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Diálogo Mediúnico

08 de dezembro de 2019

Paz e alegria em vossos corações. Estamos aqui com alegre disposição, com ternura fraterna, porque nos é muito cara esta oportunidade de dialogar de forma direta com aqueles que buscaram conhecer um pouco mais das verdades do Consolador, que buscaram compreender a figura majestosa de Jesus de Nazaré, nosso Mestre tão amado. Portanto, é um momento feliz. É algo oportuno e propício que nós, os discípulos aprendizes do Senhor da Vinha, conversemos fraternalmente, buscando esclarecer as dúvidas centrais para que a nossa fé se fortaleça e os nossos testemunhos sejam vividos com o coração confiante, porque sabemos, a Grande Estrela nos protege a todos.

                             Encontro 1: A iniciação pelo sentimento: Cristo e os essênios

Muito obrigada pela sua presença, amigo Cairbar. Ficamos muito felizes com esse momento. Em relação ao encontro 1, cujo tema é A iniciação pelo sentimento: Cristo e os essênios, nós temos as seguintes perguntas.

1. Uma vez que os relatos bíblicos não mencionam o decorrer da adolescência e nem os primeiros anos da vida adulta do Nosso Jesus, teriam sido esses anos, sublimados nos Evangelhos, dedicados a Sua preparação missionária junto aos essênios?

Resposta:

Certamente o Mestre preparou-se para o sublime desempenho de sua missão. Mas entendamos: não tratamos aqui de um indivíduo comum, mas de um ser que excede a nossa capacidade de compreensão. Certamente, não poderíamos compreender as sutilezas da preparação psíquica da Grande Estrela. Mas podemos, sem nenhuma sombra de dúvidas, afirmar: o Grande Mestre nada teria que aprender conosco, essênios que se preparavam para servi-lo. Obviamente, encontram-se semelhanças, mas essas semelhanças se devem à elevação daqueles que nos guiavam, dentro outros, o espírito hoje conhecido como Bezerra de Menezes.

O Cristo nada tem a aprender com ninguém deste mundo, pois Ele é a fonte da sabedoria de todos os verdadeiramente sábios da Terra. A vida do Cristo foi uma vida de preparação profunda, mas a preparação do Mestre não se deu no nível cultural, na frequência de grupos em processos iniciáticos.

A preparação do Cristo certamente ocorreu em um diálogo e uma interação profunda com o Criador do universo. Ninguém na Terra, lúcido, ousaria ensinar algo a esse espírito, porque é tão evidente sua superioridade, que nos constrange pensar que alguém teria tal leviandade. Não bastasse isso, fica claro nos relatos do Novo Testamento: já na adolescência ele encantava os sábios de Jerusalém. Quem se atreveria ensinar alguém que dialoga face a face com o Criador do universo? Portanto, desnecessário insistir que é descabido que Jesus de Nazaré tenha carecido de algum aprendizado nas escolas essênias. Mas, certamente, o Mestre a todos contatou, esclareceu e amparou, porque o seu coração é guiado sempre pela misericórdia verdadeira.

2. Muito obrigada pela sua resposta. A nossa próxima pergunta é: como lidar com o sentimento de impotência e desânimo ante os sofrimentos e limitações? (Essa pergunta é a síntese de duas perguntas enviadas) 

Resposta:

Lembro-vos que o Cristo apareceu ao povoado essênio, que (eu) fazia parte, num momento de extremo testemunho. Tudo estava ameaçado, tudo parecia perdido. Os recursos, que eram os próprios membros de coração elevado, se dissipavam, pois muito morriam vítimas de terrível doença.

Deveis indagar: por que isso? Porque as limitações e os sofrimentos são condições que nós pedimos para ampliar nosso domínio sobre os sentimentos e sobre a matéria. Não devemos, portanto, nos sentir desmotivados ante os desafios da vida. Ao contrário, é necessário entender duas coisas, primeiro: nós solicitamos o desafio engrandecedor. Segundo: independente de nossos erros, o Cristo nos ampara.

Cultivando essa consciência a cada instante, nos tornaremos fortes, porque a revolta não vai dissipar as nossas energias e o Cristo irá completar as forças necessárias para nosso sucesso.

