Espíritos negros

Boa noite amigos, queria hoje lhes contar um pouco do que vi e vivi após o meu desencarne. O início, pelo menos a meu ver, não foi algo muito fácil, percepções novas, visões diferentes, interpretações diversas.

Fui também eu médium como vocês, estudei a Codificação e pensei seguir durante toda minha vida os ensinamentos de Jesus fielmente, não podia eu em minha pequenez imaginar quanto enganado eu estava.

Desde criança frequentava centros espíritas com meus pais, em minha adolescência me empolguei com as ideias de Kardec, achava ele realmente genial. Já adulto, casei e continuei firme dentro do Espiritismo, só tinha um pequeno problema, não aceitava de modo algum a possibilidade de atender ou buscar auxilio através de espíritos “negros” como eu equivocadamente chamava nossos irmãos mais conhecidos como “pretos velhos”, índios etc.

Tudo ia bem, a meu ver, estava correto, afinal Kardec não falava desses espíritos e nem das técnicas e do auxílio que eles poderiam trazer aos irmãos encarnados e desencarnados.

Certo dia, um médium sem capacidade, pensava eu, recebeu um espírito que se dizia “guia” e que vinha me avisar que muitas mudanças iriam ocorrer em minha vida, que eu me preparasse, que não tivesse medo, pois eles estariam comigo, ele se identificou como um “pai” que não é útil aqui citar o nome.

Obviamente que eu não acreditei na veracidade daquilo, pois não confiava nesse tipo de espírito e principalmente não confiava na capacidade do médium que o recebeu, pois tinha meus preferidos.

Uma semana depois fui surpreendido, quando soube de um terrível acidente de carro onde estavam meus pais e minha esposa grávida. Aquilo foi demais para mim, blasfemei contra Deus, o acusei de injusto e traidor, não me conformei, naquele momento, toda a fé e os conhecimentos que achava que possuía foram a baixo, nada nem ninguém me convencia de que Deus era amor além de minha compreensão.

Como se isso não bastasse, culpei aquele espírito pelo que aconteceu, abandonei o centro e comecei minha trajetória em busca de vingança. Procurei um local onde se diziam fazer todo tipo de trabalho, mas não era o suficiente pra mim, queria a todo custo desenvolver minha mediunidade e trabalhar ao lado, com aqueles espíritos, que agora eram realmente “negros”.

Desencarnei em condições deploráveis, passei anos e anos penando com minha própria consciência que só pensava em encontrar aquele espírito que destruirá minha vida.

Um dia, porém, tudo isso cessou quando a exaustão tomou conta de mim e pronunciei a seguinte frase com toas as forças que me restavam: Deus me perdoa Senhor… Isso foi o bastante, imediatamente vi minha esposa e aquele que seria meu filho envoltos em intensa luz a me resgatar.

Depois de longo tempo consegui entender a razão de todo o meu sofrimento e também aquilo que eu tanto queria, descobri quem era aquele espírito, um amigo, um verdadeiro anjo abnegado que passou toda a minha existência ao meu lado, que preferiu cuidar de mim ao invés de ir para um plano mais evoluído, alguém que nunca desistiu de mim e me dedicou todo o seu amor.

A parte mais difícil disso tudo que hoje ainda é o meu grande desafio, é me perdoar pelos erros cometidos.

Queria relatar-lhes isso como uma forma de me aliviar um pouco o coração, e de começar a minha longa jornada de redenção junto a Deus e ao meu querido amigo. Muito obrigado a todos pela chance de me expressar, fiquem todos em paz.

Lucio

Comentário da mensagem por outro amigo espiritual

Vejamos esse relato e reflitamos sobre nossas vidas, sobre o modo como enxergamos a Doutrina Espírita, será que a estamos vendo como realmente é, e o mais importante, será que a estamos vivenciando da maneira correta como nos pede Jesus, como quis nos ensinar Kardec?

Acredito, eu, dentro de minhas imperfeições, que todos já estamos dando um grande passo em relação a isso. Reflitamos apenas se é o suficiente, se não é necessário que nos esforcemos um pouco mais em rever nossos conceitos.

Há uma grande diferença entre aquilo que é místico e aquilo que nossa mente ainda não consegue acompanhar e por isso nossa reação se coloca de forma preconceituosa. Há verdadeiramente médiuns preparados e capacitados para determinados trabalhos? Para mim, há apenas corações aflitos pela oportunidade de redenção e sedentos pela oportunidade de ser úteis, corações que se esforçam para vencer a si mesmos em prol do Cristo.

Há realmente a ordem expressa para que só socorramos com espíritos “espíritas”? Para mim há a necessidade do trabalho, da união de esforços entre espíritos encarnados e desencarnados de diversas crenças para se manterem a serviço de Jesus.

Não significa que devamos transformar nossos centros e trabalhos espíritas em igrejas ou templos das mais diferentes religiões, esquecendo-nos do que aprendemos com a Codificação, mas sim que nos livremos dos PRECONCEITOS. Todos que estejam a serviço do Cristo têm algo a nos mostrar, a nos ensinar, a contribuir em nosso aprendizado e progresso.

É isso que o Mestre espera de todos nós, compreensão, tolerância, aceitação e boa vontade, regida sempre pela disciplina é claro. Que nós não cometamos os erros de irmãos iludidos, que não repitamos nossos próprios erros enfim.

Que ao final de cada trabalho nossa consciência possa estar tranquila e que possamos agradecer a Deus pelas mais diversas oportunidades de aprendizado, pelas novas formas como podemos, livres de preconceitos, com os outros e conosco mesmos, perceber os acontecimentos.

Que sejamos nós gratos pela chance de podermos ter o conhecimento e informações verdadeiras em todos os aspectos de nossas vidas e de nossos trabalhos espirituais.

Que fiquemos alegres porque somos merecedores disso, mesmo sendo ainda tão imperfeitos. E com isso tenhamos fé e coragem para seguir Jesus nesta longa jornada rumo ao nosso progresso e aperfeiçoamento moral e intelectual.

Que Jesus em seu infinito amor nos abençoe a todos hoje e sempre.

Obrigado, do amigo do grupo Marcos


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