Encontro 8 – Vício e Cristianismo, hoje.

Encontro 8 – Vício e Cristianismo, hoje.

Resumo

A partir de um texto de Humberto de Campos, psicografado por Francisco C. Xavier, dialogamos com Cairbar Schutel sobre a postura adequada ante as polêmicas, o que pode nos prejudicar e como evitar envolver-se nelas sem deixar de cumprir nosso deveres com a Doutrina Espírita.


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Humberto de Campos (Irmão X)

Fonte: https://goo.gl/SDplB4


Texto

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Encontro 8 – Vício e Cristianismo, hoje

O pedido de orientação para manter-se no erro

Um amigo do espírito irmão X, pede, por meio da psicografia, orientação para uma instituição que deseja iniciar. Na verdade, esse amigo encarnado deseja criar uma imensa instituição para polemizar, para corrigir os outros. Eis alguns trechos da resposta do amigo espiritual que foi publicada sem citar o nome do amigo que pediu a orientação.

Como o nosso objetivo é chegar à verdade, acolheremos todas as observações que nos forem endereçadas, e tentaremos, quanto seja possível o estado dos conhecimentos adquiridos, levantar as dúvidas ou esclarecer os pontos ainda obscuros. 

Nossa revista será, assim, uma tribuna aberta, mas, onde a discussão não deverá jamais desviar-se das leis, as mais estritas, das conveniências. Em uma palavra, discutiremos, mas não disputaremos. As inconveniências de linguagem jamais tiveram boas razões aos olhos de pessoas sensatas; é a arma daqueles que não a têm melhor, e essa arma reverte contra quem dela se serve.

Introdução, Revista Espírita, janeiro de 1858

Queria ele polemizar, apontar os erros dos outros. Eis um trecho da resposta, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.


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Irmão X  foi o nome utilizado pelo escritor brasileiro Humberto de Campos para evitar polêmicas inúties com seus familiares encarnados. Trecho do livro Lázaro Redivivo, edição Feb.


Pergunta você como iniciar um trabalho eficiente no Rio, em favor da confortadora doutrina que os Espíritos Consoladores semeiam na Terra.

Francamente, sua pergunta denuncia muita despreocupação do grandioso movimento que os espiritistas sinceros desenvolvem nos mais diversos ângulos do Brasil, mormente na Capital da República.

O que tenho aprendido, acima de tudo, depois da morte, é que, nas esferas imediatas à existência humana, as entidades desencarnadas são, quase sempre, tão bem intencionadas e tão imperfeitas como os homens. A evolução é obra paciente dos séculos e alguns dias de experiência, quais os que se verificam na carne, desde o berço risonho ao sepulcro sombrio, não bastam à iluminação efetiva da alma. Vocês vivem rodeados de pessoas desencarnadas, cheias de desejos inferiores, não obstante oriundos das boas intenções, votadas às disputas de toda espécie. Abra uma casa destinada a exclusivo movimento verbalístico de doutrinação combativa e não faltará o concurso das inteligências invisíveis discutidoras, viciadas nas polêmicas sem fim, como o supercivilizado que se habituou ao uso do ópio ou como o caboclo ignorante que se acostumou à cachaça.

Se você deseja, de fato, servir na obra do Cristo, vá cooperar com os irmãos valorosos que bracejam no grande mar das fundações já feitas, auxiliando-os com espírito de amor. Não compareça diante deles com a fumaça dos críticos. Em todos os lugares você encontraria um convite para exercer esse terrível ofício. Aproxime-se com a sincera disposição de servir cristãmente. Ame os companheiros e ajude-os. Não perca tempo em disputas vãs. Cuide de realizar a Vontade do Senhor, dentro de si mesmo. Como último recurso, use a tribuna em seu ministério, mas, antes de fazê-lo, distribua o valor dos bens imperecíveis da alma.

Não muito longe do seu lar, existem leprosos e loucos, tuberculosos e velhinhos sedentos de afeto, crianças e  jovens desamparados. Não atente para a maneira através da qual aceitam as interpretações religiosas. Preocupe-se com as possibilidades de edificação, simplesmente. A prática do bem ainda é a maior escola de aperfeiçoamento individual, porque conjuga em seus cursos a experiência e a virtude, o raciocínio e o sentimento.

Não repita que lhe faltam roteiros. Cale os pruridos do cérebro, a fim de ouvir o coração.

Lembre-se de Jesus e colabore com os amigos. Acreditamos que o Espiritismo precisa agora, mais que nunca, dos que edifiquem nas próprias vidas o Reino Cristão que ensinam aos outros…


Duas importantes obras do espírito irmão X

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Prefácio de Emmanuel

Os dados que ele fornece nestas páginas foram recolhidos nas tradições do mundo espiritual, onde falanges desveladas e amigas se reúnem constantemente para os grandes sacrifícios em prol da humanidade sofredora. Este trabalho se destina a explicar a missão da terra brasileira no mundo moderno.  (…) O Brasil não está somente destinado a suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do planeta, mas, também, a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e de fé raciocinada  e a ser o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro. 

