Diálogo mediúnico

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Eurípedes Barsanulfo

Eurípedes Barsanulfo é o dirigente do Grupo Marcos e coordenador do módulo Reencarnação. Psicofonia online em 18-07-2021. 

 

Irmãos, o Cristo esteja conosco, seja ele o amigo que nos ensina a superar dificuldades, a manter a chama do otimismo, a ter no coração a convicção que, por mais poderosos que sejam os obstáculos, a sua luz, o seu amor e o seu poder nos alçarão para acima de todas as montanhas das dificuldades e, junto com o Mestre, um dia vislumbraremos o esplendor da glória de nosso Pai.

Comecemos, amigos.

 

Mais uma vez, seja bem-vindo nosso irmão que prontamente se coloca aqui para oferecer os seus apontamentos, frutos de muitas experiências de reencarnações e reencarnações. A primeira pergunta que nos foi colocada é: quanto a problemática da reencarnação, por que esse tema mexe tanto conosco?

E, de maneira geral, eu acrescento também, fazendo jus à uma colocação aqui que foi feita já nessa reunião de hoje, historicamente há uma certa rejeição para aquelas pessoas que não eram iniciadas na doutrina e nós também temos aí o histórico da  doutrina secreta, que é uma tradição que foi passada de maneira muito restrita a poucas pessoas, mas de maneira geral, há para as pessoas que não são afinizadas com a ideia da reencarnação uma rejeição, meio que uma repulsa natural em relação a essa lei natural.

O que o amigo espiritual nos oferece em relação a isso?

É indispensável refletir que em um mundo de trevas a luz da Verdade, em um primeiro momento, sempre se fará incômoda aos olhos acostumados com a escuridão. Não foi um erro Platão se referir ao indivíduo que encontra a verdade como aquele que sai de uma caverna escura e precisa deparar-se com o sol ao meio-dia. Confiemos, portanto, que, por sermos filhos de Deus, nos tornaremos capazes de nos adaptar à luz de tal forma que a verdade nos não nos causará dor nem dano, mas alegria e harmonia.

Não é diferente com nenhuma outra descoberta da verdade em vosso mundo inferior. Trata-se, em essência, de um distanciamento do próprio Criador. A criatura inferiorizada tanto acostumou-se a um clima de revolta cega e surda que tudo aquilo que venha mostrar, mesmo que de forma limitada, a grandeza de Deus a incomoda, a assusta, causa dor. 

Confiemos. O Cristo é aquele ser que é capaz de nos ensinar a atravessar as dores do amadurecimento. Não se trata de questão intelectual. Lida-se aqui com angústias e dores profundas que se vinculam a própria história das migrações para o orbe terreno. 

A reencarnação para todos aqueles expulsos de outros planetas torna-se, do ponto de vista da revolta, técnica negativa e de mera punição, quando na verdade é uma expressão enérgica da misericórdia divina. 

O ser que foge da própria história espiritual incomoda-se, altera-se e mesmo combate toda e qualquer ideia que venha revelar-lhe a si mesmo a sua própria inferioridade. Portanto, a [rejeição da ideia da] reencarnação é um exemplo típico, mas não único da revolta da criatura para com Criador. 

Sabemos que na Terra grande parte daqueles que compõem os grupos mais avançados são compostos por Espíritos exilados de outros orbes. Tal exílio, para a maioria, é lembrança amarga de profunda humilhação e a reencarnação é uma verdade que faz o indivíduo voltar-se para si mesmo, para suas próprias dores para curar-se, mas com o processo que necessariamente não será agradável. Por isso a dificuldade de muitos em lidar com a reencarnação no aspecto teórico, e a dificuldade de quase todos em lidar com a reencarnação no aspecto de verdade íntima.

 

Seria possível precisar qual foi o povo que mais fortemente trabalhou a ideia inicial da reencarnação? Teriam sido mesmo os povos hindus? E qual seria a natureza original dessas primeiras crenças? Seria a ideia da metempsicose que sobreviveu aos tempos e ainda hoje é adotada por algumas crenças? E por que não, desde o princípio, já a espiritualidade não teria colocado a ideia de reencarnação de uma forma mais assertiva, desconsiderando, por exemplo essa ideia de reencarnação retroagindo a organismos inferiores, ou mesmo iniciais a concepção humana, no caso de reencarnação em vida animais e etc.?

 

 É preciso diferenciar didaticamente. A compreensão da reencarnação é de todas as épocas e de todos os povos em um aspecto, muitas vezes, elementar. Para aqueles que desenvolveram-se em um mundo e não passaram pelos traumas da expulsão, a reencarnação nada traz de dor e de angústia, é algo que carrega seu sentido positivo pleno, a grandeza da vida e a bondade de Deus. 

