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Diálogo mediúnico

Diálogo Mediúnico

Que o Cristo, que é o amigo que nunca abandona, que é o sol que sempre aquece e que é a ternura incansável deste mundo, possa se fazer sentir nesse instante em todos os nossos corações, que nos ligamos em Seu nome, porque se o Mestre nos prometeu que estaria onde dois ou mais estivessem reunidos em seu nome, é justo que possamos sentir e afirmar: o Mestre está entre nós. O Mestre nos conduz. O mestre suaviza, nesse instante, as nossas dores, o Mestre nos diz: aqui estou, amiga ou amigo querido, porque você se reuniu em meu nome. Que possamos, então, convictos dessa presença sutil e poderosa de Jesus de Nazaré entre nós, iniciarmos o nosso diálogo.

Mais uma vez, eu agradeço a oportunidade desse diálogo e pergunto: como a gente dever se preparar para não rejeitar a luz, a luz que é o  Cristo?

Esta questão, meu amigo, envolve uma história multimilenar. A grande maioria que se encontra hoje na Terra, por mais, certamente, de um milênio fugiu da luz. Um milênio após a vinda do Cristo. Falamos em termos gerais naturalmente. Portanto, a nossa rejeição à luz é um tema recorrente de todas as encarnações que fracassamos dolorosamente.

A nossa dificuldade em relação a luz, é a dificuldade do cego que se recusa a perceber as próprias feridas do corpo. O fato é que, simbolicamente, o comer o fruto da árvore do paraíso é tornar-se orgulhoso, é colocar-se na posição de Deus. É querer conhecer tanto quanto Deus, é querer ser Deus… E a luz nos incomoda, porque a luz mostra a verdade.

Aquele jovem, magro, simples e iluminado, com a sua presença, mesmo que silenciosa, não podia evitar que todos sentissem a própria inferioridade, porque a luz faz com que vejamos as nossas mazelas emocionais.

É o orgulho, essa vontade de tornar-se Deus, que significa o fingimento da perfeição plena, que nos torna incomodados com a visão que a luz traz, com a percepção que a luz gera, quando nos aproximamos dela.

 

Como é que a gente identifica a rejeição da luz no cotidiano e na atualidade? Em que momento?

A rejeição da luz ocorre em todos os momentos e circunstâncias em que negais ver as próprias deficiências. Em uma situação vos tornais ciumentos, é uma luz. Muitas vezes, e isso poderá assustar alguns, a obsessão é uma luz para quem quer ver os próprios defeitos, porque ela faz parte da realidade educativa, no sentido amplo, da comunidade da Terra.

Todas as vezes em que vida vos propicia a possibilidade de ver as vossas limitações e defeitos é a luz que vos toca. Frequentemente, o que fazeis? Irritai-vos, repeli-a, procurais desculpas variadas para não olhar as próprias deficiências, e, por isso, vos tornais, a si mesmos, exilados do paraíso, perdeis a vossa paz e passais a sofrer, desnecessariamente, porque não quereis aceitar as próprias limitações e deficiências.

Como é que a gente deve agir, então, para não rejeitar a luz? 

Humildade. Essa é a marca central da humildade, não é a auto depreciação; a humildade é a auto aceitação verdadeira.

Meu Deus, acabo de ter um profundo sentimento de inveja, é uma ferida que ainda carrego, Mestre ajuda-me com a tua luz a ver claramente a inveja que carrego para que eu possa tratá-la, para que eu possa cuidá-la, para que ela desapareça do meu ser.

Essa é a postura da verdadeira humildade, aquela que leva o ser a aceitar-se a si mesmo, seus defeitos e limitações. Observe que na mitologia do paraíso o que há é uma revolta contra a limitação. Quando a serpente diz: podereis conhecer mais, podereis ser mais, não é uma revolta necessariamente contra a deficiência, mas é não aceitar-se limitado. Só Deus é ilimitado, é importante aceitar isso.  

O que fazer para evitar a expansão das mistificações?

Aceitar os defeitos. Se falamos, especificamente, das mensagens falsas, se estivermos dispostos a ver a luz será muito fácil, porque qualquer pessoa lúcida e preparada é capaz de distinguir uma mensagem inferior de uma superior.

O grande problema é que os médiuns não querem ser corrigidos, não querem ver os próprios defeitos, não querem afirmar ao final de um ano de trabalho:  recebi tantas mensagens, algumas foram excelentes, a maioria foi relativamente boa, mas não serve para divulgação e outras tantas são visivelmente falsas e inferiores. Ficarei com as excelentes para compartilhar com meus irmãos, porque o médium deveria entender que faz parte da sua tarefa o separar o joio do bom grão, faz parte da sua missão acolher a tudo e partilhar o que é bom, como uma mãe generosa que tira os espinhos de um peixe, antes de dá-lo aos filhos pequenos, mas se ela rejeita os espinhos antecipadamente, os seus filhos não poderão nunca se alimentar do peixe saboroso e nutritivo. Saber reconhecer, saber aceitar-se como um ser falho. 

Agradecemos a oportunidade do diálogo e deixamos o espaço para a mensagem de encerramento.

A negação da luz hoje, no próprio movimento espírita, se faz um ponto de profundas reflexões, por centenas e centenas de espíritos que ocupam a posição de dirigentes de grupos espíritas, meus amigos.

Rejeitar a luz é rejeitar o pobre que não cheira bem, rejeitar a luz é rejeitar, como aqui foi falado e nós concordamos, as mensagens elevadas dos dirigentes espirituais.

Rejeitar a luz é agir diferente de Allan Kardec, que abria amplo espaço para a participação espiritual e no momento posterior avaliava com extremo critério as mensagens e, na dúvida, questionava mais uma vez, e, na dúvida, buscava outros médiuns, mas nunca se colocou como barreira entre a comunicação de encarnados e desencarnados, nunca se colocou como um obstáculo, nunca se fez óbice, como hoje se vê em muitos que dirigem reuniões mediúniccas espíritas.

Yvonne do Amaral Pereira refletiu criteriosamente por vinte anos em relação a obra Memórias de um Suicida, mas não a rejeitou jamais.

Como poderemos produzir boa obra, com pessoas que exigem de si mesmas, por conta do orgulho, a perfeição?

Como poderemos elaborar boas psicografias, se os médiuns se recusam os anos necessários de erro e acerto, de aprendizado e de treino?

Como poderão, os espíritos que orientam o movimento espírita, manifestar-se se o medo da luz marca o coração daqueles que deveriam suplicar-lhes a orientação?

A relação com a luz se torna extremamente visível em vossas reuniões mediúnicas e em vossos sonhos em que não vos preparais para estar com a luz do Cristo, representada por vossos anjos guardiões.

A rejeição da luz se exemplifica quando negais os vossos próprios defeitos e inferioridades, negando-se, também, ser curados.

É indispensável que encerremos lembrando a passagem de nosso divino Mestre, que os homens cerraram os olhos e tamparam os ouvidos, dizia nosso Mestre, comovido de tristeza, porque os homens de sua época, e, de hoje, acrescentamos, não queriam ouvir sua voz, não queriam ver-lhe a presença, porque não desejavam ser curados. Que possamos, nós, ante essa reflexão tão dolorosa para os espíritos da Terra, reavaliarmos, em que momento eu nego a luz do Cristo, que busca me iluminar, me comover e me curar?

Paz a todos, do vosso irmão e amigo,

Cairbar de Souza Schutel.

Cairbar Schutel

Cairbar Schutel

Coordenador espiritual do Curso Iniciação à Psicologia Crística.

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Dia 08 dezembro publicaremos as respostas.

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