Encontro 2 – Iniciação pelo Sentimento, hoje

Resumo

Estudamos o exemplo de de Yvonne do Amaral Pereira,  como ela lidou com a dor e foi capaz de se dedicar aos outros. De como, ela tornou sua vida um exemplo para todos os que desejam redimir-se e aproximar-se do Cristo.


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Recordações da Mediunidade é uma autobiografia inspirada em que Yvonne Pereira conta sua vida e suas experiências mediúnicas.


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Encontro 2: A iniciação pelo sentimento, hoje

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Muito cedo, aos 4 anos, Yvonne inicia sua relação com os espíritos, que foram, ao longo de sua vida, verdadeiros amigos. As dificuldades financeiras, as imensas barreiras emocionais em relação a família, devido a erros do passado, as recordações de sua suicídio aos sete anos estão entre suas provas iniciais.

Tendo sido uma inteligente e bela mulher que em muitas encarnações conquistou e enganou os homens, optou, na última existência, em permanecer durante toda a vida solteira. Desde a adolescência exercitou sua capacidade de auto-perdão, pois muito lhe pesava os erros e traições do passado. Foi pobre, honesta e sempre fiel a seus guias espirituais e ao Espiritismo.

 

Yvonne do Amaral Pereira é um exemplo de como uma existência de duros testemunhos pode nos conduzir a uma situação superior. 

Narrarás o que a ti mesma sucedeu, como médium, desde o teu nascimento. Nada mais será necessário. Serás assistida pelos superiores do Além durante o decorrer das exposições, que por eles serão selecionadas das tuas recordações pessoais, e escreverás sob o influxo da inspiração. 

Que interessante! Uma autobiografia inspirada! A capacidade criativa dos espíritos superiores sempre me empolga. Ainda no prefácio, lemos,

Podemos mesmo dizer que nossa vida foi fértil em dores, lágrimas e provações desde o berço. Tal como hoje nos avaliamos, consideramo-nos testemunho vivo do valor do Espiritismo na recuperação de uma alma para si mesma e para Deus, porque sentimos que absolutamente não teríamos vencido, nas lutas e nos testemunhos que a vida exigia das nossas forças, se desde o berço não fôramos acalentada pela proteção vigorosa da Revelação Celeste denominada Espiritismo.

 

As dores morais, ininterruptamente renovadas, sem jamais permitirem um único dia de verdadeira alegria, e o longo exercício de uma mediunidade positiva, que se desdobrou em todos os setores da prática espírita, esgotaram aquelas forças, que, realmente, tendem a diminuir e a se extinguirem em todos os médiuns, após certo tempo de labor. Se assim for, consoante fomos advertida pelos nossos maiores espirituais e nós mesma o sentimos, estaremos tranquila, certa de que nosso dever nos campos espíritas foi cumprido, embora por entre espinhos e lutas, e, encerrando nossa tarefa mediúnica literária na presente jornada… 

Yvonne Pereira, que começa a psicografar desde os oitos anos de idade e aos 13 inicia sua tarefa nas reuniões mediúnicas de amparo aos suicidas, utilizou-se da psicografia para obras de excepcional qualidade literária e doutrinária, bem como para o recebimento de mensagens consoladoras a todos que buscavam o amparo dos bons espíritos por meio de sua mediunidade, tanto do Brasil como do exterior. Comumente psicografava em casa, durante a noite, momento em que o silêncio favorecia a expansão de suas faculdades mediúnicas.

É interessante notar seu particular interesse pelos suicidas e pelos obsessores. Sempre mantinha um caderno com notícias e fotos de suicidas para que pudesse orar por eles; sempre orava pelos obsessores, inclusive, cultivando um jardim em homenagem a estes espíritos que, como ela dizia, eram os que mais sofriam.

O desencarne de Yvonne Pereia foi belo, grandioso e discreto como sua vida. Dia oito de março, Yvonne liga para Federação Espírita e pede que a secretária avise que não precisará que ninguém venha pegá-la no dia seguinte, sábado, para um compromisso que estava marcado. A secretária pergunta.

– Mas, a senhora está bem? Yvonne tinha 83 anos de idade…

– Sim, estou bem, é que vou fazer uma viagem… Comenta a médium.

– Mas, a senhora vai precisar de alguma coisa? Indaga prestativa a secretária.

– Não precisarei minha filha, Bezerra de Menezes diz que vem me pegar e tudo ocorrerá bem.

– Avisarei dona Yvonne, não se preocupe. Conclui a educada secretária.

