Rejeição da Luz e Cristianismo, Hoje — Texto principal – Encontro 10 – Módulo Cristo – 2018

Vamos apresentar aqui um depoimento psicografado que será publicado futuramente no livro – Depoimentos . Ela relatam experiências vividas no seio do Espiritismo e trata do apego ao ouro. Ele tem o objetivo de evitar que cometamos os mesmos erros.

Depoimento

Queria eu, hoje, falar de flores e glórias. Quanta coisa sonhei que encontraria no além ao viver meu desencarne! Quantas conversas sobre as belezas espirituais desenvolvi com os admiradores que vinham ao final de cada palestra compartilhar comigo suas dúvidas, admiração e curiosidade. Nestes instantes, preciosos para a instrução, falava eu do tanto que queria conhecer e, sutilmente, a todos convencia que, logo após minha partida, de fato, mereceria a estadia em colônia especiais e iluminadas. Quanta decepção plantei em meu coração e que vergonha ao encontrar muitos que tinha me eleito espírito evoluído por causa da beleza de minhas palavras que sequer eram minhas.
Explicou-me, meu amigo e guia espiritual, a atividade da palestra era, em grande parte, realizada por ele, meu mérito era mínimo. Na verdade, era semelhante a um trabalhador braçal que cumpre o dever sem consciência real do que faz. Isso tem valor, mas não ilumina definitivamente o espírito como queria acreditar.
A mim, cabia a minha tarefa, a educação dos filhos, o trabalho honesto e, no final da vida, o testemunho da abnegação, que fugi alegando ter feito mais do que o suficiente pela Causa.
Desencarnei rico, com a consciência culposa por negócios equivocados. Nunca doei um décimo do que houvera me comprometido antes do reencarne. Seria rico se tivesse agido honestamente, pois minha última prova seria a do desapego. Por isso, meu guia espiritual falava com tanta beleza do desapego em minhas palestras e eu que repetia a mensagem achava que era apenas para os ouvintes…
Fica essa história, triste, para mim. Talvez, sem graça e sem emoção para quem me ler, mas de tudo que vi e aprendi por aqui, uma única coisa hoje me interessa é aprender o desapego, porque foi por me apegar que tanto sofri e sofro.
A matéria prende e isso não é brincadeira nem linguagem figurada. Ela ilude, aprisiona, faz sofrer muito. Por que os espíritas, antes de partirem para cá, não consideram isso? Precisarão de tantos bens? Não quero dar lição a ninguém. Não posso. Apenas aviso. Meu amigo, seu ouro vai se transformar em tormento, se, ao você partir, ele não tiver sido aplicado segundo a vontade de Deus. E nós, os espíritas apegados, sabemos a vontade de Deus, apenas queremos viver a nossa pequena ilusão e acordar com grande amargura no além.

O OURO INTRANSFERÍVEL
“Aconselho- te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças.”
(APOCALIPSE, 8: 18)

Sempre vulgares as aquisições de custo fácil.
Nada difícil ao homem comum perseguir as possibilidades financeiras aliciar interesses mesquinhos, inventar mil recursos para atingir os fins inferiores;entretanto, os que adotam semelhante norma desconhecem o caráter sagrado do mais humilde patrimônio que lhes vai às mãos, abusando da posse para sentirem-se, depois, mais empobrecidos que nunca.
A recomendação divina é suficientemente clara.
Para que um homem se enriqueça, deve adquirir o Ouro provado no fogo, fortuna essa que procede das mãos generosas do Altíssimo.
Somente essa riqueza espiritual, adquirida nas situações de trabalho árduo, de profunda compreensão, de vitória sobre si mesmo, de esforço incessante, conferirá ao Espírito a posição de ascendência legítima, de bem estar permanente, além das transformações impostas pelo sepulcro, e apenas levará a efeito tão elevada conquista após entregar-se totalmente ao Pai para a grandeza do Divino Serviço.
O homem mobilizado pelo homem poderá, sem dúvida, receber volumosos salários.
Convenhamos, porém, que esses bens se transformam sempre ou algum dia serão transferidos a outrem pelo detentor provisório. No entanto, quando o trabalhador gasta suas possibilidades nos trabalhos do bem, com esquecimento do egoísmo, desinteressado de si próprio, colocando acima dos caprichos da personalidade os objetivos da Obra de Deus, lutando, amando, sofrendo e entregando-se a Ele, adquire, indiscutivelmente, o ouro eterno e intransferível.