Grande experimento pornográfico – Leitura complementar – Encontro – 8

A palestra de Gary Wilson foi publicada em 2012 no TEDx Glasgow com o título “The Great Porn Experiment”. Gary Wilson é um especialista em neurociência do sexo, além de professor em anatomia e fisiologia. Nessa palestra ele destaca como a pornografia atinge o cérebro da mesma forma que outras drogas e de que forma isso afeta a vida de milhares de jovens usuários da pornografia. A palestra é elucidativa na perspectiva científica e, por isso, acreditamos que é valiosa instrução sobre as devastadoras proporções que esse vício pode tomar. Destacamos ainda que o abuso emocional ou sexual pode levar a condutas promíscuas como as relatados no livro Sexo e Destino, inclusive ao vício da pornografia.


 

 

 


Inspirado pelo último palestrante eu vou cantar uma música sobre a pornografia na Internet.
Não, estou brincando.
O amplo consumo de pornografia na Internet é um dos experimentos globais de maior crescimento conduzidos no mundo inconscientemente.
Praticamente todo rapaz com acesso à Internet se torna um ávido sujeito de testes.
O pesquisador canadense Simon Lajeunesse descobriu que a maioria dos garotos busca pornografia com 10 anos de idade.
Motivados por um cérebro fascinado pelo sexo.
Os usuários percebem a pornografia na Internet como muito mais atraente do que a pornografia do passado.
Por quê?
Novidades infinitas.
Nesse estudo australiano, não é apenas a nudez, mas a novidade que leva a excitação às nuvens.
Sujeitos assistiram 22 amostras de pornografia. Vê aquele pico?