Dia 09 de março de 1984, Yvonne do Amaral Pereira desencarna.

 

Algumas obra da psicografia de Yvonne Pereira

 

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Que medites sobre estas páginas, leitor, ainda que duro se torne para o teu orgulho pessoal o aceitá-las! 

E se as lágrimas alguma vez rociarem tuas pálpebras, à passagem de um lance mais dramático, não recalcitres contra o impulso generoso de exaltar teu coração em prece piedosa, por aqueles que se estorcem nas trágicas convulsões da inconseqüência de infrações às leis de Deus! 

Prefácio de  Léon Denis 


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Narrar-te-ei a triste história de um coração que ainda hoje não conseguiu perdoar e esquecer integralmente a dor de uma ofensa grave… 

Ofereço-a àqueles que sofrem, aos que amam sem serem amados, aos que tardam em compreender que o segredo a felicidade de cada um encontra-se na capacidade que possua cada coração para as virtudes do amor a Deus e ao próximo…

Charles


 

Diálogo mediúnico

 

Que a paz do Cristo possa iluminar os nossos corações, nos fazendo credores da misericórdia imensa que nesse instante desce sobre nós, porque é com muita alegria que nós inauguramos, de uma maneira mais direta, o nosso diálogo fraterno nesse modulo que é tão caro aos nossos corações, porque é a oportunidade que nós, espíritos pequenos na Terra, temos de agradecer, minimamente, o imenso amor e o carinho o que Jesus de Nazaré tem devotado a cada um de nós, seus aprendizes-tutelados, ainda nas esferas inferiores da vida. Que iniciemos sob o amparo de nosso Mestre!

 

Primeiramente, gostaria de agradecer. Como primeira pergunta: por que é necessário passarmos por tanto sofrimento?

A dor é uma constante da evolução dos reinos inferiores até a condição humana máxima, para se tornar elemento desnecessário aos espíritos verdadeiramente puros. Entretanto, a condição humana por facultar um amplo livre arbítrio, em relação aos reinos que estão atrás, gera um compromisso muito maior.

Podemos afirmar que a dor humana, a maior parte dela, é fruto não da necessidade da evolução, mas do mau uso do livre arbítrio. As mitologias antigas já vos ensinam isso. O Cristo vos claramente: o amor cobre uma multidão dos pecados, significando que não é necessária a lei olho por olho, dente por dente.

Nosso Mestre vem nos ensinar e vem nos apontar a abolição da lei da equivalência do mal e do sofrimento. Mostrando-nos um novo caminho em que o amor repara todos os erros. Portanto, podemos afirmar fundamentando no Evangelho: sofremos, em essência, porque nos recusamos a amar.

 

 

Como fazer para reconhecer as nossas verdadeiras dores as nossas dores íntimas?

Observando, meu amigo, o que temos dificuldade em amar. O amor é a mola central, é a luz direcionadora, é a bussola, é a engrenagem essencial do ser. O que nos recusamos a amar? Recusamo-nos a amar o pecador, recusamo-nos a amar o corrupto? Recusamo-nos a amar quem nos humilhou? Recusamo-nos a amar o que e a quem? A partir desta reflexão encontraremos, sem nenhuma sombra de dúvida, quais são as nossas maiores dores. Porque muitas vezes disfarçamos nossas virtudes e a nossa falta de amor. Esse é o nosso grande erro: ao invés de nos reconhecer limitados e falhos no amar e investir as nossas forças em prece sincera para superarmos a limitação, dizemos que é virtude, quando simplesmente é uma recusa rebelde ao amor. Portanto, a nossa maior dor estará sempre onde estiver a nossa indisposição ao amor.

A partir de que momento deixa de ser necessário passar pela dor?

Em cada aspecto da vida, meu amigo, quando chega o amor. Apenas isto! Quando estudamos a mitologia do paraíso perdido, o que observamos? A dor chega, porque os filhos recusaram o amor do Pai, do Criador. Então, em cada área da vida, entenda que a dor se fará presente até que o amor chegue nos diversos sentimentos, nas diversas ações, nas diversas dimensões do ser. A dor cessa quando o amor se implanta verdadeiramente.

Como conquistar a felicidade íntima?

Investindo todas as energias em cada área em que o amor não está. Se tendes uma relação de casal, questionai-vos: onde falta o amor? Onde falta o amor existirá a dor, o ciúme, o medo da perda. Porque aquele que ama estará feliz em amar, esteja o outro perto ou longe. Se pensardes em vossas atividades profissionais: conseguis já entender o sentido amoroso de vossa profissão? Se não, ela se tornará decepcionante e dolorosa independente da quantia monetária que poderá ser auferida. Se pensardes em vosso lazer: deste conta se há amor ou não? Se não há amor em vosso lazer irá exaurir a você mesmo.

