Diário sobre a gratidão que se sente aumenta o altruísmo- Leitura complementar – Encontro – 10

Uma pesquisa realizada na Universidade de Oregon, realizada pelos psicólogos Christina M. Karns, William E. Moore III, Ulrich Mayr, sugere que manter um diário sobre os motivos para ser grato beneficiam o desenvolvimento da capacidade de altruísmo ou empatia.
O artigo que segue discorre sobre essa pesquisa. Foi publicado no site Diário da Saúde em 29/12/2017.
O selecionamos com o objetivo de nos ajudar a refletir sobre os meios de diminuir a nossa sede de poder, de dominação e o nosso egoísmo. Pois, carregar essas características e cultivá-las pode atrapalhar ou até mesmo impedir o cumprimento de nossas missões, além de nos afastar cada vez mais da luz que é o Cristo.
Desejamos, também, mostrar como a ciência atual estuda o comportamento do nosso cérebro, informando-nos que somos capazes de alterar nossos maus hábitos ou vícios mentais – nossa rejeição da luz.


Diário sobre a gratidão que se sente aumenta o altruísmo

Gratidão e altruísmo

A gratidão faz mais do que aumentar a sensação de felicidade e ajudar a manter uma boa saúde.
Se esses sentimentos de gratidão forem regularmente anotados em um diário, a pessoa colherá ainda um aumento em seu altruísmo – o desprendimento, abnegação ou, em última instância, o amor ao próximo.
Os voluntários dos experimentos que levaram a essas conclusões foram inicialmente avaliados através de questionários e escaneamento cerebral por ressonância magnética (MRI). Durante a primeira ressonância, eles acompanhavam transações nas quais uma soma de dinheiro era doada, ou para um refeitório público filantrópico, ou para eles próprios.
“Nós descobrimos que, em todo o grupo na primeira sessão, as pessoas que relataram traços mais altruístas e gratidão apresentaram uma resposta cerebral relacionada à recompensa quando a instituição beneficente recebia dinheiro que era maior do que quando elas próprias recebiam o dinheiro,” conta a pesquisadora Christina Karns, da Universidade do Oregon (EUA).
Os resultados da ressonância magnética funcional, que mede o metabolismo do oxigênio nas células cerebrais ativas, mostraram que a atividade relacionada ao altruísmo aumenta no córtex pré-frontal ventromedial, uma área profunda no cérebro associada ao altruísmo em estudos anteriores.

Diário sobre gratidão
Para testar o eventual efeito de fazer um diário sobre a gratidão que sentiam, as 33 mulheres que participaram do primeiro estudo, entre 18 e 27 anos, foram distribuídas aleatoriamente em dois grupos: 16 escreveram diariamente um texto dirigido, respondendo a questões relacionadas à gratidão, enquanto as outras 17 receberam mensagens diárias neutras que não se concentravam na gratidão – como o grupo inicial era pequeno, os pesquisadores fizeram esta parte do estudo apenas com as mulheres para eliminar as diferenças de gênero.
Três semanas depois, elas voltaram para outra ressonância magnética funcional, repetiram os questionários e viram as mesmas transações de dinheiro para o banco de alimentos ou para si próprias.
“Descobrimos que a atividade registrada no córtex pré-frontal ventromedial mudou nas pessoas no grupo de reconhecimento da gratidão,” disse Karns.
“Este grupo como um todo teve um aumento no sinal com relação ao ganho de dinheiro pela instituição de caridade em relação a assistir elas próprias ganhando o dinheiro, como se elas fossem mais generosas para com os outros do que para com elas mesmas”.

Gratidão como perspectiva filosófica
Pesquisas anteriores sobre o pensamento positivo e a prática da gratidão já haviam mostrado benefícios para melhorar a saúde e o bem-estar geral, mas esta nova pesquisa, ressalta Karns, foi projetada para explorar a gratidão com uma perspectiva filosófica. Esta perspectiva enfatiza mais do que o benefício da gratidão para si mesmo, com foco também nos benefícios resultantes da gratidão para os outros na sociedade.
Para isso, ela usou uma variedade de questionários para explorar discretamente os sentimentos dos participantes sobre o altruísmo, combinando então com o exercício de visualização de transações desenvolvido pela equipe em estudos anteriores.
Os resultados indicaram que a parte do cérebro que dá suporte ao sentimento de recompensa é flexível, permitindo mudanças nos valores de uma “moeda neural” associada aos sentimentos de altruísmo.
“Nossas descobertas sugerem que há mais bem lá fora quando há gratidão,” disse Karns.

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