Diálogo Mediúnico – Módulo – Cristo – 2018 – Encontro – 1 – Iniciação pelo Sentimento – Pedro

Diálogo Mediúnico

Paz e alegria em vossos corações. Que o Cristo possa, nesse instante, nos envolver a todos. Nós, discípulos imperfeitos e infiéis que ainda tantas vezes recuamos diante das tarefas a serem realizadas, possa o Mestre, apiedando-se de nossa fraqueza e de nossa pequenez, nos inspirar, nos ensinar a trilhar o caminho da verdadeira abnegação, da doação plena e incondicional, da doação psíquica, emocional e social à sua obra, porque apenas, quando assumirmos o compromisso inadiável de sermos reais discípulos de Jesus de Nazaré encontraremos a verdadeira paz e a verdadeira sabedoria que o nosso coração tanto anseia e que estamos, infelizmente, adiando em séculos incontáveis, mas que devemos, inapelavelmente, neste século, tomarmos a decisão que marcará o nosso destino espiritual agora e no futuro. Podemos iniciar.

Muito obrigada hoje pela sua presença nesse encontro, amigo Cairbar. Como primeira pergunta, poderia Pedro ter pedido uma orientação direta de Jesus sobre o que fazer no momento em que Saulo chegou à porta?
Essa é a grande dúvida dos cristãos atuais, porque ainda não compreenderam que as respostas estão todas no Evangelho. Tendo o apóstolo atingido um grau de maturidade espiritual não necessitava indagar ao Mestre sobre questões operacionais.

Esse é o desafio de todos os dirigentes espíritas do século XXI. Não apenas utilizar-se do Evangelho como conteúdo de pregação, não apenas citar o Evangelho quando estão em atividades de desobsessão. Esse é o desafio: aplicar o Evangelho em suas decisões cotidianas e diárias. Isso entendeu Pedro, por isso sequer cogita em uma orientação direta, porque o Mestre já o havia advertido: é necessário que você coma da minha carne e beba do meu sangue.
Tendo passado por essa lição, sabia o apóstolo sincero que o Evangelho teria que estar em cada ato de sua vida e, portanto, tornava-se inexequível a prática de uma consulta direta ao Mestre para cada ação, porque ele aprendeu que, ao responder a indagação de cada enfermo que o buscava pedindo orientação, enfermo do corpo e da alma, ele, antes, teria de se indagar: que símbolo do Evangelho responde a essa questão? E assim traduzir numa linguagem que o necessitado que estava a sua frente pudesse entender. Porque também assim agia com ele mesmo ao lidar com seus impulsos considerava-se um necessitado e indagava: que símbolo do Evangelho orienta-me nessa questão?
Portanto, minha amiga, não se trata do verdadeiro cristão em sempre buscar sempre orientações diretas, mas, principalmente, em se perguntar: como aplico o Evangelho nesse caso? Mas para isso Pedro necessitou preparar-se. Por isso, Pedro, antes de deitar-se à cada noite relembrava a si mesmo tudo que sabia do Evangelho, tudo que o Mestre o havia ensinado e, por isso, tornava-se apto a buscar no próprio coração a lição adequada.
Mas quando não temos indivíduos que possuem uma cultura do Evangelho suficiente e viva dentro de si, como poderemos inspirá-los? O caminho do crescimento espiritual é um caminho de autonomia. Primeiro, a orientação direta, depois, a orientação intuitiva, depois, a iluminação, minha amiga.
É necessário saber em que passo estais, e muitos espíritas estão no passo da acomodação. Querem que os espíritos respondam tudo e não investem na sua cultura evangélica. É errado.
É necessário ter uma compreensão profunda do Evangelho para que os amigos espirituais possam intuir a aplicação necessária. Assim fez o Mestre com Pedro, o ajudou intuitivamente para que ele, que possuía os símbolos do Evangelho vivos em seu ser, pudesse interpretar da maneira justa.
Assim farão os verdadeiros dirigentes cristãos do século XXI. Terão intimidade com toda a simbologia evangélica para que seus guias, em nome de Jesus, possam inspirá-los. Esse é um lobo que precisa ser cuidado, esse irmão é um galho que pertence a plantação da vinha do Senhor, cuidado, isso é um fermento de fariseus. Mas se os indivíduos não amam o Mestre a ponto de manter em seus corações a viva lembrança de seus ensinos, como irão os espíritos superiores orientá-lo no mar bravio da vida? É necessário para aqueles que amam o Senhor terem clareza de seus símbolos em suas mentes e em seus corações para que não se percam nas confusões do mundo, minha amiga.

