1600 anos: início do aprendizado

Capítulo IV –

O Homem Velho

Trecho do capítulo IV com destaques.

Terceira Parte – A Cidade Universitária

Capítulo IV – Homem Velho

(…) Mas através dos séculos experimentei também grandes infortúnios.  

Criminoso impenitente, atendo-me às práticas nefastas do mal, sofria, como é natural, o reverso de minhas próprias ações, cujos efeitos em meu próprio estado se refletiam. Subia, por vezes, a alturas famosas da escala social terrena, fato esse que não implica a posse de virtudes, porque eram ilimitadas as ambições que me orientavam! Tais ambições, porém, vis e degradantes, levavam-me a quedas morais retumbantes, chafurdando-me cada vez mais no pântano dos deméritos, e para minha Consciência criando responsabilidades atordoadoras!

Todavia, minhas renovações carnais sempre se realizaram entre povos cristãos. Tudo indica, na vida laboriosa e disciplinada do Invisível, que os Espíritos são registrados em falanges ou colônias, e sob seus auspícios é que se educam e evolvem, sem se desagregarem de sua tutela senão já quando completado o ciclo evolutivo normal, isto é, uma vez adquiridos cabedais que lhes permitam transmutações operosas e úteis ao bem próprio e alheio. O certo é que nunca me desloquei das Gálias ou da Ibéria, até o momento presente.

A idéia da regeneração começou a se insinuar em minhas cogitações à força de percebê-la sussurrada aos meus ouvidos através da fieira do tempo, quer me encontrasse na Terra sob formas humanas ou mergulhado nas penumbras espirituais próprias dos seres da minha inferior categoria. Aceitei-a calculada e interesseiramente, entrando a procurar recursos para solucionar as pesadas adversidades que me perseguiam o destino, através dos séculos, nessa doutrina cristã que, segundo afirmavam, tantos benefícios concedia àquele que à sua tutela se confiasse. O que eu não podia compreender, porém, absorto no meu mundo íntimo inferior, era o alto alcance moral e filosófico de tais conselhos ou convites, repetidos sempre em torno de mim em quaisquer locais terrenos ou astrais a que a vida me levasse… e por isso esperava da Grande Doutrina apenas vantagens pessoais, poderes misteriosos ou supersticiosos, que me levassem a conquistar a satisfação de mil caprichos e paixões…

Não obstante, em ouvindo referências àquele Mestre Nazareno cujas virtudes eram modelo para a regeneração da Humanidade, súbito mal-estar alucinavame, tal se incômodas repercussões vibrassem em meu íntimo, enquanto corrente hostil se estabelecia em minha consciência, que parecia temer investigações em torno do melindroso assunto.

Era portanto concludente que se minha inteligência e meus conhecimentos intelectuais se robusteciam ao embate das lutas pela existência e dos infortúnios sob o impulso poderoso do esforço próprio, como até das ambições, o coração jazia inativo e enregelado, a alma embrutecida para as generosas manifestações do Bem, da Moral e da Justiça!

A primeira metade do século XVII surpreendeu-me em confusões deploráveis, na obscuridade de um cárcere terreno envolvido em trevas, não obstante minha qualidade de habitante do mundo invisível.

Que odiosa série de feitos criminosos, porém, ocasionara tão amarga repressão para a dignidade de um Espírito liberto das cadeias da carne?… Que abomináveis razões haveria eu dado à lei de atração e afinidades para que meu estado mental e consciencial apenas se afinasse com as trevas de uma masmorra de prisão terrena, infecta e martirizante?…

Convém que te inteires do que fiz por aquele tempo, leitor…

 

Léon Denis, revisor e prefaciador da obra Memórias de um Suicida

leondenis velho
Léon Denis (1 Janeiro de 1846 – 12 Março de 1927

Considerado o continuador de Allan Kardec, dentre suas obras, destacam-se:

O Problema do Ser e do Destino; Cristianismo e Espiritismo; Depois da Morte; Espíritos e Médiuns; Joana D’Arc, Médium; No Invisível; O Além e a Sobrevivência do Ser; O Espiritismo e o Clero Católico; O Espiritismo na Arte; O Gênio Céltico e o Mundo Invisível; O Grande Enigma; O Mundo Invisível e a Guerra; O Porquê da Vida; O Progresso; Provas Experimentais da Sobrevivência; Socialismo e Espiritismo;  O Além e a sobreviências.

Curiosamente seu nome Léon Denis está contido no nome de Alla Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail). Como houve mais de um forma de escrever o nome de Kardec, em alguns  documentos o nome – Denizard – está com “s”, Denisard.

