Texto principal – Encontro – 7

Vamos estudar um diálogo que mudou minha percepção sobre a cura do vício em geral e, em particular, do vício sexual. Minha primeira descoberta é que apenas a iniciação espiritual, quer dizer, a espiritualização pode, de fato, nos dá uma verdadeira cura. Segunda descoberta é que essa iniciação foi vivida por Madalena em diálogo com Jesus, segundo narra Humberto de Campos.
Jesus, como está dito no livro Memórias de um Suicida (temos uma série de programas sobre esse livro, link, imagem), é o maior iniciado do planeta e o verdadeiro fundador da Doutrina Secreta no mundo. Por isso, o diálogo que estudaremos nos revela de forma direta a sabedoria do Mestre atuando em função de uma cura de vício sexual.
A leitura do texto na íntegra é essencial. Aqui destacamos alguns trechos para nossa conversa.
Vamos dividir o diálogo de Maria Madalena com Jesus em sete etapas. São etapas que todos precisamos viver no processo de nossa cura espiritual. Inicio a apresentação de cada etapa com uma frase do diálogo entre Madalena e Jesus retirado do texto do livro Boa Nova.

Primeira etapa

– Senhor, ouvi a vossa palavra consoladora e venho ao vosso encontro!… Tendes a clarividência do céu e podeis adivinhar como tenho vivido!(Madalena)
Tornar consciente os próprios vícios, aceitar as deficiências morais, não negar as fraquezas é uma atitude de imensa coragem! Não há recuperação emocional com negação. O vício alimenta-se da mentira, da falsidade consigo mesmo. Alimenta-se das tão conhecidas desculpas íntimas e das mentiras sociais elegantes. Madalena não improvisa uma mentira, não usa meias palavras. É honesta.
Precisamos ser honestos conosco e com o Cristo. Precisamos ter a coragem de dialogar com esse amigo de coração aberto. É preciso entrar em detalhes sobre nossas dores quando dialogamos com o Mestre em nossos momentos de prece e de meditação. Ele sabe como vivemos, mas nós precisamos conversar com ele para que ele nos cure. Essa etapa chama-se honestidade.

Segunda etapa

Sou uma filha do pecado. Todos me condenam. Entretanto, Mestre, observai como tenho sede do verdadeiro amor!… Minha existência, como todos os prazeres, tem sido estéril e amargurada…(Madalena).

Falar com honestidade é também não fantasiar. Como é comum, a todos que tem o vício ou que desejam ter, fantasiar… Tudo é alegria, tudo é satisfação… Essa é uma mentira muito destrutiva. O vício sexual está certamente vinculado ao prazer, mas, está muito mais vinculado a angústia, a dor emocional, ao desespero e, isso é muito triste, ao desprezo por si mesmo.
A mídia, que explora repetidamente uma sexualidade adoecida, raramente mostra a face verdadeira da viciação sexual. Ela nada tem de bela e prazerosa. É angústia, dor e desespero. Portanto, olhar, de fato, o que se sente é regra indispensável. Ter a consciência clara da amargura que traz o vício sexual é um ato de coragem espiritual.Saber a sua dor específica é necessário para sua cura. Essa etapa chama-se minha dor real.

Terceira etapa

Ouvi o vosso amoroso convite ao Evangelho! Desejava ser das vossas ovelhas… (Madalena)

Reconhecer e valorizar o desejo de espiritualizar-se. A ilusão do vício sexual é o do amor. Da fusão sublime com os outros seres e com Deus. Adoecemos a nossa sexualidade por buscarmos de forma errada satisfazer o ardente e nobre desejo de integração com o Pai. É necessário entender que nosso desejo original é belo e sublime e não devemos abrir mão dele. É o que faz Madalena após reconhecer seus vícios e o vazio de sua vida. Redobrar os esforços em busca da satisfação sublime! Esse etapa chama-se minhas reais necessidades.

