Joana D’arc, Médium – Livro em Destaque

Trecho do Prefácio por Léon Denis

Nunca a memória de Joana d’Arc foi objeto de controvérsias tão ardentes, tão apaixonadas, como a que, desde alguns anos, se vêm levantando em torno dessa grande figura do passado. Enquanto de um lado, exaltando-­a sobremaneira, procuram monopoliza-­la e encerrar-­lhe a personalidade no paraíso católico, de outro, por ora brutal com Thalamas e Henri Bérenger, ora hábil e erudita, servida por um talento sem par, com Anatole France, esforçam-­se por lhe amesquinhar o prestígio e reduzir-­lhe a missão às proporções de um simples fato episódico.
Onde encontraremos a verdade sobre o papel de Joana d’Arc na história? A nosso ver, nem nos devaneios místicos dos crentes, nem tampouco nos argumentos terra­a­terra dos críticos positivistas. Nem estes, nem aqueles parecem possuir o fio condutor, capaz de guiar­nos por entre os fatos que compõem a trama de tão extraordinária existência. Para penetrar o mistério de Joana d’Arc, afigura­se­nos preciso estudar, praticar longamente as ciências psíquicas, haver sondado as profundezas do mundo invisível, oceano de vida que nos envolve, onde emergimos todos ao nascer e onde mergulharemos pela morte.
Como poderiam compreender Joana escritores cujo pensamento jamais se elevou acima do âmbito das contingências terrenas, do horizonte estreito do mundo inferior e material, e que jamais consideraram as perspectivas do Além?
De há cinquenta anos, um conjunto de fatos, de manifestações, de descobertas, projeta luz nova sobre os amplos aspectos da vida, pressentidos desde todos os tempos, mas sobre os quais só tínhamos até aqui dados vagos e incertos. Graças a uma observação atenta, a uma experimentação metódica dos fenômenos psíquicos, vasta e poderosa ciência pouco a pouco se constitui.