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Prefácio de Emmanuel

Nas esferas mais próximas da Terra, os nossos labores por afeiçoar sentimentos, a exemplo do Cristo, são também minuciosos e intensos. Escolas numerosas se multiplicam, para os espíritos desencarnados. E eu, que sou agora um discípulo humilde desses educandários de Jesus, reconheci que os planos espirituais têm também o seu folclore [Tradição]. Os feitos heróicos e abençoados, muitas vezes anônimos no mundo, praticados por seres desconhecidos, encerram aqui profundas lições, em que encontramos forças novas. Todas as expressões evangélicas têm, entre nós, a sua história viva. Nenhuma delas é símbolo superficial.(…) É que existem Espíritos esclarecidos e Espíritos evangelizados, e eu, agora, peço a Deus que abençoe a minha esperança de pertencer ao número destes últimos.


Diálogo Mediúnico

É com disposição íntima e fraterna que aqui nos apresentamos para as reflexões fundamentadas na vida e nos ensinos do nosso Mestre tão amado, que merece, de cada um de nós, a ternura e a devoção que ele já presta incondicionalmente há incontáveis milênios a cada criatura desse planeta, porque a sua luz e o seu amor envolve a todos, encarnados e desencarnados,  humanos e animais, plantas e minerais, não esqueçamos: Jesus de Nazaré é o Senhor supremo deste mundo.

Agradecemos mais um vez a oportunidade desse diálogo para o encontro de hoje, queria sua opinião: qual o perigo que enfrentamos, quando nos envolvemos em polêmicas constantes?

O primeiro e mais relevante perigo que enfrentamos ao adotar essa postura continuada na vida é a da queda na hipocrisia. Porque, muitas vezes, em disputas em que nosso orgulho é ferido, tendemos a exagerar e a mentir, a negar as próprias fraquezas e os próprios erros.

Um ambiente de polêmica cria um clima psíquico, uma cultura favorável à bactéria da hipocrisia, que cresce com muita facilidade. Então, o fruto mais infeliz e imediato de um clima de polêmica, onde cada um preocupa-se defender e acusar, é a instituição da máscara da hipocrisia como norma de relação humana.

 Como devemos nos posicionar quando a gente se depara com situações de distorções doutrinárias, falando do Espiritismo?

Esclarecer de maneira clara, objetiva e extremamente franca, o que não nos permite agredir a ninguém. Se há um ponto em que observamos que há uma distorção, primeiro e, acima de tudo, orar ao Cristo para que tenhamos paz no coração. Segundo, meditar em profundidade sobre o ponto que acreditamos ser distorção. Terceiro, pesquisar de forma séria e continuadamente a questão antes escrever uma só linha ou pronunciar publicamente uma só palavra.

É inútil a postura de indivíduos que querem se utilizar de supostas ou reais distorções doutrinárias para aparecem vaidosamente ao público espírita. Se vemos pontos de distorção, que tiremos um ou dois anos para estudar em profundidade, que pesquisemos detidamente dezenas de trechos da codificação que fundamentam aquilo que acreditamos ser a verdade.

Como momento seguinte, compartilhemos com pessoas lúcidas e de confiança para que façam observações sobre nossa opinião, e, em conjunto, decidamos com elas se é necessário que aquilo venha a público ou não.

Após isso, que se consulte os próprios amigos espirituais, em grupo, porque quando se fala em Espiritismo, fala-se de um tema precioso sempre.

Após esse processo, acreditamos que a pessoa poderá ter uma condição segura de poder posicionar-se. Somos contrários às posturas levianas e vaidosas, que mais se preocupam em destacar o erro do outro do que em esclarecer. Quem quer educar, quem quer ser fraterno também tem que se perguntar: o que levou o meu irmão a defender essa ideia?

Então, é preciso uma imensa preparação íntima, um amparo espiritual adequado, outras opiniões para que nos posicionemos dignamente diante de uma questão doutrinária sem jamais acusar a ninguém, mas compreender e poupar o indivíduo, porque a nossa crítica, após um processo sério, deve ser sempre direcionada a ideia e nunca a pessoas.

Certo. Mas, depois de todo esse processo, depois de todo esse estudo, o aconselhamento dos amigos espirituais, como verdadeiramente defender sem polemizar?

É importante entender que o Espiritismo não precisa de defesa, se precisasse seria fraco. Apenas devemos dar a nossa pequena cota de colaboração. Como fazer, após todo esse processo, amadurecido, meditado, fundamentado, revisado por diversas pessoas? Que se publique um texto, que se publique um livro, que se profira uma conferência e que se ore, pedindo ao Cristo que aquelas ideias possam ser aceitas fraternalmente, nunca como um combustível para alimentar o incêndio da vaidade humana.

