Educação Espírita: um Convite à Juventude


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Capítulo 8: Ísis e Osíris, morte e reencarnação

A grande preocupação dos egípcios – e de quem tem juízo – tem que ser a da continuação da vida. Algo assustador se prova ao longo dos anos: a vida passa rápido! Lembro de uma situação que me marcou profundamente. Tinha vinte e poucos anos e, no um elevador do prédio em que morava, conversei com um senhor de 86 anos que me disse, “tudo passa tão rápido”, fiquei chocado, pensava que alguém da idade dele fosse dizer “ já vivi muito…” O fato é que a cada dia confirmo essa verdade, tudo passa rápido!

Portanto, o que acontece quando a rápida vida na Terra passa é importante. Para o povo egípcio, a vida além da vida merecia atenção máxima. Isso não significa desprezo a vida atual, significa inteligência prática, pois a vida longa é mais importante que a vida breve. E é na vida breve que conquistamos a felicidade na longa. A vida espiritual de quem bem viveu na Terra é infinitamente superior a melhor vida possível na Terra. Simples questão de lógica de quem ama a sabedoria.

“Um dos traços essenciais desse grande povo foi a preocupação insistente e constante da Morte. A sua vida era apenas um esforço para bem morrer. Seus papiros e afrescos estão cheios dos consoladores mistérios do além-túmulo. (…) Os mistérios de Ísis e Osíris mais não eram que símbolos das forças espirituais que presidem aos fenôme nos da morte. ”

Emmanuel, em A Caminho da Luz, Editora Feb

Quais são as forças espirituais que regem a vida e a morte? Não sabemos tudo, mas alguma coisa sabemos. No futuro iremos aprofundar nossos estudo no chamado Livro Egípcio dos Mortos, mas é preciso ter clareza em relação aos conceitos espíritas que são nossa bússola em nossos mergulhos no simbolismo egípcio.

Antes de tudo, é preciso usar nossos conhecimentos sobre migração espiritual para entender nossa dificuldade em relação a morte e a reencarnação. Ísis e Osíris simbolizam essa realidade de forma detalhada. Mas, de nada adianta queremos avançar sem olhar nossos medos e preconceitos. Compreender nosso histórico espiritual nos ajudará a evoluir e a entender melhor as verdades do universo.

Quando falamos dos grupos espirituais que vieram viver na Terra, além dos egípcios, falamos dos arianos, os mais ativos e práticos, mas também os mais endurecidos no que se refere as verdades espirituais. Conclusão: a maioria de nós é ariano! Desculpa falar assim… Kkkk. Não dá nos iludirmos que os arianos são muito evoluídos ou que tem intimidade com as práticas espirituais….

Explico melhor, Hermínio Mirando, por exemplo, que foi um antigo sacerdote egípcio, antes do cristianismo, e um respeitado estudioso do Espiritismo no presente, realizava regressão de memória em suas pesquisas, fazia regressão em encarnados e desencarnados, utilizava-se do magnetismo e lidava com intimidade com a mediunidade. Não era ariano no sentido psicológico. Não tinha medo “destas coisas”. Esse é um critério. Foi por conta do perfil psicológico ariano que o Espiritismo praticamente desapareceu da França e da Europa e, por isso, no Brasil, enfrentamos as mesmas dificuldades que estes países enfrentaram no passado. O medo torna a mediunidade burocrática e a limita profundamente. Ariano quer tratar a mediunidade como se ela fosse uma máquina de produzir parafusos, com padrão e controle de qualidade de empresa industrial. Simplesmente, não dá certo.

Kardec nos ensina a delicadeza do fenômeno mediúnica e uma avaliação sutil, profunda e qualitativa, mas vai explicar isso para um ariano espírita! Rs… Boa sorte! Rs.

Também por esse motivo, tenho que ir devagar, lentamente, se não assusta demais e o objetivo é educar e não assustar. Assustar um pouco, sim, pero no mucho.

O fato é que a iniciação egípcia tinha etapas de regressão de memória. O iniciado relembrava todas as suas vidas na Terra e em outros planetas, por isso, era fácil saber que ele veio de outro planeta e que a existência que vivia era apenas mais uma e que, se bem aproveitada, seria valiosíssima. Eis aqui uma diferença central. Quando verdadeiros sacerdotes realizam uma regressão tem como principal objetivo educar espiritualmente.

Hermínio Miranda (1920 -2013) Formou-se em Ciências Contábeis e trabalhou na Companhia Siderúrgica Nacional até se aposentar. Nesse período morou, a trabalho, em Nova York, EUA, onde aprimorou seu inglês e tornou-se um exímio tradutor dessa língua. Conheceu o Espiritismo por intermédio de um amigo que o indicou a leitura dos livros da Codificação. “A surpresa começou com O Livro dos Espíritos. Inexplicavelmente, eu tinha a impressão de haver lido aquele livro antes. Mas onde, quando? Antecipava na mente o conteúdo de inúmeras respostas”, disse ele em uma entrevista à Fo- lha Espírita. Seu primeiro livro, Diálogo com as Sombras, foi publicado em 1976. Depois vieram mais de 30 obras, que contabilizam mais de um milhão de exemplares vendidos.

Hermínio Miranda, em seu livro Estudos e Crônicas, Editora Feb, comenta dois casos interessantes.

