Diálogo Mediúnico – Encontro – 10

Diálogo Mediúnico

Que a paz do Cristo esteja em vossos corações.
Que o nosso Mestre, o senhor da abnegação do mundo, não porque renunciou ao mundo, mas porque renunciou transitoriamente a deixar a sua morada celeste para vir conosco viver a grosseria da materialidade para nos convidar a caminhar em direção às alegrias divinas e imperecíveis.
Mestre, ajuda-nos nesse instante a entender que a vida é transitória, que a dor é passageira, mas que o teu amor é eterno e poderá sustentar os nossos corações nos lances difíceis da existência para que não sejamos como moscas presas no mel da ilusão a morrer felizes caminhando para uma desgraça extrema. Podemos iniciar, minha amiga.

Muito obrigada pela sua presença hoje, amigo Cairbar. Como primeira pergunta, como perceber que estamos traindo Jesus por conta de nossas paixões inferiores?

A consciência cristã tem que ser desperta, minha amiga. Se ela está em todos, muitas vezes se apresenta como o botão da rosa que carece de estímulos poderosos e suaves da luz que é o Cristo, esse sol que nos alimenta, para que desabroche e possa nos apontar se estamos ou não no caminho correto.
Muitas vezes, os cristãos espíritas pensam que basta perguntar a um amigo espiritual, porque permanecem na infância emocional da humanidade. O diálogo é necessário, as perguntas são importantes, mas a essência é o diálogo interior com o Cristo. Para saber se estais ou não no caminho adequado, perguntai a vossa consciência, suplicando ao Cristo que a ilumine para que ela cresça, desenvolva e desabroche e aí vos dê a sensibilidade de avaliar a própria conduta, o próprio caminho.

Se nós percebermos essa realidade, o que podemos fazer?

Façais como o amigo aqui presente que solicita que eu relembre a sua história, Herculano Pires. Porque pede o amigo que a sua história seja contada para que os espíritas entendam a sutileza do desvio que as trevas podem armar para o caminho de qualquer um.
Entretanto, me afastarei para que esse amigo conte a própria história que será uma lição extraordinária para todos vocês.

Herculano Pires

Espíritas, meus irmãos, é com alegria que participo hoje desse programa. Eu que tantas vezes me empolguei nos programas radiofônicos que fiz quando encarnado.

A história que quero contar é bastante curiosa. Empolgado com as minhas atividades, sempre me questionava se não seria melhor ter mais tempo, mais sossego, porque minha casa era sempre muito movimentada pelo tanto de familiares, agregados e também pelos irmãos do movimento espírita. Tanto quis, tanto procurei que um amigo me ofereceu uma oportunidade para viver no interior de São Paulo lecionando e com bastante tempo livre para escrever. Apareceram muitos obstáculos, mas efetivamente consegui a mudança. E pasmem, meus amigos, eu nada conseguia escrever. Como que um bloqueio se apossara de mim, coisa que nunca tinha vivido, e comecei a me questionar o que estaria ocorrendo.

Até que através de uma médium, de forma inesperada, o meu amigo Cairbar me alertou: era necessário voltar para a capital paulista, ali era o local ideal para minha produção. Ali enfrentando, inclusive, as duras dificuldades materiais é que eu conseguiria realizar minha tarefa. Naturalmente, pensei e ponderei. Reuni a família, precisávamos discutir aquele assunto, talvez fosse uma cilada, talvez não fosse. Mas o generoso amigo me envia uma outra mensagem através de Francisco Xavier. Não tive mais dúvidas, deveria voltar e, graças a Deus, não tínhamos vendido a nossa casa. Voltamos imediatamente.

E eu me dei conta que as inúmeras dificuldades para realizar a mudança eram intervenções do meu guia espiritual para que eu não me desviasse.

Essa é a história que já está no mundo, mas eu quero comentar um pouco os bastidores espirituais desse lance da minha existência que, se não tem um valor histórico, tem o valor de experiência pessoal.
Por muito tempo eu fui estudado pelos espíritos que queriam me desviar do caminho e o que eles encontraram como um ponto fraco era o dissabor que eu sentia com uma vida excessivamente agitada. Então, resolveram armar esse tipo de cilada. Avaliando meu psiquismo, avaliando meu amor ao silêncio e a paz, eles me colocaram uma tentação com o silêncio e com a paz, mas em um ambiente em que esse silêncio e essa paz se converteriam em inatividade.

Vejam como tudo isso é sutil, por isso, só há uma regra: conhecer a vontade de Deus, ter clareza do desígnio do Mais Alto para que não caiais em tentações aparentemente sadias e saudáveis.

Não há uma regra que não seja: qual a vontade de Deus para a minha vida? Porque a tarefa que deveria executar estava ligada ao dia a dia do movimento espírita e apenas convivendo diariamente com os diversos tipos de espíritas poderia eu entender a melhor forma de expressar as reflexões espíritas adequadas à necessidade da Psicologia do espírita que convivia comigo. A minha obra não era uma obra destinada ao futuro do movimento, era uma obra destinada a imediaticidade das necessidades espíritas. Se minha obra fosse outra, poderia pensar que um certo distanciamento seria o mais adequado. Por isso, não podemos nos ater a julgamentos externos, e sim nos ater à vontade de Deus para nós.
Como o amigo Cairbar sugere, posso ficar para responder à última pergunta.

Muito obrigada pela sua presença, amigo Herculano. Nossa dúvida é como o Espiritismo pode nos ajudar a nos aproximar do Cristo?
O Espiritismo é a única luz suficientemente poderosa para atingir a mente e o coração da grande parte da humanidade. Sem desmerecer outras religiões ou outras áreas do saber, mas ao contrário. O Espiritismo, minha filha, é uma luz que se fortalece e se intensifica ao abraçar as outras religiões. O Espiritismo é um organismo que se eleva pela sua capacidade de se integrar com a Filosofia e com a ciência.
O Espiritismo é uma proposta cultural tão grandiosa que é capaz de interagir, de amar, e de extrair o valor de todas as culturas que existem hoje no planeta. Por isso, sem nenhum viés de fanatismo, afirmo: o Espiritismo, quando os espíritas entenderam a sua capacidade de integração coma Filosofia, com a ciência e com a religião, eles iluminarão a Terra.

Não há classificação para o Espiritismo no mundo, a não ser: é uma força cultural capaz de realçar a beleza da ciência, da Filosofia e da religião, fortalecendo-se e iluminando a mente e o coração humano.
Quando os espíritas entenderem isso estará decretado o fim das trevas culturais e espirituais do planeta.

Com muito carinho e amor,
Herculano Pires.