Contexto Histórico do Capítulo reserva

 

Século 19 

(1801 - 1900)

Apresentação em áudio do estudo 

Contexto histórico

século 19 -
o século da fragmentação

O século XIX é marcado por um imenso avanço científico e social, mas, também, pela fragmentação do saber e da sociedade em geral.  A ciência e religião opõe-se mutuamente; a filosofia contrapõe-se a teologia; e os grupos sociais começam a verem-se como inimigos.  As religiões – catolicismo e protestantismo – disputam o poder social e político. As ciências diferenciam-se e isolam-se umas das outros. 

01

Ciência

Para o Positivismo existem três fases na histórica teológica, metafísica e positivo. O positivismo considera-se superior a religião.

02

Pensamento Social

Para o Marxismo – Manifesto Comunista (1848) e O Capital, (1867 -1883) –  as rivalidades entre capitalistas e proletariados, a luta de classe, é o motor da história e as melhorias socias devem ser conquistadas por mieo da violência. A religião para o marxismo é o ópio do povo.

03

Religião

O Concílio Vaticano I, em 1870, no momento de intensa disputa entre protestantes e católicos,  declara a infalibilidade papal que isola o catolicismo de outras religiões e da sociedade.

Linha do Tempo

Augusto Comte

Autor

Um dos fundadores da sociologia, nasceu em 1798 e morreu em 1857 (ano de lançamento de O Livro dos Espíritos). Seu objetivo era superar as revoltas sociais e estabelecer uma sociedade harmônica por meio da ciência.

Ideias centrais

Comte rejeitava a metafísica como absolutamente fútil. Para ele a história teria três etapas ou estágios: o teológico, o metafísico e o positivo. Os dois primeiros religiosos ou "místicos" eram considerados inferiores. O estágio positivo era o científico.

O método científico era paenas o das ciências naturais -  física, química, biologia etc. Por isso, como Kant, Comte acreditava que qualquer investigação científica da realidade espiritual seria absurda.

Defendia que o grande objetivo de todo ensino social deveria ser o de promover a supremacia do altruísmo (palavra inventada por Comte) sobre o egoísmo.

Relação com Allan Kardec

Kardec, que também valorizava o método experimental, vai provar o imenso erro de Kant e de Comte ao estabelecer um método científico que permite comprreneder as leis que gerem o mundo espiritual. 

Também, faz a crítica a ingenuidade positivista ( e marxista) de que seria possível construir uma sociedade melhor fundada no materialismo que apenas aumento as angústias exitênciais e o egoísmo dos seres humanos.  

Augosto Comte desernarna em sua residência, na rua Monsieur le Prince, n. 10 a 3 quilômetros da residência de Kardec na 8 Rue des Martyrs. Cerca de 40 minutos de caminhada. É muito provável que eles se conheceram. 

Karl Marx

 

Autor

Nasceu em 5 de maio de 1818 na Alemanha e morreu 1883 em Londres. Durante a vida conheceu as ideais espíritas que dizia detestar. (Ver manuscrito)

Ideais centrais

O marxismo prega a instalação de uma sociedade justa com o uso da violência. O assassinato da burguesia, por meio da uma revolução proletária e a implantação de uma ditatura do proletariado é a proposta de ação do marxismo. 

Relação com Allan Kardec

Kardec sempre destacou que o grande inimigo do Espiritsmo era o materilsimo e que a ilusão de transformar o mundo usando a violência sempre geraria mais violência e sofrimento para toda a sociedade. Ao invés da oposição inconciliável entre ricos e pobres, Kardec defende o desenvolvimento da fraternidade fundamentada na convicção de imortalidade e jsutiça divina. 

Karl Marx viveu em Paris, entre os anos de 1843 e 1845, na rua Vaneau 38 que ficava a 3,3 quilômetros da casa de Kardec. é provável que tenha se encontrado em Paris. 

Allan Kardec

 

Autor

Nasceu em 3 de outubro de 1804 e morreu em 31 de março de 1869. Dedicou os últimos 12 anos de sua vida a elaborar e divulgar o Espiritismo. 