Mas para os Espíritos, como vós, que tendes uma trajetória marcada pelo exílio, a reencarnação torna-se um elemento que vincula-se a uma dor profunda. Então, temos dois grupos de compreensão da reencarnação: um, como um elemento natural, sem configurações de grande negatividade; outro grupo, com elementos que se associam a uma punição extrema e a um trauma psíquico muito profundo.

É desses povos que surgem o hinduísmo, bem como a antiga doutrina egípcia. Nesse grupo, em parte dele, a encarnação passa a ter elementos profundamente negativos como, por exemplo, a possibilidade de retroagir, a qual sabemos não ocorre de fato.

Porém, qualquer um de vós, que hoje de forma imediata tivesse que habitar um corpo que se assemelha ao vosso homem das cavernas sentiria como que tendo tornado-se, ainda uma vez, animal embora o fato não fosse esse.

Há, portanto, um conjunto de experiências traumáticas que fizeram e fazem os indivíduos pensar na reencarnação como um meio punitivo e regressivo, o que de fato  não se dá se considerarmos que os seres humanos sempre reencarnarão em seres humanos, embora em corpos humanos extremamente primitivos se comparados com seus corpos atuais. Daí tereis uma das fontes de surgimento da doutrina da metempsicose.

O amigo pergunta por que os Espíritos não foram mais explícitos, porque vós não amais a verdade. Ao lidarmos com a Terra é preciso considerar que o grau da luz tem que ser o máximo, mas limitado pelo grau da revolta dos corações que facilmente se distanciariam do bem. Por isso, toda revelação em mundos inferiores obedece a disciplina da graduação, da necessidade da coletividade. 

Sabeis que a Europa, composta basicamente por Espíritos exilados, se levantaria em desprezo e condenação se a doutrina da reencarnação fosse pregada universalmente de forma instantânea. Atua-se, portanto, de forma lenta, educativa para que possais suportar a vós mesmos, para que a luz não mostre excessivamente o vosso atraso, para que, como ensina Platão, acostumando-se pouco a pouco consigais um dia a viver imenso na verdade límpida e transparente que reflete o amor de Deus.

 

Uma terceira pergunta, talvez não muito apropriada, porque possa parecer muito de cunho pessoal, mas de qualquer forma nós o faremos.

A formação desse grupo, as pessoas que estão presentes nesse estudo sobre a reencarnação, de alguma forma, todo esse projeto dessa nossa plataforma de estudos, essas pessoas que estão aqui conosco tão dedicadas, elas têm ou já tiveram antes do seu nascimento, no seu planejamento reencarnatório, esse seu ideal de participar nesse grupo? A formação desse grupo de estudo, a criação dessa plataforma, ela obedece a um planejamento reencarnatório envolvendo cada um desses nomes ou surgiu da necessidade momentânea e das oportunidades que se apresentaram?

 

Na obra divina nada é feito de improviso e de supetão. Confiamos que no nosso décimo encontro teremos o ambiente psíquico adequado e preparado para tocarmos em informações pessoais mais específicas. Mas entendamos que isso ocorrerá apenas e exclusivamente se houver, ao longo de nosso estudo, uma aplicação pessoal, porque o que mais vale não é uma mera informação, mas o descobrimento das forças psíquicas que animam cada um interessado em conhecer seu passado.

De nada vale conhecer uma identidade se, por baixo dessa identidade, não se descobre as reais motivações tanto de erros quanto de acertos do passado. 

Trabalharemos com vocês uma metodologia que irá vos preparar para que as informações que chegarão de diversos meios possam ser transformadas em elemento de crescimento espiritual e não mera informação para ser joguete de debates intelectuais.

Preparemo-nos, portanto, entendendo que adotamos aqui a própria metodologia do Cristo. Apenas após a sua crucificação, o sofrimento angustioso dos discípulos, apresentou-se o Mestre a dois de seus seguidores na estrada de Emaús e, ao longo do caminho, explicou o sentido de todas as profecias relativas ao seu messianato.Assim faremos. 

É preciso passar pelo próprio testemunho, reconhecer-se impotente, ao mesmo tempo que se torna cada vez mais confiante na grandeza de Deus, para que tenhamos o ambiente psíquico adequado para o diálogo revelador na estrada de Emaús que cada um precisa percorrer.

Nosso convite, portanto, é de preparação, de estudo, de enfrentamento de aflições que precisam ser superadas e, acima de tudo, de uma melhoria de sintonia com o Cristo.

Talvez alguém se pergunte: caso o Cristo resolvesse explicar antes aqueles discípulos a sua história espiritual, eles não entenderiam? Estamos convencidos que sim, eles entenderiam, mas eles não estariam capacitados para sintonizar com o Cristo. 

Eis o que queremos aqui. Que vocês não apenas aprendam, mas que se tornem habilitados a criar uma sintonia superior para que o saber revelado faça uma real diferença em vossas existências.

 Do vosso irmão e amigo,

Eurípedes Barsanulfo.

 

Eurípedes Barsanulfo