E assim teremos o Pentecostes do movimento espírita, porque teremos no futuro milhares de indivíduos que ao longo dos anos se prepararam, convivendo diariamente com o Evangelho do Cristo, compreendendo-o em profundidade e aí nós, em nome do Cristo, os alçaremos a um patamar superior de compreensão, porque eles fizeram por merecer, como o fez o grande apóstolo de Jesus.

Então, diante da necessidade do espírita se aproximar dos símbolos do Evangelho, como fazer isso? Como sentir o Evangelho?
Não só dos espíritas, minha amiga, como afirmei, de todos que amam o Senhor, todos.
É preciso conhecer, é preciso amar, é preciso sentir, é preciso ler em voz alta as palavras do Mestre num clima psíquico de devoção.
Não se pode estudar as palavras do Senhor como quem se desincumbe de atividade formalista. É preciso ter grupos que leiam, que criem ambiente psíquico de atuação de espíritos superiores. E é preciso identificar-se com os símbolos do Evangelho, é preciso alimentar-se do Evangelho, é preciso comer a carne e beber o sangue do Senhor. E isso significa, minha amiga, ler implicando-se, envolvendo-se na história: e se fosse eu no barco, que faria? E se fosse a mulher adúltera, como reagiria? E se fosse eu o indivíduo que na crucificação negou o Mestre como eu sentiria? Somente assim esses símbolos serão vida e podereis conectar-se com os espíritos do Senhor. Não há outro caminho.

Certo. Como nós podemos vencer as nossas tendências em ignorar as nossas faltas e, assim como Pedro, crescermos espiritualmente?
Colocar-se como uma ovelha necessitada do rebanho do Senhor. Os espíritas iludem-se, atribuindo-se uma estatura espiritual que não possuem e não colaboram com o Mestre.
Apenas aqueles que reconhecem, como o fez Pedro, as suas necessidades espirituais, que as assumem continuadamente, e eis aqui a minha sugestão prática: aceitar os defeitos. Não com falsa humildade e auto degradação, não com arrogância alucinada. Eu possuo esse defeito, mas o Senhor há de me ajudar, e sustentar essa consciência ao longo dos anos. Possuo esse defeito, mas o Cristo não me expulsa de seu rebanho por eu carregar esse defeito, ao contrário, ele me enviará o remédio necessário em forma de pessoas e circunstâncias. Porque aquele que assim faz recebe o remédio e, pouco a pouco, supera os obstáculos internos para que o Cristo viva em mais plenitude em seus corações.
Orar. Orar e em oração assumir ao Cristo todos os defeitos: Mestre, sou um pecador, tenho tais distúrbios, tenho tais impulsos, ajuda-me. Diariamente. Porque assim você fará do Cristo o que o Pedro fez: um amigo, que está disposto a ouvir todos os seus problemas, capaz de acolher toda a sua fraqueza e capaz de vos amar apesar de tudo e talvez por todos os defeitos estender mão compassiva. Nunca se esquecer: quando Pedro afunda o Mestre o reergue. Ficai com essa imagem.

Quando estiverdes afundando, no mar revolto e podre das paixões inferiores, lembrai-vos dessa cena, colocai-vos no lugar de Pedro e suplicai: Senhor, salva-me! E, independente do mar de lodo em que estejais afundando, o Mestre irá pairar acima dele, estendendo mão generosa e irá vos reerguer.
Não vos esqueçais disso, orai com humildade: Senhor, salvai-me! E Ele vos tirará quantas vezes forem necessárias do mar infeliz das paixões inferiores e vos colocará sãos e salvos no barco que fará a travessia para um mundo melhor.
Muita paz, do vosso irmão e amigo,
Cairbar de Sousa Schutel.