Aquilo acontece quando os pesquisadores mudam para pornografia que os garotos não haviam visto antes.
O que acontece? As ereções nos seus cérebros disparam.
Por que tanta excitação?
A mãe natureza gosta que um macho continue fertilizando as fêmeas enquanto houverem fêmeas novas.
Na linha de cima, o carneiro precisa de mais e mais tempo para cruzar com a mesma ovelha.
Mas se você trocar as fêmeas — a linha de baixo — o mesmo não acontece.
Ele consegue terminar o trabalho em 2 minutos e continua até não conseguir mais.
Isso é conhecido como efeito Coolidge.
Sem o efeito Coolidge não haveria pornografia na Internet.
O efeito Coolidge é um programa no cérebro dos mamíferos que faz com que cada fêmea nova seja uma oportunidade de espalhar seus genes.
Para que o rapaz continue fertilizando, seu cérebro libera a substância estimuladora chamada dopamina a cada nova fêmea.
Eventualmente o carneiro irá se cansar.
Mas desde que o rapaz continue clicando, ele pode prosseguir e sua dopamina irá continuar.
Com a pornografia na Internet um rapaz consegue ver mais garotas em 10 minutos do que seus ancestrais veriam em várias gerações.
O problema é que ele tem o cérebro de um caçador-coletor.
O cérebro de um usuário intensivo se reajusta para essa abundância genética para se adaptar a esse harém pornográfico.
Comportamentos que são associados a isso são: ficar sozinho, voyerismo, clicar, buscar, múltiplas abas, avançar, novidade constante, choque e surpresa.
Como um rapaz perguntou uma vez: nós somos a primeira geração a se masturbar com a mão esquerda?
O sexo real, em contraste, envolve cortejar, tocar, ser tocado, cheiros, feromônios, conexão emocional, interação com uma pessoa real.
O que acontece quando o rapaz finalmente consegue uma mulher de verdade?
Pesquisadores não sabem muito sobre os efeitos da pornografia na Internet por várias razões.
Em 2009, quando Lajeunesse tentou estudar o impacto da pornografia, ele não conseguiu encontrar rapazes na faculdade que não faziam uso.
Então o primeiro dilema sério é que os estudos não têm um grupo de controle.
Isso cria um grande ponto cego.
Imagine se todos os meninos começassem a fumar aos 10 anos e não houvesse nenhum grupo que não fizesse isso.
Nós acharíamos que o câncer de pulmão é normal para todos os rapazes.
Desconsiderando a falta de não-usuários, Lajeunesse perguntou a 20 rapazes:
A pornografia na Internet está afetando a sua forma de agir com as mulheres?
Eles responderam: “Não, eu acho que não.”
Mas eles tinham usado por quase uma década sem parar.
É como perguntar a um peixe o que ele acha sobre a água.
O que leva a um segundo problema.
Pesquisadores não perguntaram aos usuários de pornografia sobre os sintomas que Zimbardo descreveu em “A Morte dos Homens.”
Sintomas de excitação são facilmente confundidos com coisas como TDAH, ansiedade social, depressão, problemas de concentração, ansiedade de desempenho, TOC, e vários outros.
Planos de saúde frequentemente assumem que estas condições são as principais talvez a causa do vício mas nunca o resultado de um vício.
Como consequência, eles medicam esses rapazes sem realmente perguntar se eles estão viciados em Internet.
Os rapazes nunca percebem que eles poderiam superar esses simplesmente mudando o seu comportamento.
O terceiro problema é que é difícil acreditar que atividade sexual pode viciar porque o sexo é saudável.
Mas a pornografia na Internet não é sexo.
Pornografia na Internet é diferente de sexo real tanto quanto os vídeo games de hoje são diferentes do jogo de damas.
Ver uma tela cheia de corpos nus não irá proteger alguém do vício em excitação.
No estudo holandês — eis o título — eles descobriram que de todas as atividades na Internet, a pornografia tem o maior potencial para viciar.
Eis o motivo.
Esse sistema antigo, o circuito de recompensa, evoluiu para nos direcionar para recompensas naturais como sexo, proximidade e comida.
Como consequência, versões extremas das recompensas naturais têm uma habilidade especial para nos atrair.
Por exemplo: comida altamente calórica ou mulheres novas nos dão dopamina extra.
Muita dopamina pode sobrepor os nossos sistemas naturais de saciedade.
Por exemplo: dê a ratos acesso ilimitado a comida pouco saudável e quase todos eles se tornarão obesos.
É por isso que 4 de cada 5 americanos estão acima do peso e metade deles estão obesos.
Isso é vício em comida.
Em contraste com as recompensas naturais, drogas como a cocaína e o álcool somente viciam 10% dos usuários, sejam ratos ou humanos.
O mecanismo de busca por comida ou sexo já foi uma vantagem evolucionária.
Essencialmente, é pegar enquanto pode.
Se você imaginar lobos comendo 9 quilos de carne por caçada ou é a estação do acasalamento e você é o macho dominante.
E se a estação do acasalamento nunca acabar?
Estas doses de dopamina dizem duas coisas ao seu cérebro.
Primeiro dizem: “Você acertou na loteria evolucionária.”
Depois eles ativam uma chave molecular chamada Delta-FosB.
Eu sei que a palavra é estranha, mas a dopamina dispara o Delta-FosB e isso começa a acumular no circuito de recompensas do cérebro.
Com o consumo crônico em excesso de drogas ou recompensas naturais, esse acúmulo de Delta-FosB começa a alterar o cérebro e a promover o ciclo de compulsão e desespero.
Se a compulsão continua, o Delta-FosB se acumula e pode levar a modificações cerebrais vistas em todos os viciados.
Os efeitos são consumo em excesso, dopamina em excesso, Delta-FosB e modificações cerebrais.
Uma das primeiras mudanças é uma resposta indiferente ao prazer.
Ela faz com que os prazeres diários não satisfaçam um viciado em pornografia.
Ao mesmo tempo outras mudanças físicas no cérebro fazem-no hiper reativo à pornografia.
Qualquer outra coisa é muito chata, mas a pornografia é tão excitante.
Finalmente a sua força de vontade aumenta quando o córtex frontal muda.
Quero enfatizar isso muito.
Todos os vícios levam às mesmas modificações cerebrais e à mesma chave molecular que os gera: Delta-FosB.
Cientistas usaram exames cerebrais para medir essas mudanças nos viciados em drogas.
Aqui em cima, as imagens mostram uma resposta reduzida ao prazer nos viciados em drogas.
Estas e várias outras mudanças também foram vistas em viciados em jogos, viciados em comida, recentemente em viciados em video game e agora em viciados em Internet.
Peço desculpas por encher o slide com estudos sobre o cérebro. Preste atenção só nas datas.
Eu quero que vocês saibam que eles existem.
Até agora todas as pesquisas apontam na mesma direção.
Novidade constante com um clique pode levar ao vício.
Nós sabemos isso porque quando os cientistas examinaram ex-viciados em Internet, eles descobriram que estas mudanças cerebrais estavam se desfazendo.
Infelizmente, nenhum destes estudos isolou os usuários de pornografia, mas eles estão inclusos.
Aqui está a mudança.
Finalmente nós temos um grupo de rapazes que não está mais assistindo pornografia na Internet.
Isso mesmo! Usuários intensivos estão voluntariamente desistindo aos milhares.
Estes rapazes são o grupo de controle que faltava no grande estudo da pornografia.
Eles estão mostrando aos especialistas o que a mudança de uma única variável pode fazer.
Eu chamo isso de “A Ressurreição dos Homens” em oposição à “A Morte dos Homens”.
Antes de eu continuar, você provavelmente quer saber por que um amante de pornografia em sã consciência iria desistir?
Duas palavras: disfunção erétil.
Pornografia na Internet está acabando com o desempenho sexual dos jovens.
Zimbardo disse que os rapazes estão falhando com as mulheres, essa pesquisa de neurologistas italianos confirma o que nós testemunhamos nos últimos anos.
Medicamentos para o desempenho sexual param de funcionar para estes rapazes, se é que funcionam, porque o problema não está lá embaixo onde o viagra funciona.
E o problema também não é realmente psicológico.
Ele ocorre devido às mudanças físicas no cérebro.
Essas mudanças relacionadas ao vício.
Os seus cérebros indiferentes estão enviando sinais mais fracos as suas bananas.
(Risos) Como o doutor Foresta diz:
“Começa com uma reação menor aos sites pornográficos. Depois ocorre uma queda geral na libido, e no fim é impossível conseguir uma ereção.”
Há 3 informações importantes aqui.
Primeiro, Foresta está descrevendo um processo clássico de vício — dessensibilização gradual.
Segundo, a pornografia na Internet é diferente da Playboy.
Disfunção erétil (DE) em jovens nunca tinha se espalhado tanto.
E finalmente, DE é frequentemente o único sintoma que chama a atenção desses rapazes.
A questão é quais outros sintomas eles não estão percebendo?
A maioria não percebe até parar.
Este é um rapaz com 20 e poucos anos:
“Eu estive em psicólogos e psiquiatras nos últimos 8 anos fui diagnosticado com depressão, ansiedade social severa, falha de memória severa e alguns outros.
Já usei Fexer, Ritalin, Xanax, Paxil larguei duas faculdades, fui mandado embora duas vezes, usei maconha para acalmar minha ansiedade social.
Fui abordado por várias mulheres acho que por causa da minha aparência e status mas elas rapidamente sumiram devido à minha esquisitice.
Sou viciado em pornografia desde os 14.
Nos últimos 2 anos eu venho testando e finalmente percebi que a pornografia era um problema.
Eu parei completamente 2 meses atrás.
Foi muito difícil mas até agora valeu muito a pena.
Desde então parei de tomar remédios.
Minha ansiedade acabou.
Minha memória e foco estão melhores do que nunca.
Eu me sinto como um “imã para mulheres” e minha disfunção erétil se foi.
Eu seriamente acho que nasci de novo, uma segunda chance na vida.”
É por isso que grupos de rapazes estão se juntando por toda a Internet — sites de halterofilia, esportes, sites de sedução — onde os homens se congregam.
Na essência, eles buscam um renascimento neuroquímico.
Este é um grupo no reddit.com que se chama “Fapstronauts”.
‘Fap’ é uma gíria para masturbação, mas o que eles estão realmente desistindo é da pornografia.
Eles adicionaram 2.000 membros desde o mês passado.

