Texto principal – Encontro 9

Porque Judas traiu o Cristo? É uma pergunta que devemos nos fazer e não simplesmente achar que nada temos com esse episódio. Judas conhecia Jesus. Judas sabia da grandeza do Mestre. Judas trocou o Mestre pela ilusão das riquezas, da vaidade. Como agiu o Mestre? Confiando plenamente em Deus.
Sabia realmente, Jesus, que seria traído? Vejamos o relato de Mateus,


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A ÚLTIMA CEIA PASCAL
Mateus 26:20-29
(Mc 14: 17-25; Lc 22: 14-23; Jo 13: 21-30)

26: 20 Chegado o fim da tarde, reclinou-se {à mesa} com os doze. 26: 21 E, enquanto eles comiam, disse: Amém vos digo que um de vós me entregará. 26: 22 Entristecendo-se muito, começaram a dizer-lhe, cada um deles: Porventura sou eu, Senhor? 26: 23 Em resposta, disse: O que mergulhou a mão na tigela comigo, esse me entregará. 26: 24 O filho do homem vai {ser entregue}, conforme está escrito a seu respeito. Ai, porém, daquele pJudas, a traição do Cristo.

*

Humberto de Campos relata os bastidores das angústias de Judas no período próxima de sua traição. A sede de mando e de poder, a sede de riqueza o enlouqueceu. Vamos ler um trecho esclarecedor, capítulo 24, do livro Boa Nova.
Sem embargo das carinhosas exortações de Tiago, Judas Iscariotes passou a noite tomado de angustiosas inquietações.
Não seria melhor apressar o triunfo mundano do Cristianismo? Israel não esperava um Messias que enfeixasse nas mãos todos os poderes?
Valendo-se da doutrina do Mestre, poderia tomar para si as rédeas do movimento renovador, enquanto Jesus, na sua bondade e simpleza, ficaria entre todos, como um símbolo vivo da idéia nova.
Recordando suas primeiras conversações com as autoridades do Sinédrio, meditava na execução de seus sombrios desígnios.
A madrugada o encontrou decidido, na embriaguez de seus sonhos ilusórios. Entregaria o Mestre aos homens do poder, em troca de sua nomeação oficial para dirigir a atividade dos companheiros.Teria autoridade e privilégios políticos. Satisfaria às suas ambições, aparentemente justas, com o fim de organizar a vitória cristã no seio de seu povo. Depois de atingir o alto cargo com que contava, libertaria Jesus e lhe dirigiria os dons espirituais, de modo a utilizá-los para a conversão de seus amigos e protetores prestigiosos.
O Mestre, a seu ver, era demasiadamente humilde e generoso para vencer sozinho, por entre a maldade e a violência.
Ao desabrochar a alvorada, o discípulo imprevidente demandou o centro da cidade e, após horas, era recebido pelo Sinédrio, onde lhe foram hipotecadas as mais relevantes promessas.
Apesar de satisfeito com a sua mesquinha gratificação e desvairado no seu espírito ambicioso, Judas amava o Messias e esperava ansiosamente o instante do triunfo para lhe dar a alegria da vitória cristã, através das manobras políticas do mundo.
O prêmio da vaidade, porém, esperava a sua desmedida ambição. Humilhado e escarnecido, seu Mestre bem-amado foi conduzido à cruz da ignomínia, sob Vilipêndios e flagelações.
Daqueles lábios, que haviam ensinado a verdade e o bem, a simplicidade e o amor, não chegou a escapar-se uma queixa. Martirizado na sua estrada de angústias, o Messias só teve o máximo de perdão para seus algozes.
Observando os acontecimentos, que lhe contrariavam as mais íntimas suposições Judas Iscariotes se dirigiu a Caifás, reclamando o cumprimento de suas promessas Os sacerdotes, porém, ouvindo-lhe as palavras tardias, sorriram com sarcasmo. Debalde recorreu às suas prestigiosas relações de amizade: teve de reconhecer a falibilidade das promessas humanas Atormentado e aflito, buscou os companheiros de fé. Encontrou-os vencidos e humilhado. pareceu-lhe, Porém, descobrir em cada olhar a mesma exprobração silenciosa e dolorida.
Já se havia escoado a hora sexta, em que o Mestre expirara na cruz, implorando perdão para seus verdugos.
De longe, Judas contemplou todas as cenas angustiosas e humilhantes do Calvário. Atroz remorso lhe pungia a Consciência dilacerada.
Lágrimas ardentes lhe rolavam dos Olhos tristes e amortecidos. Malgrado à vaidade que o perdera, ele amava intensamente o Messias.
Em breves instantes, o céu da cidade impiedosa se cobriu de nuvens escuras e borrascosas O mau discípulo, com um oceano de dor na Consciência peregrinou em derredor do casario maldito, acalentando o propósito de desertar do mundo, numa Suprema traição aos compromissos mais sagrados de sua vida.
Antes, porém, de executar seus planos tenebrosos, junto à figueira sinistra, ouvia a voz amargurada do seu tremendo remorso.
Relâmpagos terríveis rasgavam o firmamento; trovões violentos pareciam lançar sobre a terra criminosa a maldição do céu vilipendiado e esquecido.
Mas, sobre todas as vozes confusas da Natureza, o discípulo infeliz escutava a voz do Mestre, consoladora e inesquecível, penetrando-lhe os refolhos mais íntimos da alma:
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai, senão por mim!…
Não é essa a nossa história espiritual-emocional? Segundo Judas, agora espírito redimindo, Jesus continua sendo vendido por todos os preços e em varias circunstâncias.
Como Jesus explica a vida de Judas? Judas é a semente sufocada pelos espinhos da ambição conforme a Parábola do Semeador.

