Diálogo Mediúnico – Encontro – 9

Que a paz do Cristo esteja em vossos corações nesse instante tão sagrado em que refletimos sobre os processos individuais que levam ao Cristo. Que o Mestre possa iluminar as nossas palavras para que sejamos capazes de, refletindo sobre erros e acertos de espíritos que louvamos e respeitamos, que possamos nós aprender a distinguir em nossos corações a luz das trevas, a saber verdadeiramente o que é a obediência sábia e a atividade cristã para que não sejamos nós o Judas da atualidade.

Muito obrigada pela sua presença hoje. A nossa dúvida sobre o tema é como identificar se nós estamos agindo como Judas ou inspirados pelo Cristo?
Todas as vezes, minha amiga, em que agimos buscando o destaque, buscando a vaidade, somos traidores do Evangelho, somos traidores da Boa Nova. Não há como criar grupos de exceção quando a lei de Deus nos manda amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo.

Querer elevar-se vaidosamente significa querer crescer humilhando o outro.

O ser humano encarnado ainda não quis refletir suficientemente sobre o crescimento que diminui o próximo. Se eu quero me destacar para me colocar numa situação superior a do meu irmão, consequentemente, colocando-o numa posição inferior, eu estou ferindo de maneira mortal a lei de amor ao próximo.

Quando se ama o outro não se quer ser superior a ele, minha amiga.

O pai que ama o filho não quer colocar-se como um superior, muitas vezes, até o contrário. Ele deseja para o ser que ama uma situação melhor que a sua. Portanto, querer tornar-se melhor é uma atitude anti amor, é uma atitude de negação da luz, é uma atitude de rejeição do Cristo.Observai, portanto, todas as vezes que utilizai as artimanhas sociais para justificar a vossa sede de exibicionismo, porque estais traindo o Cristo. Não interessa qual o palco que buscais para que a vossa vaidade seja exaltada, estais traindo o Cristo. Porém, se resolves utilizar os recintos sagrados dos templos cristãos para que a vossa vaidade cresça e seja aplaudida, lembrai das palavras do Mestre: melhor seria que não tivesses nascido, porque serás amaldiçoado pela própria consciência, porque ela vos gritará inclemente: traidor do Mestre, utilizastes as sagradas escrituras e os templos cristãos para apagar a luz que o Cristo envia para o teu coração e para atrapalhar a teus irmãos frágeis.

Irmãos e irmãs, não queirais o destino de Judas, porque talvez vocês não façam a menor ideia do que esse nobre espírito enfrentou em séculos e séculos de dores amargas para redimir-se. Porque por conta de aplausos tolos e infantis, porque por conta de elogios ingênuos vocês traem o Cristo. Indagai isto: o Cristo está comigo quando me torno uma verdadeira vedete nos púlpitos espíritas?
Quando a minha vaidade gera exigências para que eu colabore com a minha faculdade mediúnica? Quando exijo uma compreensão extrema que eu não dou para os meus irmãos? Quando me julgo o mais importante?
Certamente, aprendei isso: todas as vezes que você se julga o mais importante, não tenhais dúvidas, sois o mais tolo e o mais infeliz, porque a vida te cobrará em dores amargas esse prazer doentio da vaidade tola.
Irmãos, sabereis com muita facilidade se sois verdadeiros adeptos do Cristo, porque aos verdadeiros adeptos o Cristo aponta o caminho da abnegação, da incompreensão e da acusação. Se sois excessivamente tolos ao ponto de conquistar aplausos mentirosos ou ingênuos, elogios excessivos, os melhores lugares do mundo, tenhais a certeza: não estais com o Cristo, embora o Cristo deseje ardentemente estar contigo. Embora o Cristo deseje comer contigo a ceia pascoal, tu estarás, ao invés de sentir as doces suavidades do seu amor, traindo-o como fez Judas.
Irmãos, é hora do verdadeiro cristianismo e aquele que não estiver trabalhando com abnegação e renúncia não merecerá o título de cristão por parte do Mais Alto. Mas a vós digo: irmãos, todas as vezes que renunciais a iniquidade, todas as vezes que a calúnia ferir o teu coração amigo, todas as vezes que o sacrifício silencioso te for exigido, alegrai-vos, o Cristo está convosco.
Paz,
Do irmão e amigo,
Cairbar Schutel