Quarta etapa

…mas, será que Deus me aceitaria?(Madalena)

Essa é a mais dolorosa questão que um espírito pode carregar. Tão dolorosa que a maioria sequer tem coragem torna-la consciente. Por não enfrentar essa questão, muitas vezes, nos prostituímos socialmente por temer não ser amado por Deus. Aceitamos experiências inaceitáveis por achar que merecemos, por não vermos o óbvio: Deus nos ama.
Esse pergunta de Madalena representa o clamor de milhões de almas, a pergunta que tumultua milhões de seres através dos séculos, apesar de meus horríveis erros, Deus me aceitaria? Deus me ama? Quem nunca sentiu essa dor angustiante? Reconhecer essa dor profunda, dar-se conta desse medo avassalador e expressá-lo é o que aprendi com Madalena. Não é fácil, é libertador. Essa etapa, meu maior medo.

Quinta etapa

Maria, levanta os olhos para o céu e regozija-te no caminho, porque escutaste a Boa Nova do Reino e Deus te abençoa as alegrias! (Jesus)

Deus te abençoa as alegrias. Que resposta estonteante! Jesus ante um espírito com a sexualidade adoecida e pervertida, diz:Deus te abençoa as alegrias!Que alegria? Que benção?É que Maria passou pelo portal da iniciação! Veja, ela reconheceu sua situação sem mentiras; deu-se conta de seu vazio existencial; alimentou o sincero desejo de seguir o Cristo; expressou seu maior medo. Quem assim age está apto a caminhar para Deus.
Não fala o Mestre de promessas fácies e mentirosas, fala – você está pronta para caminhar, porque escutou a minha voz! Isso é motivo de imensa alegria. Jesus não é um senhor de engenho que exige, exige e exige sempre… Comemora o Mestre cada pequena e grande conquista espiritual, mesmo que ainda estejamos longe da vitória completa. Madalena está pronta para receber os ensinos dos mistérios iniciáticos. Isso é motivo de alegria. Chamo, essa etapa, alegria de iniciar.

Sexta etapa

Somente o sacrifício contém o divino mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se. Toda luz humana vem do coração experiente e brando dos que foram sacrificados. (Jesus)

Após essa revelação, presente em todos os elevados grupos iniciáticos do planeta, Madalena está apta a realizar sua trajetória espiritual. Antes de compreender essa revelação, Madalena era tola: pensava que a vida era prazer e conquista social. Preocupava-se com o conforto, com as festas, com as satisfações da vaidade. Tola ao ponto de dedicar-se a construção de uma vida confortável e prazerosa à custa de sua integridade espiritual. Agora, não mais.
Está diante de nós, uma iniciada. Alguém que compreende o sentido da vida e a função da dor.
O continuador de Allan Kardec nos ensina algo parecido.

O gênio não é somente o resultado de trabalhos seculares; é, também, a apoteose, a coroação do sofrimento. De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton, e, além deles, todos os grandes homens têm sofrido. A dor fez com que suas almas vibrassem; inspirou-lhes a nobreza de sentimento, a intensidade de emoção, que eles souberam traduzir com os acentos geniais e que os imortalizaram. A alma jamais canta melhor do que na dor. Quando esta toca as profundezas do ser, faz com que daí brotem esses gritos eloquentes, esses chamamentos poderosos que comovem e arrastam multidões.
Este é o caso de todos os heróis, de todos os grandes caracteres, dos corações generosos, dos espíritos mais eminentes.
Sua elevação se mede pela soma de sofrimentos experimentados. Diante da dor e da morte, a alma do herói, do mártir, se revela em sua beleza tocante, em sua grandeza trágica, que, por vezes, atinge os limites do sublime, aureolando-o com uma luz inextinguível.
Suprimi a dor e suprimireis, com o mesmo gesto, o que é mais digno de admiração neste mundo, isto é, a coragem de suportá-la. O mais nobre ensinamento que se possa propor aos homens não é a lembrança daqueles que sofreram e morreram pela verdade e pela justiça? Existe coisa mais augusta e venerável que seus túmulos? Nada iguala a potência moral que deles se desprende. As almas que deram tais exemplos se engrandecem a nossos olhos, com o passar dos séculos, e parecem, de longe, mais imponentes ainda. Elas são como fontes de força e de beleza, onde as gerações vão se retemperar.
Através do tempo e do espaço, o brilho delas, como a luz dosastros, ainda se espalha sobre a Terra. Sua morte originou a vida e sua lembrança, como um aroma suave, vai lançar, por toda a parte, a semente dos entusiasmos futuros.
Estas almas ensinaram-nos que é pelo devotamento, pelos sofrimentos dignamente suportados, que galgamos os caminhos do céu. E a história do mundo não é outra coisa senão a sagração do espírito pela dor. Sem ela, não pode haver virtude completa nem glória imperecível.
É preciso sofrer para adquirir e conquistar. Os atos de sacrifício desenvolvem as radiações psíquicas. Há uma espécie de rastro luminoso deixado, no Espaço, pelos espíritos dos heróis e dos mártires.
Aqueles que não sofreram mal podem compreender estas coisas, pois, neles, só a superfície do ser é trabalhada, valorizada.
Seus sentimentos não têm amplitude; seu coração não tem efusão; seu pensamento só atinge acanhados horizontes.
São necessários os infortúnios, as angústias, para dar à alma sua suavidade, sua beleza moral, para despertar seus sentidos adormecidos. A vida dolorosa é um alambique em que se destilam os seres para mundos melhores. Tanto a forma quanto o coração, tudo se embeleza, por ter sofrido. Mesmo nesta vida, há algo de grave e de terno, nos rostos muitas vezes banhados pelas lágrimas. Eles ganham uma expressão de beleza austera, uma espécie de majestade que impressiona e seduz.
Leon Denis. O Problema do Ser, do Destino e da Dor