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PARÁBOLA DO SEMEADOR
Versículo 13:3 a 13:9

Eis que o semeador saiu a semear e, ao semear, {uma parte} caiu à beira do caminho, e vieram as aves e as comeram. Outra {parte} caiu sobre {solo} pedregoso, onde não havia muita terra, e brotou imediatamente, por não haver profundidade de terra. Raiando o sol, foi crestada5 e, por não ter raiz, ressecou-se. Outra {parte} caiu sobre espinheiros; os espinheiros subiram e as sufocaram. Outra {parte} caiu sobre terra boa e dava fruto: uma cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!

EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA DO SEMEADOR
13:10-23

Aproximando-se, os discípulos lhe disseram: Por que lhes falas em parábolas? Em resposta, lhes disse: Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas àqueles não foi dado {conhecer}. Pois àquele que tem lhe será dado, e terá com abundância; mas àquele que não tem até o que tem será tirado dele. Por isso, lhes falo em parábolas, porque vendo não veem, e ouvindo não ouvem nem compreendem. Neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvireis com os ouvidos4, e não compreendereis; vendo, vereis e não enxergareis, pois o coração deste povo se tornou cevado5, com ouvidos pesadamente ouviram, seus olhos se fecharam; para que não vejam com os olhos, não ouçam com os ouvidos, não compreendam com o coração e se voltem para eu os curar. Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois amém vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram; ouvir o que ouvis, e não ouviram. Vós, portanto, ouvi a parábola do que semeou. Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o malvado8 e se apodera9 do que foi semeado no seu coração; esse é o semeado à beira do caminho. O semeado sobre {solo} pedregoso é o que ouve a palavra, recebendo-a imediatamente com alegria, porém não tem raiz em si mesmo, mas é transitório; ocorrendo provação10 ou perseguição por causa da palavra, imediatamente se escandalizam. O semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas a ansiedade da era e o engano da riqueza sufoca{m} a palavra, e torna-se infrutífera.O semeado sobre boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; o qual frutifica e produz, um cem, outro sessenta, outro trinta.

