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Diálogo mediúnico

Diálogo Mediúnico

Paz e alegria em vossos corações. Se o sol, o astro que ilumina a Terra, que sustenta a vida no mundo, nunca faz acepção de coisas e pessoas, aquecendo o verme e o ser sublime, menos ainda o faria o sol do amor desse planeta, que se chama Jesus de Nazaré.
É preciso uma compreensão simples e profunda, uma maturidade imensa, para aceitar a luz de um amor que a ninguém rejeita, o carinho que nunca se cansa, um amparo que nunca cessa, porque somente assim se expressa Nosso Senhor Jesus Cristo.
É com felicidade e com alegria que nos colocamos a disposição para o diálogo sobre o tema que vocês elegeram.  

Christ the Saviour
Cristo Salvador de El Greco

Gostaria de primeiro entender porque, de maneira geral, nós temos tanta dificuldade em nos assumirmos cristãos?

Porque o cristão verdadeiro é aquele que assume o compromisso mais profundo que a criatura humana, em todos os planetas pode assumir, assumir-se filho de Deus. Assumir-se cristão significa: eu aceito o Pai Supremo, e, no caso da Terra, o melhor represtante que existe chama-se Jesus de Nazaré. O cristianismo verdadeiro, portanto, é o maior desafio que o ser humano pode enfrentar e, ao mesmo tempo, é o único caminho que levará a verdadeira paz interior. 

De onde vem esse medo que a gente carrega de não ser amado por Jesus? 

Porque recusamos a bondade dele, meu amigo. Nos recusamos a aceitar uma relação que é toda amor, nos recusamos a aceitar um amparo sem limites, nos recusamos a aceitar um amor sem exigência. Por nos recusarmos, por sequer querermos aceitar intelectualmente a possibilidade, intimamente afirmamos: isto é impossível.

Contudo, retornando a reflexão do mito original do judaísmo: no início da criação éramos capazes de tudo aceitar. Esse é o símbolo do paraíso: éramos capazes de aceitar plenamente o amor de Deus, porque simples e ignorantes, não nos vangloriávamos de nada, estávamos integrados na Criação.

Alguns optam por querer compreender melhor a vida do que o próprio Criador, alguns optam por colocar limites no amor de Deus.  Na Terra, podemos dizer que esses alguns, que falamos em termos universais, caracterizam a psicologia predominante. Nos recusamos a aceitar um amor infinito, nos recusamos a aceitar um compreensão plena e ilimitada, porque queremos impor limites a Criação, porque não queremos aceitar que existe Aquele, que é Amor, Bondade e Amparo infinito e assim negamos a grandeza do Cristo, que representa Deus para todos nós.  

Bernhard_Plockhorst_-_Good_Shephard
Bom Pastor de Bernhard Plockhorst

Como é a relação do Cristo como os espíritos inferiores? Como é que ele lida com esses líderes das trevas?
É uma relação de profundo carinho, temperada sempre pela energia necessária. É preciso diferenciar o espírito inferior e o inferiorizado por si mesmo dos espíritos que lideram e que são perversos o suficiente para explorar aqueles que se permitem perverter.
Aos frágeis e necessitados, carinho e amparo ilimitado. Aos líderes endurecidos, um amor ainda mais profundo, um amor capaz de acompanhá-los pela noite dos séculos nos seus crimes tenebrosos, pelo arrasamento, às vezes, de parte significativa de uma civilização, mas, também, um amor enérgico.
A autoridade do Mestre, quando se faz necessária, se impõe, mas sempre do ponto de partida do amor e da compreensão, porque esses grandes líderes das trevas serão, também, uma vez convertidos pelos milênios de sofrimento e amargura, servidores fiéis do meigo Messias de Nazaré.
Porque o Cristo se apresenta como o irmão superior de todos e se preocupa com a mesma atenção e carinho por desencarnados e encarnados, evoluídos e necessitados, pois para o seu coração magnânimo, de fato, todos ainda somos profundamente necessitados em crescer para Deus. 

Como é que esse medo de não nos assumirmos como verdadeiros cristãos influenciou o desenvolvimento do cristianismo ao longo do tempo? Desde o cristianismo primitivo, passando pela era medieval, depois para o advento do Espiritismo? Como é que esse medo influenciou positiva e negativamente?

