Roma e o Evangelho – Mensagem de Maria – Livro em Destaque – Encontro 11

Roma e o Evangelho

Um grupo de sacerdotes que alta qualificação intelectual e dos altos cargos da igreja católica reuniram-se em Lérida com todas a descrição possível para estuar, experimentar e provar que a Doutrina Espírita nada mais era do que um amontoado de superstições e tolices. O que este grupo, reunido no interior da Espanha, por volta de 1870, não esperava era receber emassem elevadíssimas do mais Alto. O que ninguém esperava era que eles se convertessem ao Espiritismo e publicassem um livro com estas mensagens…
Eurípedes Barsanulfo, no interior de Minas Gerais, orientado por Bezerra de Menezes, escreva no receituário mediúnico a indicação de leitura do livro Roma e o Evangelho para muito de seus enfermos. O mais interessante é observar a ligação profunda do médico dos pobres com Maria de Nazaré e de Eurípedes Barsanulfo que fundou o primeiro colégio espírita do mundo – Colégio Allan Kardec – por orientação de Maria de Nazaré.
A fonte mediúnica mais precisa que temos para conhecer a psicologia deste espírito são as mensagens de Maria de Nazaré no livro Roma e o Evangelho. Segue a mensagem de Maria de Nazaré destinada aos sacerdotes católicos reunidos em Lérida para estudar o Espiritismo. O dia era 23 do mês de agosto de 1893. A reflexão é elevada, poderosa e intensa.
” Hora est jam nos de somno surgere. Já é tempo de a Humanidade reconhecer-se – já é tempo de, obediente às inspirações que baixam das esferas etéreas, acompanhando sua própria e espontânea atividade, sair de sua obcecação, da escravidão de seus erros, para empreender e seguir, compasso firme, sem vacilações e sem prevaricações, o caminho que conduz à terra prometida; – já é tempo de abrir-se à verdade nas inteligências e de reinarem nos corações a caridade e a humildade; – já é tempo de a semente, plantada nas consciências pelo Filho do homem, produzir fruto abundantíssimo de vida – e de todas as seitas religiosas, depurando-se de tudo o que é obra e mandamento do homem, e conservando o que é permanente e eterno, convergirem, unirem-se e identificarem-se em Deus e no Evangelho, para constituírem a Igreja universal – o verdadeiro Catolicismo cristão.
Vós, os que por fanatismo, por ignorância ou por orgulho, vos julgais ministros, sacerdotes e representantes de Deus, e depositários de suas verdades e poder, só porque outros homens vos têm posto suas mãos, talvez impuras e manchadas, e pronunciado, sobre a vossa cabeça, uma fórmula vã e ineficaz, vinde – vinde aqui, irmãos meus, filhos meus, vinde, pois que todos cabem na misericórdia do Pai; vinde e dizei-me: Que sois? Quem sois? Haveis penetrado, com vista imparcial e investigadora, em vossos corações, nas recônditas dobras da vossa consciência, nos segredos da vossa alma? Haveis medido a extensão dos vossos desejos? Haveis sondado vossas fraquezas e misérias, e buscando, livres de amor-próprio, o verdadeiro nível de vossas virtudes? Haveis olhado e estudado bem? Haveis, sequer, pensado em estudar-vos? Em uma palavra, conheceis-vos?
Pois, se não vos conheceis, parai aí, concentrai-vos, filhos meus, e pedi a Deus que vos abra os olhos, para que possais ver-vos com cuidado e sem orgulho, porque tendes de ser chamados a um juízo de amor, em virtude do qual se vos abre o caminho da reparação e o meio de poderdes comparecer limpos a outro juízo – ao juízo em que cada um colhe o fruto de suas obras.
Estudai-vos, repito, e dizei-me: Ao encontrar-vos frente a frente com vossos irmãos, os outros homens, a quem levianamente condenais, e com vossa consciência, que vos recorda o que sois, vos haveis, porventura, julgado superiores e dignos de ser seus mestres e os ministros daquele que a todos vê e a todos julga?
Tendes podido duvidar de que, perante Deus, ninguém é mais do que suas obras o fazem merecedor?
Vinde e dizei-me: A fé que quereis impor aos demais, prescrevendo e condenando o principal atributo das almas, tende-a vós? E os que, dentre vós, a têm, como a adquiriram?
Foi por sua iniciativa, por suas virtudes, por seus estudos e esforços, por haverem encarado a luz, ou por haverem cerrado os olhos para não vê-la?
Vinde, e dizei-me: Ao consagrar-vos ao sacerdócio, haveis consultado os interesses espirituais da Humanidade ou os vossos interesses temporais? Vós o aceitastes como um sacrifício ou como um modo de viver e prosperar?
Tendes professado a pobreza que nasce do amor, e a doçura que nasce da humildade, ou, pelo contrário, tendes sido ambiciosos e iracundos?
Vinde, e dizei-me: Tendes dado e ensinado a dar a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César, ou vos haveis prostrado aos pés de César, em desdouro da majestade de Deus, e invocado o nome de Deus para combater a César?
Nas contendas, nas guerras contra vossos irmãos, tendes corrido a contê-las e a fazê-las menos sanguinolentas com vossa missão apostólica, ou tende-as soprado e ensangüentado, abusando da influência que haveis exercido e ainda exerceis, em razão do vosso ministério?
Tendes querido, como Jesus, imperar sobre as almas pela caridade, ou dominar na Terra pela ignorância?
Vinde, e dizei-me: Depois de tantos séculos em que haveis governado as consciências, explicado a moral e dirigido as sociedades, em que estado haveis deixado as sociedades, os costumes e as consciências? Ah! o vosso procedimento não é o fruto do Evangelho.
Reconhecei-vos, filhos meus; compadecei-vos de vós mesmos, como eu me compadeço, e como amanhã se compadecerá a Humanidade. Amai-vos mais em Deus e menos na carne – ainda estais em tempo.
Tendes errado; quem não erra? Tendes cometido faltas; quem terá o direito de vos atirar a primeira pedra?
Levantai a bandeira que Jesus desfraldou – e, deixando de ser sacerdotes pelo hábito, sede-o pela caridade e pela pregação.
Não duvideis de que é Maria quem vos fala, a mulher ditosa que trouxe em seu ventre o celestial Enviado, o Fundador da religião divina, que julgais professar, mas que não professais como devíeis.