3. Muito obrigada por essa resposta. A nossa próxima pergunta é: por que nascemos em uma família que em nada se assemelha com os nossos ideais de espiritualidade?

Resposta:

A provação familiar é um tipo de prova específica de limitação e de sofrimento, conforme comentamos, das mais austeras. Sei o que é sentir-se órfão, como todos os espíritos que passaram por essas dificuldades. Porém, há algo de grandioso a ser conquistado por essa experiência. Porque, minha amiga, quando nos damos conta da grande solidão do mundo, que é estar em uma família sem afinidade, temos uma chance extraordinária: vincularmo-nos ao Mais Alto. Diria que se pode observar dois tipos de saída, de formas de lidar com essa problemática: afundar-se nos vícios do mundo, na correria desenfreada, nas realizações superficiais para esquecer e camuflar essa angústia ou concentrar-se e vincular-se ao Mais Alto, tarefa desafiadora, mas mil vezes compensada pela paz e pela harmonia e pelos verdadeiros amigos que podemos conquistar.

Os essênios, como sabeis, éramos um grupo, mas podemos dizer: um grupo de órfãos. A grande maioria, com pouca idade, por motivos variados, foi afastado das suas famílias de origem e mesmo de seu grupo cultural para viver em ambiente estranho e diverso. Mas nesse clima conseguíamos nos vincular ao Mais Alto e a partir do Mais Alto nos vinculávamos uns aos outros.

Mudam os cenários, a proposta é a mesma, pois jamais poderia ser outra: a ascensão espiritual por meio de uma busca intensa em conexões superiores. Apenas assim superamos as dores da vida.

                           Encontro 2: Iniciação pelo sentimento, hoje: Yvonne A. Pereira

4. A nossa primeira pergunta desse tema é: em todos os casos, é a energia sexual que devemos sublimar no trabalho mediúnico com os espíritos sofredores?

Resposta:

Todos precisamos sublimar as energias sexuais, inclusive no trabalho mediúnico, mas não só. É fundamental entender que o que chamamos na Terra de energia sexual é a energia das relações humanas, jamais limitada pela questão da relação física. Portanto, precisamos estabelecer um padrão de troca energética superior.

Toda vez que doamos energias desejando o bem do outro sublimamos nossas energias criadoras. Seja em reuniões mediúnicas, seja em abrigos, seja no amparo a idosos na rua, seja na proteção de crianças desvalidas, seja nas relações de sincera amizade.

Entendamos, apenas quando estabelecermos por meta íntima e sincera relações de amparo e de compreensão com todos aqueles que nos relacionamos, estejam eles encarnados ou desencarnados, estaremos sublimando efetivamente as energias da sexualidade. Portanto, não separemos o padrão de conduta com este ou aquele grupo.

O Cristo nos ensina: ajudemos a todos das formas necessárias. Ao lidar com alguém poderoso, podeis, discretamente, fazer uma prece. Ao lidar com alguém faminto, podeis fazer uma prece e estender o alimento. Ao lidar com alguém desencarnado, a mesma coisa.

Ajamos, pois, com a compreensão de que da forma como estabelecemos a nossa relação com o mundo, transformaremos o nosso mundo interior.   

5. Obrigada por essa resposta. A nossa próxima pergunta é a seguinte: os tormentos nesta vida são muitos, as dores variam em sintonia com os sofrimentos, como então sabermos no que falhamos em vidas passadas sem termos as memórias destas vidas? Como buscar purgarmos espiritualmente, sem conhecermos as razões de nossa existência?

Resposta:

Façamos uma comparação pegando referências da mentalidade atual, retratada, inclusive, em muitos de vossos filmes: alguém é encontrado morto, são feitos exames técnicos e, a partir disso, se diz: foi um ferimento ocasionado por um objeto perfurante de tantos centímetros, o golpe foi desferido de baixo para cima, a pessoa que desferiu o golpe era alguém de determinada altura, musculoso, forte etc, etc, etc. Investigai! As características de vossas feridas emocionais são mais que suficientes para um excepcional diagnóstico de que erro foi cometido.