Capítulo IV –

O Homem Velho

Trecho do capítulo IV com destaques.

Terceira Parte – A Cidade Universitária

Capítulo IV – Homem Velho

(…) Mas através dos séculos experimentei também grandes infortúnios.  

Criminoso impenitente, atendo-me às práticas nefastas do mal, sofria, como é natural, o reverso de minhas próprias ações, cujos efeitos em meu próprio estado se refletiam. Subia, por vezes, a alturas famosas da escala social terrena, fato esse que não implica a posse de virtudes, porque eram ilimitadas as ambições que me orientavam! Tais ambições, porém, vis e degradantes, levavam-me a quedas morais retumbantes, chafurdando-me cada vez mais no pântano dos deméritos, e para minha Consciência criando responsabilidades atordoadoras!

Todavia, minhas renovações carnais sempre se realizaram entre povos cristãos. Tudo indica, na vida laboriosa e disciplinada do Invisível, que os Espíritos são registrados em falanges ou colônias, e sob seus auspícios é que se educam e evolvem, sem se desagregarem de sua tutela senão já quando completado o ciclo evolutivo normal, isto é, uma vez adquiridos cabedais que lhes permitam transmutações operosas e úteis ao bem próprio e alheio. O certo é que nunca me desloquei das Gálias ou da Ibéria, até o momento presente.

A idéia da regeneração começou a se insinuar em minhas cogitações à força de percebê-la sussurrada aos meus ouvidos através da fieira do tempo, quer me encontrasse na Terra sob formas humanas ou mergulhado nas penumbras espirituais próprias dos seres da minha inferior categoria. Aceitei-a calculada e interesseiramente, entrando a procurar recursos para solucionar as pesadas adversidades que me perseguiam o destino, através dos séculos, nessa doutrina cristã que, segundo afirmavam, tantos benefícios concedia àquele que à sua tutela se confiasse. O que eu não podia compreender, porém, absorto no meu mundo íntimo inferior, era o alto alcance moral e filosófico de tais conselhos ou convites, repetidos sempre em torno de mim em quaisquer locais terrenos ou astrais a que a vida me levasse… e por isso esperava da Grande Doutrina apenas vantagens pessoais, poderes misteriosos ou supersticiosos, que me levassem a conquistar a satisfação de mil caprichos e paixões…

Não obstante, em ouvindo referências àquele Mestre Nazareno cujas virtudes eram modelo para a regeneração da Humanidade, súbito mal-estar alucinavame, tal se incômodas repercussões vibrassem em meu íntimo, enquanto corrente hostil se estabelecia em minha consciência, que parecia temer investigações em torno do melindroso assunto.

Era portanto concludente que se minha inteligência e meus conhecimentos intelectuais se robusteciam ao embate das lutas pela existência e dos infortúnios sob o impulso poderoso do esforço próprio, como até das ambições, o coração jazia inativo e enregelado, a alma embrutecida para as generosas manifestações do Bem, da Moral e da Justiça!

A primeira metade do século XVII surpreendeu-me em confusões deploráveis, na obscuridade de um cárcere terreno envolvido em trevas, não obstante minha qualidade de habitante do mundo invisível.

Que odiosa série de feitos criminosos, porém, ocasionara tão amarga repressão para a dignidade de um Espírito liberto das cadeias da carne?… Que abomináveis razões haveria eu dado à lei de atração e afinidades para que meu estado mental e consciencial apenas se afinasse com as trevas de uma masmorra de prisão terrena, infecta e martirizante?…

Convém que te inteires do que fiz por aquele tempo, leitor…


Léon Denis, revisor e prefaciador da obra Memórias de um Suicida

leondenis velho
Léon Denis (1 Janeiro de 1846 – 12 Março de 1927

Considerado o continuador de Allan Kardec, dentre suas obras, destacam-se:

O Problema do Ser e do Destino; Cristianismo e Espiritismo; Depois da Morte; Espíritos e Médiuns; Joana D’Arc, Médium; No Invisível; O Além e a Sobrevivência do Ser; O Espiritismo e o Clero Católico; O Espiritismo na Arte; O Gênio Céltico e o Mundo Invisível; O Grande Enigma; O Mundo Invisível e a Guerra; O Porquê da Vida; O Progresso; Provas Experimentais da Sobrevivência; Socialismo e Espiritismo;  O Além e a sobreviências.

Curiosamente seu nome Léon Denis está contido no nome de Alla Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail). Como houve mais de um forma de escrever o nome de Kardec, em alguns  documentos o nome – Denizard – está com “s”, Denisard.