Encontro 4 – Complexo de inferioridade e Cristianismo, hoje

Resumo

Estudamos um caso relatado por André Luiz que narra o resgate de Gregório, um líder das trevas, conduzido por um espírito extremamente evoluído que se candidata para ser sua mãe em uma encarnação na Terra.


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Cairbar de Souza Schutel (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1868Matão, 30 de janeiro de 1938) foi um divulgador espírita, político, farmacêutico e filantropo brasileiro.[1]

Teve grande importância na história do Espiritismo, e de Matão, tendo sido fundamental em sua elevação de povoado para município, sendo o seu primeiro intendente, cargo equivalente ao atual prefeito,[1] que exerceu de março a outubro de 1899, e, depois, de 18 de agosto à 15 de outubro de 1900.

Era respeitado por todos na cidade em sua época, chegando a comprar com seus próprios recursos o prédio para a instalação da prefeitura; foi consagrado com o título de “O Pai dos Pobres” da cidade, dava remédio de graça aos carentes e utilizava sua própria casa para acolher doentes.

Fonte: wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cairbar_Schutel


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Encontro 4: Complexo de inferioridade e Cristianismo, hoje

O Caso de Gregório no livro Libertação 

A ninguém o Cristo considera impuro ou irrecuperável. Vemos um caso educativo na obra Libertação de André Luiz. Um espírito superior mobiliza-se durante décadas para socorrer um espírito líder das trevas. Vamos refletir sobre algumas informações para podermos sentir a grandeza dessa história.

Gúbio é um mentor para André Luiz nesse livro, seu professor. É ele quem esclarece, orienta e conduz André Luiz e Elói como auxiliares-aprendizes. Gúbio pelas responsabilidades que assume e como as realiza é um espírito evoluído, muito acima da média da Terra. É esse espírito que conduzirá um complexo conjunto de ações para ajudar uma obsidiada grave Margarida e o líder obsessor Gregório.

Deus se ocupa pessoalmente de cada homem? Não é ele demasiadamente grande e nós muito pequenos, para que cada indivíduo em particular tenha aos seus olhos alguma importância? 

Deus se ocupa de todos os seres que criou, por menores que sejam; nada é demasiado pequeno para a sua bondade 

Livro dos Espíritos, questão 963

 

Gúbio, em conjunto com seus auxiliares, visita a região dominada por Gregório e, ante o espanto de Elói, ele esclarece que muitas criaturas que ali vivem estão a mais de dez mil anos transferindo-se daquela região para o mundo físico e retornando sem nunca se permitirem receber as influências superiores das colônias espirituais. São dez mil anos de condicionamentos inferiores! E o líder da cidade é o espírito que eles devem procurar para socorrer…

Um outro personagem interessante desta história é Matilde, que vive em uma região espíritas muito superior a de Gúbio e que para ser vista na dimensão espiritual de Gúbio e de André Luiz precisa se materializar! O fato é que Matilde prepara-se para reencarnar para ter Gregório como filho, o líder de uma vasta cidade inferior. Vejamos a abnegação desse espírito.

– Irmão Gúbio, agradeço-te o concurso dadivoso. Creio haver chegado, efetivamente, o instante de aceitar-te a ajuda fraterna, em favor da libertação de meu infortunado Gregório. Espero, há séculos, pela renovação e penitência dele. Impressionado pelos imensos recursos do poder, no passado distante, cometeu hediondos crimes da inteligência. Internado em perigosa organização de transviados morais, especializou-se, depois da morte, em oprimir ignorantes e infelizes. Pelo endurecimento do coração, conquistou a confiança de gênios cruéis, desempenhando presentemente a detestável função de grande sacerdote em mistérios escuros. Chefia condenável falange de centenas de outros espíritos desditosos, cristalizados no mal e que lhe obedecem com deplorável cegueira e quase absoluta fidelidade. Agravou o passivo de suas dívidas clamorosas, trazidas da insânia terrestre, e vem sendo instrumento infeliz nas mãos de inimigos do bem, poderosos e ingratos… Há cinqüenta anos, porém, já consigo aproximar-me dele, mentalmente.

Podemos começar a entender a abnegação da exigida pela tarefa, pois somente após muitos e muitos anos de tentativa a benfeitora consegue, nos últimos cinquentas anos, algum contato mental com Gregório. Por isso, vai iniciar mais uma etapa, que exigirá muitas décadas, para ajudá-lo em sua regeneração! É possível para nós sentirmos o que é abnegação? Como entender essa atitude? É a própria Matilde que explica, materializada, para Gúbio.