Ideias centrais

Existe um relação de integração entre ciência, religião e reforma social. Apenas comprendendo o sentido da vida material os indivíduos conseguirão construir uma sociedade justa e feliz. 

Relação com O Evangelho Segundo o Espiritismo

O Evangelho Segundo o Espiritismo foi o terceiro livro publicado por Kardec. É o resumo prático da moral do Cristo. Nele Kardec defende que o Espiritismo é o Consolador prometido por Jesus, vinculando-o ao cristianismo primitivo. 

Papa Pio IX

 

Papa

Pio IX foi papa durante 1846 a 1878 e dirigu o Concílio que durou um ano de 1869 a 1870. Foi o papa durante todo o período da Codificação Espírita. 

Ideais centrais

O Dogma central deste concíclio foi o - Pastor Aeternus - que significa na prática que o pontífice ao se pronunciar sobre matéria de fé e moral está sempre correto. É a oficialização da infalibilidade papal.

Relação com Allan Kardec

A igreja acompanhou o desenvolvimento do Espiritismo desde o lançamento de O Livro dos Espíritos em 1857. Hoje, nos arquivos da Congregação para Doutrina e para a Fé ( herdeiro da Sagrada Congregação Romana e Universal da Inquisição) existem sessões especias dedicadas ao "“De Spiritismo,” “De Hypnotismo,” “De Magnetismo Animale.” Kardec nunca aceitou a autoridade exclusiva de nenhuma instituição em relação a religião ou a condução da mediunidade ou do magnetismo. Defendia o estudo e a experimentação individual. Por isso, escreveu O Livro dos Médiuns e divulgava obras do magnetismo.   

Positivismo no século XIX

O Postivismo, fundado por Augusto Comte, foi a mais importante corrrente filosófica para o ciência no século XIX, influenciando também a política, a pedagogia, a literatura.  Muitos pensadores de renome o adotaram e promoveram: na França, Pierre Laffite (1823-1903), Émile Littré (1801-1881), Ernest Renan (1823-1892) e Hyppolite Taine (1828 -1893); na Inglaterra John Stuart Mill (1806-1873) e Herbert Spencer (1820-1903), que fora o modelo intelectual de Ernesto Bozzano (1862-1943), antes dele se tornar espírita; na Alemanha Jakob Moleschott e Ernst Haeckel (1834 – 1919).  

Na França, destacamos Ernest Renan (1823-1892), historiador do judaísmo e do cristianismo e Emile Littré (1801 – 1881), acadêmico e senador vitalício, autor de Comte e a Filosofia Positiva (1863) e do Grande Dicionário da Língua Francesa.

Ernest Renan

A obra de maior impacto de Renan foi A Vida de Jesus (1863) na qual é realizado um estudo sobre a vida de Jesus sob um ponto de vista exclusivamente materialista. Allan Kardec comenta em dois artigos esse livro na Revista Espírita em 1864. Afirma, 

“A obra inteira é a negação desse mundo invisível e de toda a inteligência ativa fora do mundo visível. Consequentemente, também é a negação de todo fenômeno resultante da ação de inteligências ocultas e de toda relação entre os mortos e os vivos…” (RE, Junho, 1864).  

A resposta mais elaborada do codificador foi dada no livro A Gênese: os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo no qual utilizando o Espiritismo e o Magnetismo o mestre de Lyon explica que os fatos da vida do Mestre, considerados fantasiosos pelos positivistas, são perfeitamante possíveis para quem não é ignoranto no saber espírita e magnético. Esclarece a posição espiritual do Cristo, que não é apenas o mais importante personagem histórico do planeta como se afirmava, mas, também, o Espírito mais elevado que Deus já enviou ao mundo. 

Por isso, Kardec opta pelo vocábulo Cristo ao invés de Jesus, para destacar a natureza espiritual superior e a ligação do Mestre com Deus. Essa é a resposta de Kardec a limitadíssima escola do “Jesus histórico”.

