Encontro 1 – Iniciação pelo Sentimento

Resumo

Nesse encontro, estudamos o papel da dor na ampliação de nossa capacidade emocional e espiritual. A relação do Cristo com o grupo essênio, liderado por Lisandro e por Marcos, nos ensina que o Amor precisa de amadurecimento emocional para se manifestar de forma mais profunda.


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Imagens

Mar Morto

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Local em que foram encontrado os manuscritos do Mar Morto, uma comunidade próxima ao grupo essênio de Marcos e Lisandro, descrito no livro A Grande Espera.

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Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuscritos_do_Mar_Morto


Livro A Grande Espera, escrito por Eurípedes Barsanulfo, pela psicografia de Corina Novelino.

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Mapa da região do Mar Morto, o grupo essênio localiza-se próximo a Hebron.

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Música

Tubwayhun L’ahbvday Sh’lama (Bem-aventurados os pacíficos). Uma música reconstruída no idioma aramaico  com os instrumentos e a pronúncia da época de Jesus.

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Texto

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Imagine que você está na Terra e sabe que o Cristo, a Grande Estrela, vai aparecer em breve? Jesus irá contar com você para ajudá-lo a transformar a história humana… Essa é a realidade de um pequeno grupo de essênios que se distanciaram do mundo para se preparar de corpo e alma para uma tarefa especial junto a ele. Esse grupo é liderado por um sábio ancião, que conhece o pensamento oculto das pessoas, que se comunica telepaticamente com seus discípulos e que sai do corpo e visita os mundos celestes e infernais ao redor da Terra. Vive de forma simples e tranquila, preparando o pequeno grupo dos essênios, que se localiza no Mar Morto, a leste de Hebron, para servir à Causa. Lisandro é conhecido como o ancião do Mar Morto. Marcos é seu discípulo e sucessor, que aos quatorze anos, assume a direção de um novo grupo essênio. Todos se consideram candidatos à espera da Grande Estrela. Todos se preparam, estudando as ciências fundamentais, amparando o povo por meio de conselhos e medicamento fitoterápicos e dedicando- se a música, pois essa seria a forma que receberiam a Grande Estrela com uma grande festa. Trabalham na lavoura, no tear e na cerâmica. Todos vivem com um lema em seus corações.

Mente e mãos ocupadas sob a grande voz do silêncio.

A expectativa é que viverão uma sublime festa no encontro com Jesus. Assim não foi. Nada foi como o esperado…

Josafá, que realiza há muitos anos a busca para encontrar o Enviado de Deus, visitando e investigando as mais variadas regiões, é surpreendido quando um adolescente luminoso se aproxima. Inicialmente, Josafá e seus companheiros pensam ser uma estrela desconhecida, que brilha mais intensamente que o sol. Ao aproximarem-se da estrela, veem um jovem, de quatorze anos, e todos se ajoelham.

– Nossos amigos esperam-nos. Diz o jovem. 

Todos, em silêncio, levantam-se e caminham em direção ao povoado essênio. Josafá, que esperava ser o encontro uma verdadeira festa de luzes, sons e harmonias celestes, se dá conta que a grande festa ocorria apenas nos corações.

– O Pai pede-nos o testemunho da paz legítima no alívio aos corações enfermos… Explica Jesus a Josafá, que nunca imaginou que estavam indo atender enfermos. 

Chegam a chácara, em que está sendo fundado o grupo essênio liderado por Marcos. Ao serem atendidos na porta, Mira, uma nobre servidora da casa, afirma ela ao Jovem.

– Não vos aproximeis, jovem! Estamos infestados pelo mal

O mal a que Mira se refere é uma febre terrível, que matou dezenas de pessoas, inclusive, Félix, o proprietário que doara a chácara para os essênios. Marcos está exausto ao cuidar de tantos enfermos. Todos vivem em um ambiente de angústia. Aparentemente, todos ou quase todos morrerão daquela terrível doença. Pessoas amadas morreram, outras estão doentes. A cada dia mais esforço é exigido de um número cada vez menor de pessoas. Solidão, tristeza e medo são os sentimentos que pairam sob todos. De uma hora para outra, a feliz e próspera comunidade essênia foi mergulhada na desgraça.

A epidemia matara corpos e ameaçava imobilizar as almas na angústia. E tudo se iniciara por meio de uma mulher miserável, que fora amparada na chácara, e que se recusou obedecer as orientações de Marcos no tratamento de sua filha enferma. Ela foi socorrida, mas, por revolta, espalhou a doença. Marcos nunca a condenou nem permitiu que ela fosse condenada.