“A técnica da regressão de memória oferece recursos terapêuticos e inestimável valor para os mais complexos problemas espirituais. Tais recursos, praticamente inexplorados ainda pela Ciência oficial, poderiam resolver satisfatoriamente inúmeros conflitos e disfunções espirituais que a Psicanálise e Psiquiatria ainda não conseguiram abordar com êxito.
(…)

Neste sentido, devo citar um caso de meu conhecimento, para exemplo. A pessoa, cursando faculdade, experimentava anormal dificuldade no aprendizado da Matemática, entrando em verdadeiro pânico por ocasião das provas. Esse fenômeno inexplicável em quem para tudo o mais, demonstrava inteligência bem acima da média, teve explicação lógica ao se revelar, numa pesquisa de regressão de memória, que em existência anterior o sensitivo se havia dedicado profundamente à Matemática, não tanto no desejo de aprender somente, quanto na esperança de conquistar renome com a descoberta de novas leis científicas. Falhando nos seus propósitos, trouxe para a existência atual a frustração que o estava impedindo de caminhar, nesse ramo do conhecimento, tão bem como nos demais. Racionalizado o “impasse”, sua vida universitária teve curso normal.”

(…)

“Em outro caso, uma senhora experimentava medo irracional de cobra. Não podia sequer colocar macarrão cozido na travessa ou no prato, porque o movimento da massa a levava a um estado de pavor incompreensível. Várias formas de tratamento falharam, até que a pesquisa de regressão de memória deu a explicação que a libertou da sua aflição: numa existência anterior, fora atirada viva ao poço de serpentes, onde morreu, em tremendo estado de terror, picada por cobras vorazes.”

Certamente existem casos ainda mais surpreendentes, eu acompanhei cura de graves físicas doenças por meio da regressão de memória. O importante a destacar é que a regressão deve ter um propósito de real valor. Hermínio explica o motivo de, no geral, esquecermos nosso passado. Vejamos.

“Ao que parece, o esquecimento das vidas pregressas é disparado por um mecanismo de autodefesa, que livra o Espírito da insuportável aflição de contemplar as loucuras e crueldades que cometeu. Com o passar do tempo, à medida que ele se arma de recursos morais mais sólidos, as lembranças começam a emergir para que ele possa contemplar a extensão dos seus erros e promover o reparo dos danos que causou ao próximo e, em última análise, a si mesmo.”

 Resumo: não lembramos porque ainda somos orgulhosos para nos perdoar e incapazes de termos compaixão conosco, claro podem existir exceções. Porém, é importante sermos honestos. A regressão não é proibida pela Lei de Deus, como pensam alguns arianos (espíritas ou não), talvez por medo de olhar o próprio passado, e isso deve ser respeitado. Nosso passado nos condena… Rs. Isso é compreensível.

Há uma relação ainda pouco estuda, não pelos egípcios, mas por nós espíritas entre regressão e psicografia. Entre as melhores, mais completas e informativas psicografias espíritas estão os livros Há Dois Mil Anos, Cinquenta Anos Depois e Ave Cristo de Francisco Cândido Xavier e o excelente Memórias de um Suicida de Yvonne do Amaral Pereira. Todos eles foram psicografados depois que os médiuns viveram inúmeras regressões de memórias e sabiam que participaram daquelas histórias. Parece que não é coincidência. Por Emmanuel e Bezerra de Menezes realizariam regressões de memória, se isso não fosse necessário e importante?!

A regressão nos dá uma convicção profunda da transitoriedade da vida, ele nos permite olhar a vida sob um novo ângulo, sob a ótica do espírito que não apenas sabe, mas que sente o que significa imortalidade. Não acredito que avancemos espiritualmente apenas falando, falando e falando e pouco sentindo. É preciso sentir! Posso afirmar que minhas experiências com regressão foram difíceis e dolorosas, mas como me transformaram! Como condenar uma prostituta, se já fui uma… Kkkk, verdade! Como me iludir que sou melhor que um assassino, se fiz pior… A regressão bem orientada é uma das experiências mais transformadoras da vida. Reencarnação deixa de ser teoria. Evolução, aprendizado, passa a ser algo objetivo. O orgulho sai muito machucado, diminui. E isso é bom.

Um dos objetivos de nosso estudo é esse, mostrar que o Espiritismo é caminho evolutivo, um estilo de vida, uma forma de viver experiências engrandecedoras da vida. Não acredito que consigamos superar nossos desafios atuais, pessoais e sociais, com teorias repetidas, faladas, mas não sentidas. O cultivo de um espiritualidade verdadeira passa por experiências forte e profundas, por isso, é preciso nos prepararmos, nossa proteção será sempre a mesma: compaixão, fraternidade real em relação a todos, a armadura da caridade como ensina Paulo de Tarso. Precisamos nos preparar mais e temer menos. Estudar mais e refletir antes de repetir padrões de medo que nos prendem a dimensão mesquinha da vida a mais de 30 mil anos. Reconheçamos a beleza da obra ariana. A tecnologia, a praticidade, mas não deixemos de aprender a grandeza da civilização egípcia que por ser tão elevada, por viver na prática as verdades espirituais, partiu para um mundo superior, porém como espíritos que nos amavam, deixaram seus ensinos para os que desejarem conseguirem entender como aplicar as verdades espirituais em suas vidas. Os egípcios sabiam que no início do terceiro milênio, muitos de nós, começaríamos a despertar e seríamos capazes de começar entendê-los. Deixaram sua mensagem, deixaram suas profecias, deixaram O Livro que Guia para
a Luz. Encerramos neste momento nosso estudo sobre o Egito. Voltaremos ao tema em módulos futuros, caso vocês queiram. Preciso saber quais os assuntos que tornam nossas conversas mais interessantes. Avisem-me. No próximo encontro: hinduísmo. Um grande abraço!