 *

Emile Littré 

Dado seu enorme prestígio social e por ser um opositor do Espiritismo e do Magnetismo (que segundo Kardec são ciências irmãs), o positivista Littré é citado no livro do abade Poussin no qual defende que “que todos os fenômenos magnéticos e espíritas são obra do demônio.”

Kardec não deixa de observar, com elegante ironia, a estranha união entre religiosos e materialistas contra o Espiritismo. 

“Além disso, pode achar-se estranho que o Sr. abade Poussin se apóie, para combater o Espiritismo, na opinião de homens conhecidos por suas idéias materialistas, tais como os Srs. Littré e Figuier; sobretudo deste último, que mais brilhou por suas contradições do que por sua lógica, ele toma várias expressões. Esses senhores, combatendo o princípio do Espiritismo, denegando a causa dos fenômenos psíquicos, por isto mesmo negam o princípio da espiritualidade; assim, minam a base da religião, pela qual não professam, como se sabe, grande simpatia. Invocando sua opinião, a escolha não é feliz; poder-se-ia mesmo dizer que é desastrada, pois é excitar os fiéis a ler escritos que não são nada ortodoxos. Vendo-o beber em tais fontes, poder-se-ia crer que não julgou as outras bastante preponderantes.” (Revista Espírita, Janeiro, 1868, ed. Feb)

Littré teve atuação importante na Acadêmia francesa para barrar o acesso do  Magnetismo ao mundo científico, adotou-se o trabalho do Dr. Braid que mudando o nme de Magnetismo para Hiponisto, adulterando a essência do Magnetismo, limitando-o  significaticamante. Comenta Kardec os motivos,

“… isto por força da predominância das ideias materialistas, pois ainda há muita gente que teima, sem dúvida por modéstia, em rebaixar-se ao papel… ” (RE, Janeiro, 1860)

Em que o hipinotismo desfigura o magnetismo? Encontramos a respota no trabalho do Dr. Braid, que tudo atribui a sugestão, imposião de ideia e nega a existência dos fluidos. 

Declaro agora que considero que as experiências provaram plenamente a minha teoria e exprimo toda a minha convicção de que os fenómenos de mesmerismo (Magnetismo) deveriam ser contabilizados com base no princípio de um desarranjo do estado dos centros céfalo-raqueais, e dos sistemas circulatório, respiratório e muscular, induzidos, como expliquei, por um olhar fixo, repouso absoluto do corpo, atenção fixa, e respiração suprimida, concomitantemente com essa fixidez de atenção.

Que tudo depende do estado físico e psíquico do paciente, decorrente das causas referidas, e não da vontade ou dos passes de um do operador, doando um fluido magnético ou excitando um fluído do paciente em uma atividade mística. (Braid, James. Neurypnology or Advanced Hypnosis . Traduzimos).

O que surpreeende é que a visão positivista do Dr.Braid, apoiada pelos inimigos do Espiritsmo, na época de Kardec, hoje, seja a opinião que predomina no movimento espírita sobre Magnetismo. 

Pergunto-me, o que diria Kardec ao verificar que diferentes grupos espíritas se dão as mãos para  combater o Magnetismo? 

Será que o positivismo, antes um opositor externo, não está agora instalado dentro do movimento espírita, promovido pela união de (ex-) religiosos formalista e (ex-) materialistas que, afirmam-se espíritas, mas ainda permanecem os mesmos? 

Marxismo no século XIX

Se o Postivismo foi a mais importante corrrente filosófica para o ciência no século XIX, o Marxismo tornou-se a mais importante força de desestruturação social do século XIX e XX, tornando-se responsável por mais de cem milhões de assassinatos conforme a detalhada pesquisa publicada em o Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão.

Karl Marx

Pensador astuto e autoritário, declarava-se inimigo do Espiritismo, que, segundo afirmava, odiava. 

