Magnetismo - Iniciação aos Princípios do Magnetismo

Codificação – Livro dos Médiuns – Formação dos Médiuns

o Livro dos Médiuns

CAPÍTULO XVII - FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS

 

203. O desejo de todo aspirante a médium é naturalmente poder conversar com Espíritos de pessoas queridas, mas essa impaciência deve ser moderada, porque a comunicação com determinado Espírito apresenta quase sempre dificuldades materiais que a tornam impossível para o iniciante. Para que um Espírito possa comunicar-se é necessário haver entre ele e o médium relações fluídicas que nem sempre se estabelecem de maneira instantânea. Somente na proporção em que a mediunidade se desenvolve o médium vai adquirindo a aptidão necessária para entrar em relação com o primeiro Espírito comunicante. Pode ser, portanto, que o Espírito desejado não esteja em condições propícias, apesar de se encontrar presente. Como pode ser, ainda, que ele não tenha possibilidade nem permissão de atender ao apelo. Convém, pois, no princípio, abster- se o médium de chamar um determinado Espírito, porque muitas vezes acontece não ser com ele que as relações fluídicas se estabeleçam com maior facilidade, por maior simpatia que lhe devote. Antes, pois, de pensar em obter comunicações deste ou daquele Espírito, é necessário tratar do desenvolvimento da faculdade, fazendo para isso um apelo geral e se dirigindo sobretudo ao seu anjo guardião. 

(…)

204. Mais importante a se observar, do que a maneira de fazer o apelo, é a calma e o
recolhimento que se deve ter, junto a um desejo ardente e uma firme vontade de êxito. E por
vontade não entendemos aqui um desejo efêmero e inconseqüente, a cada momento
interrompido por outras preocupações, mas uma vontade séria, perseverante, sustentada com
firmeza, sem impaciência nem ansiedade. O recolhimento é favorecido pela solidão, pelo
silêncio e o afastamento de tudo o que possa provocar distrações.
Nada mais resta então a fazer, senão isto: renovar todos os dias a tentativa, durante dez
minutos, um quarto de hora ou mais de cada vez, durante quinze dias, um mês, dois meses e
mais se necessário. Conhecemos médiuns que só se formaram depois de seis meses de
exercício, enquanto outros escrevem correntemente desde a primeira vez. 

(…)

206. Um meio que dá quase sempre bom resultado é o emprego, como auxiliar momentâneo,
de um bom médium escrevente flexível e já formado. Se ele puser a mão ou os dedos sobre a
mão que deve escrever, é raro que ela não se mova imediatamente. Compreende-se o que
então se passa: a mão que segura o lápis torna-se uma espécie de apêndice da mão do
médium, como o seria a cesta ou a prancheta. Mas isso não impede que esse exercício seja
realmente útil quando se pode empregá-lo, pois que, freqüente e regularmente repetido, ajuda
a vencer o obstáculo material e provoca o desenvolvimento da faculdade.
Às vezes, também, basta magnetizar com essa intenção o braço e a mão do que deseja
escrever. Muitas vezes o magnetizador se limita a pousar sua mão no ombro da pessoa, e
temos visto ela escrever prontamente sob essa influência. O mesmo efeito se pode ainda
produzir sem nenhum contato e pelo simples efeito da vontade. Compreende-se facilmente que
a confiança do magnetizador em seu poder, para produzir esse resultado, deve exercer um
grande papel, e que um magnetizador incrédulo exerceria fraca ou nenhuma ação.