Magnetismo - Iniciação aos Princípios do Magnetismo

Arte de Magnetizar: um livro indicado por Kardec

                            Capítulo 1: Do magnetismo aos nossos dias

Franz Anton Mesmer foi o primeiro que pronunciou as palavras “magnetismo animal” e que mostrou seus efeitos em público. Desde a mais longínqua Antiguidade, o magnetismo era conhecido, mas era praticado apenas por sacerdotes de cada religião; sendo eles os únicos instruídos, acrescentaram ao exercício de seu sacerdócio a prática da medicina.

É assim que encontramos a imposição de mãos em todos os países e em todos os povos, onde vemos curas dos operados por meio de passes aos enfermos. As pitonisas, os videntes, os oráculos eram sonâmbulos de grande lucidez; eram empregados para manter as massas e comandar os povos. O médico jovem e entusiasta Mesmer adotou o magnetismo e desejou ofertá-lo a toda a humanidade.

Ele esposou sua brilhante teoria do fluido universal, que penetra e abraça tudo em um movimento periódico e perpétuo, que se assemelha ao fluxo e ao refluxo do mar; princípio geral muito difundido em toda a natureza e ao qual ele ligava a influência do sol, da lua, dos astros, de todos os corpos coexistentes. Ele se apoiou em Descartes e Newton, que haviam suspeitado da existência desse fluido universal.

Tudo em Descartes, sua matéria sutil, seus turbilhões, a maneira como ele explica diversos fenômenos da natureza, indica que ele havia dado grandes passos em direção à sublime descoberta do magnetismo.

Newton, em vários lugares de seu sistema, dele se aproxima:

Seria aqui o local de acrescentar alguma coisa sobre essa espécie de espírito muito sutil que penetra através de todos os corpos sólidos e que se encontra oculto em sua substância; é pela força e ação desse espírito que as partículas dos corpos se atraem mutuamente a distâncias menores, e é em razão dele que elas se juntam quando estão contíguas; que os corpos elétricos agem a distâncias maiores, tanto para atrair como para repelir os corpos vizinhos, e ainda é por meio desse espírito que a luz emana, reflete-se, inflexiona-se, refrate-se e esquenta os corpos; todas as sensações ocorrem e os membros dos animais são movidos, quando sua vontade ordena; por meio das vibrações dessa substância espiritual, propagam-se os órgãos exteriores dos sentidos pelas malhas sólidas dos nervos até o cérebro e, enfim, do cérebro aos músculos; mas as coisas não podem ser explicadas com poucas palavras e ainda não foram realizadas experiências em número suficiente para determinar exatamente as leis segundo as quais age esse espírito universal. (Princípios matemáticos da filosofia natural, terceiro volume, 1687)

 

 

Charles Lafontaine ( 1803 - 1892)
Isaac Newton (1642 - 1727)