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Judas Redimido

 

Após séculos de cruéis provações, Judas amadurece emocionalmente, permite que o Cristo – e não o amor as riquezas – aqueça seu coração. Judas, que em sua última encarnação foi Jona d’arc,torna-se o mártir da mediunidade. O guia da mediunidade de missão na Terra. Essa informação está no Livro dos Médiuns, capítulo XII.
Deus me encarregou de desempenhar uma missão junto dos crentes a quem ele favorece com o mediunato. Quanto mais graça recebem eles do Altíssimo, mais perigos correm e tanto maiores são esses perigos, quando se originam dos favores mesmos que Deus lhes concede.
As faculdades de que gozam os médiuns lhes granjeiam os elogios dos homens. As felicitações, as adulações, eis, para eles, o escolho. Rápido esquecem a anterior incapacidade que lhes devia estar sempre presente à lembrança. Fazem mais: o que só devem a Deus atribuem-no a seus próprios méritos. Que acontece então? Os bons Espíritos os abandonam, eles se tornam joguete dos maus e ficam sem bússola para se guiarem. Quanto mais capazes se tornam, mais impelidos são a se atribuírem um mérito que lhes não pertence, até que Deus os puna, afinal, retirando-lhes uma faculdade que, desde então, somente fatal lhes pode ser.
Nunca me cansarei de recomendar-vos que vos confieis ao vosso anjo guardião, para que vos ajude a estar sempre em guarda contra o vosso mais cruel inimigo, que é o orgulho. Lembrai-vos bem, vós que tendes a ventura de ser intérpretes dos Espíritos para os homens, de que severamente punidos sereis, porque mais favorecidos fostes.
Espero que esta comunicação produza frutos e desejo que ela possa ajudar os médiuns a se terem em guarda contra o escolho que os faria naufragar. Esse escolho, já o disse, é o orgulho.
 Joana d‘Arc.
Léon Denis, continuador de Kardec, tem uma avaliação semelhante sobre Joana d’Arc.Eis um trecho de seu livro Joana d’arc, médium.
Em resumo: inutilmente torturariam os textos e os fatos, para demonstrarem que Joana foi, em todos os pontos, de uma ortodoxia perfeita. Sua independência, em matéria de religião, irrompe a cada minuto das palavras que profere: “Reporto­-me a Deus somente.” Sua linguagem, sua intrepidez nos sofrimentos e em presença da morte não lembram nossos antepassados gauleses? À barra do tribunal de Ruão, a virgem Lorena se nos afigura o gênio da Gália soberbamente ereto diante do gênio de Roma, a reivindicar os direitos sagrados da consciência. Joana não admite árbitro entre si e o Céu. A dialética que lhe opõem, as sutilezas da argumentação, todas as forças da eloqüência vêm quebrar­-se de encontro à vontade firme que a impulsiona, à segurança calma que a escuda, à confiança inabalável que lhe inspiram Deus e seus mensageiros. Sua palavra vence todos os sofismas, que se pulverizam ao choque das inflexões de suas respostas. É uma aurora que luz nas trevas da Idade Média, iluminando­-as com uma branda claridade.

(…)

Essa donzela do décimo quinto século, que conversou pessoalmente com suas vozes e leu tão claramente no mundo invisível, é a imagem da Humanidade próxima, que, também, conversará com o mundo dos Espíritos, sem a intercessão dos sacerdócios oficiais, sem o auxílio de ritos, cujo sentido a Igreja perdeu e cujas virtudes deixou se obliterassem. Soou a hora em que, novamente, a grande alma de Joana paira sobre o mundo, em comunhão com o invisível, e funda o reinado das adorações em espírito e em verdade.E como, segundo a lei, tudo o que é santo e grande deve germinar no sofrimento e ter por sagração a dor, manda a justiça que os novos tempos e a era do Espírito puro se inaugurem sob o patrocínio daquela que foi a vítima da Teologia e a mártir da mediunidade.
Fica a questão, Judas, por seu amor as riquezas e a vaidade traiu Jesus. Sofre e se redimiu. E você?