Não vos aproximeis, jovem! Estamos infestados pelo mal terrível que levou nosso amo e muitos servidores desta casa. 

O Jovem demorou o olhar terno no rosto macilento da interlocutora e acalmou-a:

– Não há perigo, bondosa Mira. A Misericórdia do Pai desceu sobre nossas cabeças… 

Nesse instante, Marcos se aproxima.

Com um gesto, Josafá apontou os companheiros, demorando o sinal indicador no Adolescente, que se retirara, discretamente, para o ângulo mais afastado da sala. Os olhos mansos de Marcos alcançaram o vulto esbelto, abrigado no recesso sombrio, qual lâmpada apagada, propositalmente, com o objetivo de não ofuscar o ambiente. O moço essênio estacou por alguns instantes na contemplação do recém-chegado, depois caiu-lhe aos pés, descaindo a cabeça sobre os pés empoeirados do viajante. Em toda a sala vibrava uma atmosfera de místico fervor, que levou os demais circunstantes à mesma atitude do jovem romano. 

(…) 

A alma de Marcos oferecia-se, silenciosa, a Deus, naquela hora tocante. Das alturas etéreas, um coro invisível misturava-se às harmonias saídas daqueles corações a caminho da santificação. Naquele momento, efetivava-se, realmente, a solene recepção à Grande Estrela. 

Assim aparece a Grande Estrela ao primeiro grupamento de trabalhadores cristãos do mundo. Como entender isso? Dias depois, após a chegada de Lisandro, e dos outros essênios que obedeciam ao seu chamado telepático, acontece a primeira orientação do Cristo a um grupo de seguidores. São cerca de cinquenta pessoas. Ali, indiretamente, Jesus explica as circunstâncias de sua aparição.

Todos mantinham a impressão de flutuar numa zona de vibrações leves. 

– Irmãos, que a Paz de Deus habite em nossos corações para sempre. 

– Assim seja feita a Vontade do Pai! – Respondeu o grupo a uma só voz. 

– O desejo de todos os corações aqui presentes, situa-se na direção do bem comum, no anseio da liberdade espiritual

(…) 

Irmãos, vosso ideal é belo pelos princípios, mas deveis iluminá-lo ainda mais pelo constante dar-se aos semelhantes. Ponde nos corações a chama ardente da esperança, apontando-lhes a rota da renúncia com o vosso próprio devotamento. Incentivai-os ao cumprimento do Amor mais puro, exemplificando a pureza luminosa dos vossos atos diuturnos.

Os planos da Divina Escola do Amor fundamentam-se no desejo bom e permanente de atender-se às necessidades dos semelhantes como se fossem as nossas próprias necessidades. Surgem, portanto, com as circunstâncias: aqui, é um enfermo a reclamar-nos devotamento e assistência; ali, é o faminto a solicitar-vos auxílio; acolá, é o caído, que roga simpatia e compreensão. Nosso programa baseia-se nas necessidades do próximo, efetivando-se na razão direta das circunstâncias de tempo. Aproveitemos, pois, a oportunidade do “hoje” porque o “amanhã” apresentará, invariavelmente, ensejos novos de serviço e ninguém pode garantir o exato cumprimento de obrigações acumuladas. 

A dor é a grande preparadora para que possamos compreender o Cristo. Viver a dor com consciência é a grande iniciação espiritual. Por isso, o Cristo aparece em um momento de dor intensa e não de festa, porque a dor vivida com honestidade altera psiquicamente o ser, amplia a percepção da vida. As grandes conquistas espirituais requerem grandes vivências na dor. Porém, é preciso entender que não devemos, tolamente, procurar nos causar dor. Nosso papel é ter coragem de reconhecer a dor que existe em nós. Não fugir, não evitar de olhar para ela, ter coragem de senti-la. De reconhecer que sofremos. Ter coragem é olhar como a dor se manifesta em nosso íntimo. Reconhecer as dores que existem dentro de nós é o nosso maior desafio espiritual.

Afirma Jesus que “ Os planos da Divina Escola do Amor fundamentam-se no desejo bom e permanente de atender-se às necessidades dos semelhantes como se fossem as nossas próprias necessidades.” Quando somos incapazes de reconhecer nossas dores, como atenderemos as dores dos outros como se fossem as nossas? O quanto de falsas festas fazemos para não reconhecer que estamos nos sentindo sozinhos? O quando de bebidas e drogas usamos para não sentir? O quanto de confusão nos metemos para desviar a atenção de nossas dores?