Na pauta do julgamento humano comum, meu filho espiritual será talvez um monstro… Para mim, contudo, é a jóia primorosa do coração ansioso e enternecido. Penso nele qual se houvera perdido a pérola mais linda num mar de lama e tremo de alegria ao considerar que vou reencontrá-lo. Não é paixão doentia que vibra em minhas palavras. É o amor que o Senhor acendeu em nós, desde o princípio.

Matilde que, para mim, possui uma evolução que sequer posso imaginar, porém, em relação ao Cristo é uma aprendiz e com honestidade revela, age movida por conta do Amor do Mestre, do amor que o Mestre nela acendeu! Assim, como acreditar que o Mestre nos rejeitaria? Como aceitar a ideia que somos impuros para Jesus? Como não reconhecer que o Mestre nos ama sempre?

 

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[André Luiz}  Encantado com as descobertas do caminho infinito, realizadas depois de muitos conflitos no sofrimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros que, além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual para a travessia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação. 

Prefácio de Emmanuel


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Guarde a experiência dele {André Luiz} no livro dalma. Ela diz bem alto que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente; que os passos do cristão, em qualquer escola religiosa, devem dirigir-se verdadeiramente ao Cristo, e que, em nosso campo doutrinário, precisamos, em verdade, do ESPIRITISMO e do ESPIRITUALISMO, mas, muito mais, de ESPIRITUALIDADE. 

Prefácio de Emmanuel


Diálogo Mediúnico

 

Paz e alegria em vossos corações. Se o sol, o astro que ilumina a Terra, que sustenta a vida no mundo, nunca faz acepção de coisas e pessoas, aquecendo o verme e o ser sublime, menos ainda o faria o sol do amor desse planeta, que se chama Jesus de Nazaré.

É preciso uma compreensão simples e profunda, uma maturidade imensa, para aceitar a luz de um amor que a ninguém rejeita, o carinho que nunca se cansa, um amparo que nunca cessa, porque somente assim se expressa Nosso Senhor Jesus Cristo.

É com felicidade e com alegria que nos colocamo a disposição para o diálogo sobre o tema que vocês elegeram.

Gostaria de primeiro entender porque, de maneira geral, nós temos tanta dificuldade em nos assumirmos cristãos?

Porque o critão verdadeiro é aquele que assume o compromisso mais profundo que a criatura humana, em todos os planetas pode assumir, assumir-se filho de Deus. Assumir-se cristão significa: eu aceito o Pai Supremo, e, no caso da Terra, o melhor represtante que existe chama-se Jesus de Nazaré. O cristianismo verdadeiro, portanto, é o maior desafio que o ser humano pode enfrentar e, ao mesmo tempo, é o único caminho que levará a verdadeira paz interior.

E da onde vem esse medo que a gente carrega de não ser amado por Jesus?

Porque recusamos a bondade dele, meu amigo. Nos recusamos a aceitar uma relação que é toda amor, nos recusamos a aceitar um amparo sem limites, nos recusamos a aceitar um amor sem exigência. Por nos recusarmos, por sequer querermos aceitar intelectualmente a possibilidade, intimamente afirmamos: isto é impossível.

Contudo, retornando a reflexão do mito original do judaísmo: no início da criação éramos capazes de tudo aceitar. Esse é o símbolo do paraíso: éramos capazes de aceitar plenamente o amor de Deus, porque simples e ignorantes, não nos vangloriavamos de nada, estávamos integrados na Criação.

Alguns optam por querer compreender melhor a vida do que o próprio Criador, alguns optam por colocar limites no amor de Deus.  Na Terra, podemos dizer que esses alguns, que falamos em termos universais, caracterizam a psicologia predominante. Nos recusamos a aceitar um amor infinito, nos recusamos a aceitar um compreensão plena e ilimitada, porque queremos impor limites a Criação, porque não queremos aceitar que existe Aquele, que é Amor, Bondade e Amparo infinito e assim negamos a grandeza do Cristo, que representa Deus para todos nós.

Como é a relação do Cristo como os espíritos inferiores? Como é que ele lida com esses líderes das trevas?

É uma relação de profundo carinho, temperada sempre pela energia necessária. É preciso diferenciar o espírito inferior e o inferiorizado por si mesmo dos espíritos que lideram e que são perversos o suficiente para explorar aqueles que se permitem perverter.

Aos frágeis e necessitados, carinho e amparo ilimitado. Aos líderes endurecidos, um amor ainda mais profundo, um amor capaz de acompanhá-los pela noite dos séculos nos seus crimes tenebrosos, pelo arrasamento, às vezes, de parte significativa de uma civilização, mas, também, um amor enérgico.

