Texto Principal – Encontro 8

A história de Álvaro nos esclarece o quanto um “pequeno” desvio nos leva a séculos de dores inimagináveis. Essa história é um resumo do relato de uma regressão de memória assistida e narrada por André Luiz por meio de Francisco C. Xavier no livro Sexo e Destino publicado pela editora Feb.
Álvaro volta de seus estudos da Europa com vinte e dois anos. Sempre viveu bem e foi educado com carinho por sua mãe e seu padrasto, Justiniano. Em um baile conhece Brites e Teodoro Castanheda, casal muito amigo de sua mãe e seu padrasto com quem também Justiniano mantinham negócios.
Brites e Álvaro se apaixonam. Amor a primeira vista, dizemos. Desgraça próxima, diriam os amigos espirituais que conheciam os dois…

Tornam-se amantes e são descobertos, em um quarto de hotel, por Teodoro, esposo de Brites. Pensando em como um escândalo afetaria o futuro da filha, Teodoro decide permanecer em casa e não tomar nenhuma providência pública.
Separa-se, na prática, de Brites e inicia uma relação amorosa com a jovem Marina que abandonou dois filhos que teve com Teodoro por serem resultados de uma relação não assumida.
Depois de quatro anos e todos esses acontecimentos, a paixão de Álvaro, esgotou. Como acontece com as paixões mais grosseiras… E o que era prazer, euforia e imensa satisfação vira desgosto, tormento e desespero emocional. A aventura torna-se pesadelo. Filme antigo,repetitivo. Porém, há um agravante, Brites que já era vazia emocionalmente, torna-se desesperada. Se Álvaro a deixasse, o que seria dela? Se você me deixar, diz a Álvaro, cometo suicídio e divulgo nosso adultério. Começa aqui um processo de desilusão que demorará séculos. Breves ilusões, longas desilusões.
Álvaro, inteligente e criativo, usa seus dons para o mal. Cria um problema que cem anos será pouco para resolver… O que ele faz? Para livrar-se da amante destrói a vida da mãe, do padrasto, de Teodoro e de Virgínia, filha única de Brites. O que ele fez? Veja que ideia… Das trevas.
Álvaro induz, discretamente, Justiniano a apaixonar-se por Brites e vice-versa. Quando os dois se envolvem, ele “descobre” os dois e parte, como vítima, para Europa em busca da noiva que deixara há mais de quatro anos.
Vejamos os resultados de tal atitude como conta André Luiz.
O golpe infundira na senhora Castanheira (Brites) uma nova personalidade.
Convertera-se em pavorosa mulher, calculista, cruel. Nunca mais se lhe vira um gesto de piedade. Metamorfoseara Justiniano num homem de sexualidade pervertida, extorquindo-lhe dinheiro e mais dinheiro, até ao ponto de entregar-lhe a própria filha, Virgínia, que atravessara os anos quinze de idade, vendendo-a ao amante, homem já velho, para senhorear terras e haveres. Ainda assim, não contente com os próprios desvarios, desencaminhava moças de nobre formação, atirando-as no prostíbulo, estimulava infidelidades, vícios, crimes, abortos…
Virgínia, com quem Justiniano passara a viver, em definitivo, abandonando a esposa (mãe de Álvaro), transfigurara-se em pomo de discórdia entre o senhor de Fonseca Teles e Teodoro Castanheira, que se atormentaram mutuamente em onze anos de conflitos inúteis, até que o marido de Dona Brites, então vivendo maritalmente com Naninha de Castro, desde muito, aparecera morto a punhaladas, na rua da Cadeia, atribuindo-se o homicídio a escravos foragidos. Naninha, porém, não ignorava que Justiniano fora o mandante e tramou desforço.
A verdade é que todas estas desgraças foram apenas o começo de muitas outras como narra o livro. Neste momento lembramos o aviso do Cristo: Eu, porém, vos digo que todo aquele que olha uma mulher para desejá-la, já adulterou com ela em seu coração. Ao comentar essa afirmação, Amy-Jill Levine, uma estudiosa sobre a relação do Judaísmo e Novo Testamento, afirma que Jesus não apenas manteve a moral mosaica, mas, em alguns casos, tornou-a mais rígida. Ela explica que Moisés proibiu o adultério. Para Jesus, pensar em ter relação sexual com outra pessoa que não é o cônjuge já é adulterar. Por que Jesus foi tão rigoroso? Bem, a história acima justifica.
A paixão, que é algo belo e nobre, quando degenerada, gera dores imensas e imprevisíveis. Quem poderia imaginar que uma “inocente” aventura como idas à praia e passeios a Tijuca resultaria em tantos séculos de amargura? O livro Sexo e Destino narra o desenrolar desta história no século 20, mas ainda hoje essas dramas se desenrolam entre intensas dores e esperanças. Podemos dizer que o livro narra a história da redenção espiritual de Álvaro que após perder a si mesmo por conta de uma conduta sexualmente desequilibrada aprender a servir e inicia o caminho de sua redenção espiritual.


 

Evangelho Segundo o Espiritismo
Capítulo XXII – Não Separeis o que Deus Juntou

 

O Divórcio

5. O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à Lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a Lei divina. Se fosse contrário a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais, e não a satisfação da lei de amor.

Nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse Ele: “Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres”? Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porém: “no princípio, não foi assim”, isto é, na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a Lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.

Vai mais longe: especifica o caso em que pode dar-se o repúdio, o de adultério. Ora, não existe adultério onde reina sincera afeição recíproca. É verdade que Ele proíbe ao homem desposar a mulher repudiada; mas cumpre se tenham em vista os costumes e o caráter dos homens daquela época. A lei mosaica, nesse caso, prescrevia a lapidação. Querendo abolir um uso bárbaro, precisou de uma penalidade que o substituísse e a encontrou no opróbrio que adviria da proibição de um segundo casamento.
Era, de certo modo, uma lei civil substituída por outra lei civil, mas que, como todas as leis dessa natureza, tinha de passar pela prova do tempo.