres talvez ainda mais baixos do que aqueles que aqui têm; vão haurir doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que as que professam no vosso meio. E o que engendra a simpatia na Terra não é outra coisa senão o fato de nos sentirmos, ao despertar, ligados pelo coração com quem acabamos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer.

O que também explica essas antipatias invencíveis é que sabemos, no fundo do nosso coração, que essas pessoas têm uma consciência diversa da nossa, porque nós as conhecemos sem jamais tê-las visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença, visto que não se procura fazer novos amigos, quando se sabe que existem outros que nos amam e nos querem. Numa palavra, o sono influi, sobre a vossa vida, mais do que imaginais.

Graças ao sono, os espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos espíritos, e é isto o que faz com que os espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar entre vós.

Deus quis que, durante o contato deles com o vício, eles pudessem ir se retemperar na fonte do bem, para eles próprios não falirem, eles que tinham vindo para instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu, para irem em direção a seus amigos do céu; é a recreação após o trabalho, enquanto aguardam a grande libertação, a liberação final, que deve restituí-los ao meio que lhes é próprio.

O sonho é a lembrança do que o vosso espírito viu, durante o sono; mas observai que não sonhais sempre, porque nem sempre vos lembrais do que vistes ou de tudo o que vistes. É vossa alma que não está em toda sua potência; frequentemente, é apenas a lembrança da perturbação que acompanha vossa partida ou vossa chegada, a que se soma o que fizestes ou o que vos preocupa no estado de vigília; sem isto, como explicaríeis esses sonhos absurdos que têm os mais sábios, assim como os mais simples? Os maus espíritos também se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e medrosas.

Aliás, dentro em pouco, vereis vulgarizar-se uma outra espécie de sonhos; ela é tão antiga quanto a que conheceis, mas a ignorais. O sonho de Joana, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos: este sonho é a lembrança da alma inteiramente desligada do corpo, a recordação dessa segunda vida de que vos falava ainda há pouco.

Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonhos entre aqueles de que vos lembrais; sem isso, cairíeis em contradições e em erros que seriam funestos à vossa fé.

Comentário Kardec

Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se tornou mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí, uma espécie de clarividência indefinida que se estende aos lugares mais afastados ou que nunca se viram e, algumas vezes, até em outros mundos. Daí, também, a lembrança que traz à memória os acontecimentos efetuados na existência presente ou nas existências anteriores; as estranhas imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeadas com as coisas do mundo atual, formam esses conjuntos singulares e confusos que parecem não ter sentido ou ligação.

A incoerência dos sonhos se explica, ainda, pelas lacunas que produz a lembrança incompleta do que nos apareceu em sonho. Seria, assim, como uma narrativa da qual tivessem truncado, ao acaso, frases ou partes de frases: os fragmentos restantes, sendo reunidos, não teriam qualquer significado racional.

Mensagem de Encerramento

Que o Cristo nos inspire neste instante em que buscamos compreender verdades tão simples e tão profundas; tão importantes na fase atual em que se vive. Para muitos de vocês é uma compreensão indispensável para que possam ter verdadeiro crescimento espiritual.

Meus filhos, a verdade é uma só: Deus vos ama e o Pai criou milhares de diferentes linguagens para que a fraternidade se expressasse da forma mais adequada para cada nível espiritual.

Não poderemos crescer além do patamar em que estamos na Terra, se não entendermos a importância da linguagem simbólica, porque o símbolo transmite coisas que a palavra objetiva, direta e seca é incapaz de fazer.

Quem de vocês não se comove com o símbolo da cruz? Quem de vocês não se alegra com o símbolo que é uma flor? Se vocês entenderam isto, devem abrir os seus corações para dialogar com os símbolos, porque a cruz é o símbolo deixado pelo Mestre e a flor é o símbolo de Deus para o mundo da Natureza. Quero dizer com isto tanto a Natureza, quanto os seres humanos e os anjos, lidam com a comunicação por meio dos símbolos.

Que seria vocês se não estivessem lidando com os símbolos. Meus filhos amados? Movimento espírita perde muito achando que Kardec não queria saber de símbolos, mas a verdade é que muitos são incapazes de abrir o coração e por isso não conseguem lidar com os símbolos e usam de uma interpretação distorcida para justificar a própria limitação emocional.

Dizem: ah, isto é confuso, isto não interessa. Mas, filhos, se vocês não aderirem plenamente ao símbolo da cruz, nunca terão redenção espiritual, nunca. Se vocês não compreenderem que precisam desenvolver a mansuetude do carneiro, nunca terão paz. Mas, filhos, se vocês não aceitarem que nos primeiros séculos o peixe era o símbolo do Cristo e dos cristãos, nunca compreenderão a linguagem do Novo Testamento.

Filhos, não se pode crescer espiritualmente negando-se a vivenciar as lições da vida e da própria natureza. Ora, por que o Cristo apelidava Pedro de pedra? Por que o Cristo chamava João de trovão? Nunca pensaram nisto? Filhos, há muito a aprender com os símbolos, com a relação entre as expressões externas da vida e a vida espiritual profunda, íntima, dentro de cada um de nós.

Não é possível sair da prisão mental que vocês construíram, achando que era proteção, sem buscar os recursos fundamentais da linguagem simbólica.

Falo hoje muito didaticamente, porque sei que isto vai chocar os seus corações, acostumados a ouvir “Kardec era direto e objetivo”. Claro! Os símbolos também o são.

Quando espírito de verdade ensina: venho em nome de meu Pai, que ergue as ondas e faz germinar a semente. Filhos, que símbolo maravilhoso!

Não conseguiremos falar uma linguagem espiritual elevada, se não nos dispusermos a compreender os símbolos do cristianismo, porque se vocês não sabem, entendam: a palavra Cristos é um símbolo maravilhoso que vocês deviam buscar compreender mais.

Que vocês fiquem em muita paz, do amigo espiritual de sempre.

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