A autoridade do Mestre, quando se faz necessária, se impõe, mas sempre do ponto de partida do amor e da compreensão, porque esses grandes líderes das trevas serão, também, uma vez convertidos pelos milênios de sofrimento e amargura, servidores fiéis do meigo Messias de Nazaré.

Porque o Cristo se apresenta como o irmão superior de todos e se preocupa com a mesma atenção e carinho por desencarnados e encarnados, evoluídos e necessitados, pois para o seu coração magnânimo, de fato, todos ainda somos profundamente necessitados em crescer para Deus.

Como é que esse medo de não nos assumirmos como verdadeiros cristãos influenciou o desenvolvimento do cristianismo ao longo do tempo? Desde o cristianismo primitivo, passando pela era medieval, depois para o advento do Espiritismo? Como é que esse medo influenciou positiva e negativamente?

Esse medo é o fator psicológico básico de tudo que foi engendrado para distorção da mensagem do Mestre. A misericórdia do Cristo sobreviveu porque estava no coração de muitos. Todas as complicações teológicas nascem dessa verdadeira depravação da alma, que é o medo do Mestre, que é o medo de aceitá-lo e de amá-lo, pois a todos é dado compreender a simplicidade, a importância do amor fraterno e do serviço em relação aos mais sofredores.

Ao longo dos séculos negamos; e negar significa complicar para não entender, desculpar-se para não agir e complicar o dia a dia dos verdadeiros cristãos para que o exemplo seja banido da Terra. E assim vemos ordenações complexas e assim vemos tábulas de disciplina doentia a atravessar os séculos mantida pelos corações que não amam a simplicidade e a pureza do Evangelho.

Este ainda é um desafio presente na atual cultura religiosa do mundo, inclusive, muitos daqueles, que ao se afirmarem espíritas, não buscam superar esses padrões do passado e, portanto, repetem no próprio movimento espírita, bloqueando o amparo dos espíritos das trevas em suas reuniões, criando empecilhos para aqueles que querem aprender a amar os que mais sofrem.

Como interpretar aquele trecho do Evangelho, aquele “quem me confessar diante dos homens…”

Ensina o Cristo que aquele que o confessar diante dos homens, ele o confessará diante do Pai, aquele que o negar, ele o negará. Usa o Crsito uma forma simbólica, utilizando-se da estrutura literária de sua época, para explicar a criaturas de entendimento relativamente limitado.

Observe o que dissemos no início de nosso diálogo: o Cristo é o representante de Deus no mundo. Confessá-lo significa viver o que ele ensina, significa educar a consciência, independente de ser aplaudido ou não pelo mundo. Significa estruturar-se psíquica e emocionalmente para receber as vibrações do amor que ele concede em nome de Deus.

Não confessá-lo é a opção pela perversão emocional e psíquica, pelas baixezas grosseiras da matéria, pelo estímulo do predomínio dos impulsos mais corrompidos o que, por consequência imediata e natural, afasta a criatura do amor dele e do Pai. Portanto, quando ele afirma que o negará diante do Pai, ele está, de uma forma simples, dizendo: essa será a consequência. Não é um ato pessoal de uma negação burocrática, mas é uma forma dele mostrar que negar o amor que ele oferece é distanciar-se do próprio Pai, Criador de todos nós.

Agradecemos novamente a oportunidade desse diálogo e deixamos o espaço para a mensagem de encerramento.

Apenas o objetivo de uma caridade verdadeiramente misericordiosa, de uma caridade sem limites de tempo e de espaço, de uma caridade que permeie toda a vida, é capaz de ser compreendida pelo mais Alto como a confissão de um verdadeiro cristão, como o assumimento da bandeira interna do Evangelho.

Basta da caridade bastarda que apequena a criatura humana. O Cristo foi o primeiro a romper com as barreiras preconceituosas do espaço e do tempo. Aos espíritas, meus irmãos e amigos, cabe afirmar, a cada instante: é possível viver do cristianismo em todas as esferas da minha vida, é possível viver o cristianismo aonde eu estiver e como ensina o Cristo, se onde estou o Cristo não é bem-vindo, o cristão também não é. Saí dessa cidade, como fala o Mestre, e tirai o pó de vossas sandálias, porque é preciso que se instale no mundo a prática do cristianismo diário em todos os setores da vida, para que a sua vibração fraterna se amplie em nossos corações, e sejamos nós aqueles que poderemos dizer: Senhor, Senhor, eis a tua obra! Obrigado por eu ter podido participar dela como um pequeno servidor!

Muita paz, do vosso irmão e amigo, Cairbar de Souza Schutel.


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