Em cada esfera da vida, em cada dimensão espiritual do ser, em cada ato e ação, ter paz significa instalar o amor naquele setor. A paz plena é quando conseguimos instalar o amor em todos os milhares dos setore do nosso ser, da nossa emoção, da nossa vida. Porque ai sim: nada temeremos, nada ansiaremos, porque o amor será o nosso guia de impulso de nosso ser de forma completa e integral.

Gostaria de agradecer esse diálogo e deixar o espaço para nosso encerramento.

Yvonne Pereira, na encarnação analisada, encerra um ciclo de erros imensos e terríveis; e inicia um ciclo maravilhoso de ascensão espiritual. Ela foi eleita por Bezerra como exemplo aos médiuns espíritas, porque não se trata de um espírito redimido, se trata de um espírito que pode representar, em grande parte, a realidade dos espíritas encarnados.

Espíritos endividados na área da sexualidade, espíritos endividados na área  dos impulsos inferiores, provando, a todos os que queiram, que é possível educar-se verdadeiramente.

Por que se inicia tão cedo nos trablahos da mediunidade, da psicografia e do socorro psicofônico aos sofredores? Para que os seus impulsos sexuais sejam sublimados, para que as suas angústias da carne sejam transmutadas e assim ela cura-se a si mesma, acolhendo os outros. E por que em reuniões específicas para os suicidas? Para que os seus impulsos suicidas sejam transformados em impulsos de amor à vida.

Aos espíritas, é necessária a reflexão sobre a vida dessa verdadeira heroína, não por ser espírito redimido, repito, mas por ser espírito que se dispôs a aceitar as provas da própria redenção.

Avaliemos amigos, portanto, que a necessidade do espírito deverá, obrigatoriamente, estar ligada à necessidade do trabalho. Quantos filhos e filhas de espíritas, sexualmente desequilibrados, poderiam receber educação sublime de seus guias, se se dedicassem verdadeiramente às práticas mediúnicas socorristas? Porque apenas socorrendo aos mais necessitados o excesso de energia sexual pode ser canalizado a reestruturação de períspiritos em verdadeiras cirurgias psíquicas. Porque apenas atendendo aos mais sofredores, o excesso de energias acumuladas, por uma mente secularmente desequilibrada, pode ser reajustado. Porque os espíritas recusaram-se a entender, hoje, vemos o suicídio de muitos filhos de trabalhadores espíritas. Porque quiseram proteger seus filhos do trabalho redentor. Porque tiveram medo de confiar nos seus guias espirituais e encaminhar seus filhos para as tarefas socorristas, nas quais eles seriam os verdadeiros beneficiados.

Podemos afirmar, sem medo de erro, que se os pais, os orientadores adultos de Yvonne do Amaral Pereira, tivessem tolhido-a de suas vivências mediúnicas, o seu destino seria a loucura ou o suicídio ou ambos. Porque não teria terapêutica adequada, em profundidade, para lhe dar suporte para atravessar uma existência de profundos testemunhos em que seus erros pudessem ser transformados em acertos.

Podemos ter em mente: esse espírito abnegado, não superior, como modelo real para as vossas existências, para vós que ainda lutais contra os desequilíbrios da sexualidade, para vós que ainda lutais contra o desânimo e a depressão profunda. Trabalhai meus amigos, trabalhai! Porque no dia que esta amiga chegou ao nosso plano, tivemos uma imensa exibição de sua vida em detalhe, apresentada pelos mesmos suicidas que ela socorreu. Eles diziam do fundo de suas almas: nós agora teremos coragem, porque você foi capaz e o Espiritismo é capaz de nos sustentar em uma encarnação provacional e por isto mergulharemos na carne.

É necessário saber, porque muitos dos que nos ouvem, viverão isto. Entendam. Trabalho não pontual, trabalho abnegado, meus irmãos. Não trabalho de um fim de semana, mas trabalho de uma semana sem fim. Para que possais com as vossas dores, estardes preparados para receber o Cristo em vossos corações.

Com alegria, vos damos esta mensagem que assustará alguns, mas que poderá ser o estímulo da redenção de milhares, porque é assim que o Cristo deseja. Abri os corações, vivendo a dor, para que dali a luz cure a todos nós.

Muita paz do vosso irmão e amigo, Cairbar de Souza Schutel.


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