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Encontro

Israel no tempo de Jesus – Primeiro século. Dead Sea = Mar Morto.

Em um dia comum, Josafá (Cairbar Schutel) e um pequeno grupo de essênios, que realizam há muitos anos a busca para encontrar o Enviado de Deus – A Grande Estrela – são surpreendidos por uma intensa luz que deles se aproxima.

Inicialmente, eles pensam ser uma estrela desconhecida, que brilha mais intensamente que o sol.

Ao aproximarem-se da estrela, vêem um jovem de quatorze anos. Todos se ajoelham.

– Nossos amigos esperam-nos. Diz o jovem. 

Todos, em silêncio, levantam-se e caminham em direção ao povoado essênio.

Josafá, que esperava ser o encontro uma verdadeira festa de luzes, sons e harmonias celestes, se dá conta que a grande festa ocorria apenas nos corações.

– O Pai pede-nos o testemunho da paz legítima no alívio aos corações enfermos…

Explica Jesus a Josafá, que não sabia ainda quem eram os enfermos a serem atendidos. Seguem o Adolescente. 

Chegam a chácara, em que está sendo fundado o grupo essênio liderado por Marcos.

Ao serem atendidos na porta, Mira, uma nobre servidora da casa, afirma ao Jovem. 

– Não vos aproximeis, jovem! Estamos infestados pelo mal

O mal a que Mira se refere é uma febre terrível, que matou dezenas de pessoas, inclusive, Félix, que doara parte da chácara para os essênios. 

Marcos (Eurípedes Barsanulfo) está exausto de cuidar de tantos enfermos. Todos vivem em um ambiente de angústia. Aparentemente, todos morrerão daquela terrível doença. Pessoas amadas morreram, outras estão doentes. A cada dia mais esforço é exigido de um número cada vez menor de pessoas. 

Solidão, tristeza e medo são os sentimentos que pairam sob todos. De uma hora para outra, a feliz e próspera comunidade essênia foi mergulhada na desgraça.

A epidemia matara corpos e ameaçava imobilizar as almas na angústia. E tudo se iniciara por meio de uma mulher miserável, que fora amparada na chácara, mas que se recusou obedecer as orientações de Marcos no tratamento de sua filha enferma.

Ela foi socorrida, mas, por revolta, espalhou a doença. Marcos nunca a condenou nem permitiu que ela fosse condenada.

– Não vos aproximeis, jovem! Estamos infestados pelo mal terrível que levou nosso amo e muitos servidores desta casa. 

Afirma Mira.

O Jovem demorou o olhar terno no rosto macilento da interlocutora e acalmou-a:

– Não há perigo, bondosa Mira. A Misericórdia do Pai desceu sobre nossas cabeças… 

Nesse instante, Marcos se aproxima.

Com um gesto, Josafá apontou os companheiros, demorando o sinal indicador no Adolescente, que se retirara, discretamente, para o ângulo mais afastado da sala. Os olhos mansos de Marcos alcançaram o vulto esbelto, abrigado no recesso sombrio, qual lâmpada apagada, propositalmente, com o objetivo de não ofuscar o ambiente. O moço essênio estacou por alguns instantes na contemplação do recém-chegado, depois caiu-lhe aos pés, descaindo a cabeça sobre os pés empoeirados do viajante. Em toda a sala vibrava uma atmosfera de místico fervor, que levou os demais circunstantes à mesma atitude do jovem romano. 

(…) 

A alma de Marcos oferecia-se, silenciosa, a Deus, naquela hora tocante. Das alturas etéreas, um coro invisível misturava-se às harmonias saídas daqueles corações a caminho da santificação. Naquele momento, efetivava-se, realmente, a solene recepção à Grande Estrela. 

Assim aparece a Grande Estrela ao primeiro grupamento de trabalhadores cristãos do mundo.  Dias depois, após a chegada de Lisandro (Bezerra de Menezes) e dos outros essênios que obedeciam ao seu chamado telepático, acontece a primeira orientação do Cristo a um grupo de seguidores no mundo. São cerca de cinquenta pessoas. Da explicação de Jesus, podemos entender as circunstâncias de sua aparição.

Todos mantinham a impressão de flutuar numa zona de vibrações leves. 

– Irmãos, que a Paz de Deus habite em nossos corações para sempre. 

– Assim seja feita a Vontade do Pai! – Respondeu o grupo a uma só voz. 

– O desejo de todos os corações aqui presentes, situa-se na direção do bem comum, no anseio da liberdade espiritual

(…) 

Irmãos, vosso ideal é belo pelos princípios, mas deveis iluminá-lo ainda mais pelo constante dar-se aos semelhantes. Ponde nos corações a chama ardente da esperança, apontando-lhes a rota da renúncia com o vosso próprio devotamento. Incentivai-os ao cumprimento do Amor mais puro, exemplificando a pureza luminosa dos vossos atos diuturnos.

– Os planos da Divina Escola do Amor fundamentam-se no desejo bom e permanente de atender-se às necessidades dos semelhantes como se fossem as nossas próprias necessidades. Surgem, portanto, com as circunstâncias: aqui, é um enfermo a reclamar-nos devotamento e assistência; ali, é o faminto a solicitar-vos auxílio; acolá, é o caído, que roga simpatia e compreensão.

Nosso programa baseia-se nas necessidades do próximo, efetivando-se na razão direta das circunstâncias de tempo.

Aproveitemos, pois, a oportunidade do “hoje” porque o “amanhã” apresentará, invariavelmente, ensejos novos de serviço e ninguém pode garantir o exato cumprimento de obrigações acumuladas. 

A dor é a grande preparadora para que possamos compreender o Cristo. Viver a dor com consciência é a grande iniciação espiritual. Por isso, o Cristo aparece em um momento de dor intensa e não de festa, porque a dor vivida com honestidade altera psiquicamente o ser, amplia a percepção da vida.

As grandes conquistas espirituais requerem grandes vivências na dor. Porém, é preciso entender que não devemos, tolamente, procurar nos causar dor.

Nosso papel é ter coragem de reconhecer a dor que existe em nós. Não fugir, não evitar de olhar para ela, ter coragem de senti-la.

Reconhecer que sofremos. Ter coragem é olhar como a dor se manifesta em nosso íntimo. Esse é um dos maiores desafios espirituais de todos os tempos. 

Trechos em azul e itálico: extraídos do livro – A Grande Espera.