Uma vez feito, que se retorne ao trabalho, que se pense na real necessidade de cada um e que, se necessário, se torne público também as próprias deficiências, para que a vaidade e a hipocrisia não se tornem uma marca daquele que busca simplesmente orientar os irmãos.

Porque a questão não é do Espiritismo, em essência, porque o Espiritismo é uma emanação do mais Alto que os homens são impotentes para distorcer, mas a questão que se trata é de ajudar os irmãos a não caírem no erro e na mentira.

Pesando-se tudo isso, que se faça a reflexão, a defesa, de um aspecto ou outro da Doutrina Espírita com a vibração fraterna de ajudar e nunca de corrigir de forma rude e impiedosa. Uma vez feito, a missão está cumprida. Cabe ao Cristo um encaminhamento muito mais complexo ao longo dos milênios.

Qual a postura que a gente tem que ter para com aqueles que atacam o Espiritismo?

Idêntica. De fraternidade humana e de honestidade em posição intelecto-moral, exatamente a mesma coisa. Esclarecer fundamentadamente. Tive a oportunidade de defender, fundamentando-me no Evangelho do Cristo a Doutrina contra o ataque de fariseus terríveis e a melhor defesa é a análise crítica, lúcida, de tudo aquilo que se diz. É a pesquisa imparcial e sincera, e sempre o fiz, amparado pelos meus amigos desencarnados.

Nunca publiquei uma crítica mais ferrenha sem que ouvir a opinião sincera de Léon Denis e de outros amigos, porque necessitava de uma visão mais ampla, para que o meu coração de espírito encarnado não me traísse e eu não pregasse a maldade em nome do Cristo.

Fiz isso ao longo de toda a minha vida e todos os meus livros e artigos foram sempre avalizados por amigos e pelo mais Alto, porque não interessava a minha defesa pessoal, interessava que eu cumprisse a minha pequena tarefa em nome de Jesus de Nazaré.

Muito obrigado por esse momento e disponibilizamos um espaço pra você concluir.

Queremos alertar a todos os que nos ouvem: é preciso cuidado com as disputas farisaicas que penetram no nosso movimento. Não há necessidade de escondermos as nossas limitações. Ante o irmão que finge saber mais, que finge ser evoluído só há um remédio: o silêncio e, no momento oportuno, assumirmos as nossas próprias deficiências, assumir-se é postura do cristão ante a hipocrisia.

Assim fez o Cristo, ao enfrentar a hipocrisia farisaica, ele assumiu quem ele era, ele disse: eu sou maior do que Moisés. Assumir quem se é com honestidade é o remédio indicado pelo Mestre para que não sejamos vítimas das máscaras sociais.

Aceitar-se como de fato se é, é o verdadeiro antídoto para a hipocrisia. Deus nunca vos abandonará e vossos guias sorrirão de felicidade ao ver que você não nega as próprias imperfeições, que você não precisa camuflar-se com palavras e discursos que parecem complexos, mas emanam da miséria emocional.

É preciso aceitar-se para que as discussões hipócritas percam o sentido emocional, porque nos engajamos com a  mentira apenas quando necessitamos mentir sobre nós mesmos. É isso que o Cristo quer nos ensinar ao dizer que apenas os lobos caem nas armadilhas dos lobos.

Portanto, digo com muito carinho a todos vocês: se as polêmicas espíritas vos interessam é porque estais, meu irmão ou minha irmã, mentindo muito para si mesmo, porque estais querendo fugir da vossa realidade. Porque de que vos interessam encarnações que não interferirão na vossa? Porque vos interessam livros esdrúxulos e esquisitos? Que eles morram pela falta de essência espiritual e sejam relegados ao triste arquivo das distorções espíritas.

Quanto a vós, quantas obras nobres a estudar, que a vossa encarnação toda não será suficiente. Dedicai-vos a elas e, acima de tudo, como ensinou o Cristo, dedicai-vos aos que sofrem. A curar os enfermos do corpo e da alma, a consolar os aflitos, independente de um detalhe ou outro, compreendido ou não, o Cristo estará em vossos corações.

Não há um só caso, em toda a vida do Cristo, em que ele exigiu o saber, de quem o buscava ou de quem o seguia. Mas, em todos os casos, o Cristo investiga os corações e é a partir daí, meus irmãos, que vos aproximarei do Mestre, por meio da elevação dos vossos corações guiados para a luz do nosso tão amado Mestre, o meigo jovem que nasceu na pequena e belíssima cidade de Nazaré.

Muita paz, do vosso irmão e amigo, Cairbar de Souza Schutel.

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