Esse medo é o fator psicológico básico de tudo que foi engendrado para distorção da mensagem do Mestre. A misericórdia do Cristo sobreviveu porque estava no coração de muitos. Todas as complicações teológicas nascem dessa verdadeira depravação da alma, que é o medo do Mestre, que é o medo de aceitá-lo e de amá-lo, pois a todos é dado compreender a simplicidade, a importância do amor fraterno e do serviço em relação aos mais sofredores.
Ao longo dos séculos negamos; e negar significa complicar para não entender, desculpar-se para não agir e complicar o dia a dia dos verdadeiros cristãos para que o exemplo seja banido da Terra. E assim vemos ordenações complexas e assim vemos tábulas de disciplina doentia a atravessar os séculos mantida pelos corações que não amam a simplicidade e a pureza do Evangelho.
Este ainda é um desafio presente na atual cultura religiosa do mundo, inclusive, muitos daqueles, que ao se afirmarem espíritas, não buscam superar esses padrões do passado e, portanto, repetem no próprio movimento espírita, bloqueando o amparo dos espíritos das trevas em suas reuniões, criando empecilhos para aqueles que querem aprender a amar os que mais sofrem. 

Como interpretar aquele trecho do Evangelho, aquele “quem me confessar diante dos homens…”?

Ensina o Cristo que aquele que o confessar diante dos homens, ele o confessará diante do Pai, aquele que o negar, ele o negará. Usa o Cristo uma forma simbólica, utilizando-se da estrutura literária de sua época, para explicar a criaturas de entendimento relativamente limitado.
Observe o que dissemos no início de nosso diálogo: o Cristo é o representante de Deus no mundo. Confessá-lo significa viver o que ele ensina, significa educar a consciência, independente de ser aplaudido ou não pelo mundo. Significa estruturar-se psíquica e emocionalmente para receber as vibrações do amor que ele concede em nome de Deus.
Não confessá-lo é a opção pela perversão emocional e psíquica, pelas baixezas grosseiras da matéria, pelo estímulo do predomínio dos impulsos mais corrompidos o que, por consequência imediata e natural, afasta a criatura do amor dele e do Pai. Portanto, quando ele afirma que o negará diante do Pai, ele está, de uma forma simples, dizendo: essa será a consequência. Não é um ato pessoal de uma negação burocrática, mas é uma forma dele mostrar que negar o amor que ele oferece é distanciar-se do próprio Pai, Criador de todos nós.
Agradecemos novamente a oportunidade desse diálogo e deixamos o espaço para a mensagem de encerramento.
Apenas o objetivo de uma caridade verdadeiramente misericordiosa, de uma caridade sem limites de tempo e de espaço, de uma caridade que permeie toda a vida, é capaz de ser compreendida pelo mais Alto como a confissão de um verdadeiro cristão, como a assunção da bandeira interna do Evangelho.
Basta da caridade bastarda que apequena a criatura humana. O Cristo foi o primeiro a romper com as barreiras preconceituosas do espaço e do tempo. Aos espíritas, meus irmãos e amigos, cabe afirmar, a cada instante: é possível viver o cristianismo em todas as esferas da minha vida, é possível viver o cristianismo aonde eu estiver e como ensina o Cristo, se onde estou o Cristo não é bem-vindo, o cristão também não é. Saí dessa cidade, como fala o Mestre, e tirai o pó de vossas sandálias, porque é preciso que se instale no mundo a prática do cristianismo diário em todos os setores da vida, para que a sua vibração fraterna se amplie em nossos corações, e sejamos nós aqueles que poderemos dizer: Senhor, Senhor, eis a tua obra! Obrigado por eu ter podido participar dela como um pequeno servidor!
Muita paz, do vosso irmão e amigo,
Cairbar de Souza Schutel.

Cairbar Schutel

Cairbar Schutel

Coordenador espiritual do Curso Iniciação à Psicologia Crística.

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Nossa equipe organizará as perguntas e apresentará ao coordenador espiritual do curso.

Dia 08 dezembro publicaremos as respostas.

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