Não desprezeis esta revelação, nem a condeneis sem meditar. Estudai-a sem ódio, sem paixão, sem prevenções de escolas e sem o egoísmo do sectário – e, se depois desse proveitoso estudo, para o qual, peço-vos, invocai fervorosamente o auxílio de Deus, vos sentirdes dispostos a confessar que este documento, reflexo fiel da verdade evangélica, não pode ser obra de um gênio maléfico, de um
Espírito mentiroso, confessai-o, irmãos meus, filhos meus, e aceitai e defendei a nova revelação.
Que importa que esta revelação venha derrubar e pulverizar um colosso de dezenove séculos, se ao mesmo tempo levanta do pó da ignorância, do erro e do egoísmo, toda a Humanidade?
Não rechaceis o Espiritismo – não intenteis combatê-lo com o diabo que se evapora em vossas mãos ao calor da nova luz, e desaparece, para ocupar seu verdadeiro lugar, entre as recordações mitológicas.
Se vos obstinardes em vossos erros e se vos encastelardes em vossa orgulhosa infalibilidade, nem por isso lograreis impedir e deter, por um momento, o que está irrevogavelmente decretado. Sereis arrastados pela idéia, e sucumbireis miseravelmente, levando convosco, em vossa queda, a compaixão de uns, o desprezo de outros, o ódio de muitos, e a severa responsabilidade de vossos atos.
Maria.”