É um ponto importante, porque muitos dizem: não sei o que fiz. Um exame acurado lhe daria informações preciosíssimas, da mesma forma como o exemplo que dei. É possível, pelo estado atual de vossas dores emocionais, fazer um diagnóstico muito preciso de vossos erros. Porém, infelizmente, poucos dos espíritas se dedicam com seriedade a isso. Querem uma ou outra informação mediúnica, às vezes, até por curiosidade. Outras, infelizmente, para transformar em objeto inclusive de status, de status negativo. “Ah, eu persegui os cristãos”, muitos dizem com um sorriso nos lábios. Mas não se perguntam: que monstros atuavam em meu coração naquela época? E a pergunta que interessa: ainda atuam em mim esses monstros? Monstros interiores, impulsos terríveis. Portanto, é preciso trazer para a atualidade as dores e as informações do passado para que sejam verdadeiramente úteis no aspecto da transformação sincera.

Além disso, conforme está registrado nos livros espíritas, é possível ter acesso às existências passadas. Léon Denis o fez e registrou e publicou em livros. Muitos outros também o fizeram. Não há nenhuma proibição nesse sentido. O próprio Cristo quando esteve conosco, nas experiências relatadas no livro A Grande Espera, revela a trajetória espiritual daqueles que o buscavam, conforme está relatado no livro. É de se compreender que outras coisas também foram reveladas.

Portanto, a busca sincera do diagnóstico e mesmo de informações de vidas passadas é algo sempre acessível aos estudiosos sérios, aos estudiosos de si mesmos, daqueles que têm um compromisso sincero e profundo de evoluir. Portanto, os meios não faltam. Falta a disposição real, falta a coragem , falta a continuidade, pois muitos tratam o assunto reencarnação mais como lazer do que como uma informação indispensável ao crescimento espiritual. Portanto, indicamos a análise sincera de vossas dores. A análise, por si só, encaminhará a solução, ao mesmo tempo, que o investimento sério na investigação das existências passadas.

         Encontro 3: Complexo de inferioridade e cristianismo: a mulher que sangrava

6. A nossa primeira pergunta nesse tema é: minha mulher acabou de falecer de Câncer de Pâncreas. Ela lutou durante 3 anos e 3 meses para obter a cura. Ela queria continuar encarnada. Mudamos substancialmente as nossas vidas durante esses 3 anos e 3 meses. Não foi o suficiente? O que precisaria mais ser feito? Jesus não escutou os pedidos dela? Ela não merecia ser curada?

Resposta:

Compartilhamos, meu irmão, da sua dor, desde o momento do primeiro contato com o nosso trabalho. Permita-nos comentar, de forma particular e geral, para a instrução de todos.

Estamos diante de um caso de vitória espiritual. Este é o objetivo da dor na Terra: o vosso verdadeiro crescimento. Considerai-vos, sim, vitorioso e vossa esposa, vitoriosa. Sabemos das dores profundas e das transformações angustiantes que ela passou. Esse é o objetivo da encarnação. Não é permanecer no mundo, mas, como ensina o Cristo: vencer o mundo. A vitória foi alcançada. Não podemos medir as verdadeiras conquistas pela mera saúde do corpo.

Portanto, lembramos, pois tratamos aqui do livro A Grande Espera: quantos servidores essênios sinceros não desencarnaram antes da chegada do Cristo? O Mestre traça um programa carinhoso para cada um de nós. Tantas vezes, a purgação dolorosa do corpo eleva a alma a regiões antes inalcançadas.

Digamos, portanto, meu amigo, que muitas vezes, como ensina o testemunho da cruz, a vitória da vida é concluída com a morte para uma vida superior. Entendamos: o amor do Cristo não se expressa apenas na cura física, mas na elevação espiritual. E como um irmão amoroso, às vezes, compreende que precisamos de experiências difíceis e Ele nos acompanha no testemunho. E, alegremente nos conduz a situações de verdadeira alegria e verdadeira paz.

A todos, portanto, que já sofreram a chamada perda do convívio diário no mundo material: pensai que, se suportardes com fé e equilíbrio, estareis vos preparando para um convívio extraordinário na vida verdadeira.

Cairbar de Sousa Schutel

Cairbar de Sousa Schutel

Coordenador espiritual do Curso Iniciação à Psicologia Crística.