O chamado “profeta” da revolução proletária, defendia a tese de que a religião é o ópio do povo; de que materialismo histórico era o único método científico válido e de que o ódio e a violência eram os instrumentos adequados para a transformação social, justificava eticamante suas teses ao prometer que após toda a destruição, se implantaria na Terra a verdadeira solidariedade, nascida das guerras, execuções e atrocidades. 

Como responderia Kardec ao ódio marxista?

“Pondo de lado qualquer questão pessoal, tenho adversários naturais nos inimigos do Espiritismo. Não cogiteis que me lamente! Longe disso! Quanto maior é a animosidade deles, melhor se comprova a importância que a Doutrina Espírita assume aos seus olhos.” ( Viagem Espírita, 1862)

Três declarações de Kardec, provam que Marx não estava errado em odiar o Espiritismo, porque, de fato, o codificador ensinava e praticava o oposto do marxismo. Relata o codificador,

Para mim, um homem é um homem, isto apenas! Meço seu valor por seus atos, por seus sentimentos, nunca por sua posição social. Pertença ele às mais altas camadas da sociedade, se age mal, se é egoísta e negligente de sua dignidade, é, a meus olhos, inferior ao trabalhador que procedecorretamente e eu aperto mais cordialmente a mão de um homem humilde, cujo coração estou a ouvir, do que a de um potentado cujo peito emudeceu. A primeira me aquece, a segunda me enregela.
Homens da mais alta posição honram-me com sua visita, porém nunca, por causa deles, um proletário ficou na antecâmara. Muitas vezes, em meu salão, o príncipe se assenta ao lado do operário. Se se sentir humilhado, dir-lhe-ei simplesmente que não é digno de ser espírita. Mas sinto-me feliz em dizer, eu os vi, muitas vezes, apertarem-se as mãos, fraternalmente, e então um pensamento me ocorria: “Espiritismo, eis um dos teus milagres; este é o prenúncio de muitos outros prodígios!” 
(Viagem Espírita de 1862) 

O Espiritismo posiciona-se claramente sobre as consequências sociais do marxismo,  revelando a impossibilidade de construção de uma sociedade justa e fraterna fundada no materialismo,

Acrescentai a isto que o materialismo satisfaz àqueles que se comprazem na vida material, que querem se distrair das conseqüências do futuro, que esperam, assim, escapar à responsabilidade de seus atos, tendo-se em vista que, em suma, ele é eminentemente favorável à satisfação de todos os apetites brutais.” 

(…) 

Oh!, qual não será a culpa dos que a levampor esse triste caminho, dos que se esforçam por rechaçar a crença, dos que preconizam o presente com prejuízo do futuro! Eles terão um terrível débito a resgatar, pelo uso que fizeram de sua inteligência!  

(…)

Ele [O Espiritismo] não poderia, pois, chegar em momento mais oportuno, seja para deter o mal, antes que se torne incurável, seja para satisfazer às necessidades do homem, que já não crê sob palavra, que aspira racionalizar aquilo em que crê. O materialismo o seduzira por seus falsos raciocínios; aos seus sofismas era preciso opor raciocínios sólidos, apoiados em provas materiais. Para essa luta, a fé cega já se mostrava impotente. Eis por que digo que o Espiritismo veio a seu tempo.  (Viagem Espírita de 1862) 

Além dessa oposição inconciliável, Kardec estimula a paciência e a resignação da classe operária ao invés do ódio e da revolta, 

Sua influência [ do Espiritismo]  é uma garantia de segurança para as relações sociais, pois que constitui o mais poderoso freio às más paixões, às efervescências desordenadas, mostrando o laço de amor e de fraternidade que deve unir o grande ao pequeno e o pequeno ao grande.  (Viagem Espírita de 1862) 

Quem busca instituir na Terra o ódio – disputas individuais e coletivas; e  reinvindicações e revoluções violentas – de fato, tem razões de detestar a Doutrina Espírita. 

A distância entre as residências de Allan Kardec, Augusto Comte e Karl Marx em Paris.

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Distância entre a residência de Allan Kardec e Augusto Comte (1857)
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Distância entre a residência de Allan Kardec e Karl Marx (1844)