Há uma história triste, que ainda não contei, é sobre Lídia. A mulher responsável pelo alastramento da doença. Tinha duas filhas. Uma das filhas estava doente e sendo tratada por Marcos. Por revolta, ela não o obedeceu, tirou a filha do isolamento. A outra filha contraiu a doença e morreu. Lídia também adoeceu, cuidada por Marcos, curou-se e fugiu revoltada, jurando vingar-se. Ela, por não aceitar sua dor, foi responsável pela morte de uma filha, por espalhar a doença e, ao fugir, perdeu a chance de encontrar com Jesus de Nazaré que, com certeza, a teria amparado.

Essas são sempre as consequências de quando fugimos de nossa dor por qualquer tipo de revolta. Perdemos a chance de nos preparar intimamente para encontrar o Cristo. Por que não reconhecer hoje quais as dores que te tocam? Por que não aceitá-las como uma preparação especial para tua ascensão espiritual? Por que não entender que o Cristo chegará em nossa vida em condições similares como as que chegou para os essênios? Sim, a dor prepara o caminho da elevação espiritual, da verdadeira liberdade. O encontro com o Cristo. Aceitar a própria dor é preparar-se para ser amigo do Cristo

Exercício emocional

1. Acalme o corpo, respirando lentamente o tempo que for necessário. 

Examine seu corpo, percebendo suas sensações.

2. Continue respirando com calma 

Identifique uma dor emocional que você ainda não conseguiu perceber ou que você sabe que existe, mas ainda não aceitou reconhecer a existência…

3. Continue respirando calmamente 

Observe, olhe com tranquilidade para sua dor.

Aceite emocionalmente que ela tem algo a te ensinar.

Tenha a convicção que, seja qual for a sua dor, essa dor vai te conduzir ao Cristo, se você aceitá-la com esse desejo.

Prática Emocional 

  1. Escolha uma pessoa de seu convívio;

  2. Busque entender uma dor que ela/e vive ou viveu

  3. Encontre uma forma de amenizar essa dor, seja por meio de uma conversa, de uma prece ou de outra forma.


Paz e alegria aos vossos corações! Que o Cristo entre em vossas almas, em vossas mentes, em vosso ser, pela mesma porta que entrou no coração do grupamento dos essênios: a porta que se abre pela dor resignada.

Não fujais da dor, meus irmãos. A dor aceita com resignação austera e ativa é o segredo da verdadeira iniciação cristã. Os antigos sabiam, intuiam essa realidade; por isso os processos iniciáticos de todas as grandes ordens sempre foi um processo de desafio, de resignação e de dor.

Mas o Cristo traz a iniciação por meio da vida. Não procureis as dores, mas aceitai as vossas dores. Aceitai as vossas dores com a carinhosa convicção de que ela trará a ternura do Mestre para vos consolar na hora certa, no momento exato, quando menos esperardes.

Meus irmãos, eu senti a ternura do Cristo. Nem milhares de anos de sofrimento paga tanto amor, quanto mais as nossas pequenas e miseráveis dores deste mundo.

É valido, é muito válido, entender: a dor é apenas a chave que abre a porta do vosso psiquismo para que o Mestre entre, e uma vez dentro, ele iluminará toda a casa, todos os cômodos serão limpos, tudo ficará em paz, uma ternura profunda e tranquila invadirá todo o vosso ser para toda a eternidade.

Esse foi o convite do Cristo aos primeiros essênios, esse é o convite que os essênios fazem a vós: aprendei a suportar as vossas tão limitadas dores, em nome do Mestre. Se achai que a vossa dor passa da vossa capacidade, não vos revoltei, orai com humildade, pedi com ternura, porque basta apenas um olhar carinhoso do Mestre para que se dissipe toda a revolta no coração de quem deseja verdadeiramente aprender a amar.

Irmãos meus, o Cristo é o único e supremo modelo, segui-o. Segui-o em cada exemplo, segui-o em cada lição e eu vos asseguro: a paz será vossa conquista, pois Bem Aventurados os aflitos porque eles, consolados pelo Mestre, tornam-se mansos e humildes por toda a eternidade.

Muita paz, do vosso irmão e amigo,

Cairbar de Souza Schutel.


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