Vício é fuga da dor que gera as piores dores, dores que rebaixam. Enfrentar a dor, aceitando-a com coragem e dignidade é libertar-se. Não se trata, como pensam os espíritos imaturos, de procurar a dor, de flagelar-se. Trata-se de enfrentar a dor inevitável que mora, muitas vezes, em nosso coração. Essa etapa chamo, revelação iniciática. Agora, Madalena sabe o caminho da Vida.

Sétima etapa

– Desgraçada de mim, Senhor, que não poderei ser mãe!…

Então, atraindo-a brandamente a si, o Mestre acrescentou:
– E qual das mães será maior aos olhos de Deus? A que se devotou somente aos filhos de sua carne, ou a que se consagrou, pelo espírito, aos filhos das outras mães?

Todos nós temos uma dor central. Uma dor que nos prende a inferioridade do mundo, que nos faz vacilar entre Deus e a mentira. Que dor é essa? É uma dor pessoal. Uma dor ligada aos milênios de nosso passado. O erro mais triste, a falta mais infeliz. É o espinho que fere a nossa alma, que sangra o nosso coração. Quando nos decidimos aos grandes voos do espírito, essa dor aparece e, muitas vezes, recuamos.
Como enfrentá-la? Primeiro, entender com o coração tudo o que foi ensinada nas etapas anteriores. Sentir a verdade de tudo o que ensinado pelo Grande Iniciador do mundo, Jesus.
Após essa preparação sincera e que exige devoção, iniciar o processo de auto descoberta com a ajuda do Cristo. O que mais dói em você? O que mais incomoda? O que parece mais difícil? Madalena tinha um conflito de amor e um dificuldade com maternidade. Conflito que foi ao ponto de ela não poder mais ser mãe… Aqui, nessa exato momento, precisamos do Cristo para avançar.
Precisamos entender como transformar um conflito pessoal, íntimo em força de crescimento espiritual. Nosso Mestre ensina a Madalena, seja mãe! Não mãe filhos biológicos, seja mãe dos deserdados, dos excluídos, dos viciados e dos leprosos. É isso que este espírito até hoje faz. Quer superar teu vício, crescer verdadeiramente? Prepara-te, porque este última passa apenas se dá entre Mestre e discípulo. Apela a Madalena ou ao Mestre. Essa etapa é seríssima, é uma experiência íntima e reestruturadora, chama-se Iniciação Cristã. Quem a viveu ou vive, serve eternamente a um dos grupos de deserdados do mundo.
Madalena seguiu as orientações do Mestre? Não foi por acaso que Jesus escolheu Madalena para sua primeira aparição após a crucificação. Ele o símbolo da Ressureição e da Vida. Ela, sua seguidora, o símbolo da nossa regeneração emocional.


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