Este movimento para se livrar da pornografia está crescendo rapidamente.
Na verdade, grupos estão se espalhando pela Internet na Europa também.
Mas aqui está um detalhe bizarro.
Rapazes com 20 anos não recuperam suas atividades sexuais tão rapidamente como os mais velhos.
Como um cinquentão pode recuperar o tesão mais rápido do que um rapaz de 20 e poucos?
Apesar dos mais velhos terem usado pornografia por mais tempo, eles não começaram com a pornografia atual da Internet.
Nós sabemos que essa é uma variável importante porque os homens mais velhos não começaram a ter problemas sexuais até a chegada da Internet banda larga. (Risos)
Hoje os adolescentes começam na Internet de alta velocidade quando seus cérebros estão no pico de produção de dopamina e neuroplasticidade.
Também é quando eles estão mais vulneráveis ao vício. Mas há outro risco.
Na vida adulta, eles fortalecem os circuitos mais usados e enfraquecem os não usados.
Então, com 22 anos o gosto sexual de um rapaz pode ter raízes profundas no seu cérebro.
Isso pode gerar pânico se um rapaz se voltou para a pornografia extrema ou pornografia que difere da sua orientação sexual.
Felizmente o cérebro é flexível então esse gosto pode mudar se ele parar.
Quando um rapaz retorna à vida normal, o seu cérebro procura as recompensas que ele evoluiu para procurar como interação amigável e, é claro, parceiras reais.
Eis outro exemplo do que ouvimos todos os dias:
“Eu me sinto como o próximo Isaac Newton ou Leonardo da Vinci.
Desde que parei um mês atrás, eu literalmente: abri um negócio, comecei a tocar piano, estudo francês todos os dias, estou programando, desenhando, escrevendo, comecei a cuidar das minhas finanças e eu tenho mais ideias brilhantes do que eu posso lidar.
Minha confiança está nos céus.

Eu sinto que eu posso falar com qualquer garota!
Eu sou o mesmo rapaz que demorou 2 anos e meio a mais para me formar por causa da procrastinação e depressão.”
Eu concluo com um desejo: Eu gostaria de ver os homens de Zimbardo que estão sendo exterminados e seus cuidadores e os especialistas ouvirem os milhares de homens que estão nos ensinando sobre o vício em excitação escapando dele.
Obrigado por ouvir.
(Aplausos)