Curso

Estudos 3 a 12

Diálogo Mediúnico

22 de dezembro de 2019

Paz e alegria em vossos corações. Que o Cristo tão amado possa florescer em vosso ser vos ensinando que a verdadeira vida é construída com o labor e o sacrifício que objetiva estreitar os laços da verdadeira fraternidade, estruturar uma vida íntima e coletiva em que Deus seja a referência máxima e a fraternidade sincera o padrão de relação em cada instante.

Podemos iniciar.

Encontro 3: Complexo de inferioridade e cristianismo: a mulher que sangrava

Estamos muito felizes com a sua presença hoje, amigo Cairbar. Sobre o encontro 3, cujo tema é Complexo de Inferioridade e Cristianismo, com a Mulher que Sangrava, nós iremos agora fazer duas perguntas em uma pergunta.

  1. As doenças da carne são facilmente perceptíveis, pois geram grandes desconfortos e sofrimentos físicos, mas as doenças do espírito, muito mais discretas, agem sobre nossa psique, levando-nos a valorizar e nos apegar ao materialismo e prazeres carnais, nos tornando egocêntricos e dependentes das satisfações sexuais. Como então, conseguirmos identificar e nos proteger contra estes males? Até que a “cura emocional” chegue, como tratar a hemorragia emocional?

Resposta:

O primeiro ponto significativo que gostaríamos de destacar é a necessidade do espírito querer dedicar-se a ver as suas feridas e sangramentos emocionais. Não é tarefa de todo difícil, do ponto de vista da obtenção clara, porém requer um imenso esforço. Para ser mais objetivo: requer um tanto de humildade. Não será difícil para ninguém observar a si mesmo e indagar-se: o que gera em mim medo? O que gera ansiedade? O que gera agitação doentia? E, a partir daí observar em si que elementos, que impulsos são contrários à lei de Deus. O egoísmo, a busca da acumulação indevida, a necessidade de destacar-se mais que os outros, são apenas exemplos facilmente observáveis em si mesmo. Surge a questão, uma vez que o indivíduo resolve com seriedade, como sugere Santo Agostinho no Livro dos Espíritos, a diariamente observar a si mesmo, ele irá identificar um conjunto de características que precisam ser transformadas para que ele se torne melhor cristão. Haverá aí em cada caso, em relação a cada imperfeição, um tempo de convivência com a imperfeição. O indivíduo a identifica e daí começa uma luta, uma negociação de transformação, até que ele chegue ao ponto de superar essa característica, haverá a necessidade de humildade. De reconhecer: possuo essa hemorragia emocional. E o termo é excelente, porque cada imperfeição enfraquece o espírito, é como se o fizesse sangrar energias. Por isso os espíritos muito evoluídos possuem um poder de realização extraordinário, porque eles não sangram, ou sangram menos, por serem portadores de menos imperfeições. Esse período é um período que exige uma postura muito austera para que não se fuja. É o período da vivência da humildade. Mas não estareis sós se quiserdes tocar o manto do Cristo. Se a cura não será imediata, ela será verdadeira. O Cristo se dispõe a estar convosco neste processo de cura. Eis o símbolo da cura da mulher hemorrágica: todos aqueles que buscarem compartilhar com o Cristo a sua enfermidade moral estarão na presença dele até que a cura completa se realize. Ele permite que você o toque até que a sua cura se realize. Essa é a questão central, minha amiga. Nesse convívio é preciso essa busca: “Senhor, ainda continuo sangrando emocionalmente. Ainda continuo lutando, às vezes ganhando e às vezes fracassando em relação a determinado impulso; quando me dou conta já estou envolto em um ambiente de fofoca, quando me dou conta já estou elaborando mentalmente intrigas”. A humildade levará você a buscar o Mestre, a tocá-lo mais uma vez. Neste processo, com muita devoção e atenção, o sangramento emocional irá sendo contido, a ferida irá diminuindo e um dia será plenamente curada. Então, a forma de conviver com isso é sempre, diariamente, tocando o Cristo. Num momento de silêncio e de humildade, relatando a Ele: Senhor, mais uma vez estou sangrando, ajuda-me, socorre-me. Mas, podeis argumentar, no episódio estudado a cura foi imediata, e aqui entrareis na compreensão dos símbolos: a mulher que busca ajuda humana não se cura e perde tudo por muitos anos de sofrimento. O que podemos explicar é que, relativamente, a cura do Cristo será sempre instantânea, será infinitamente mais rápida, será imensamente mais rápida em relação a qualquer outro método de cura. É isso que a história nos ensina. Vemos espíritos que, ao longo de milênios, dezenas e dezenas de séculos, buscam, arrogantemente, curar-se a si mesmo e não o conseguem. Observamos espíritos que em poucos anos de busca sincera de contato diário com o Cristo se curam. Se comparais anos com milênios, direis: é uma cura instantânea. Eis o símbolo da fé explicado de forma racional.

Encontro 8: Vício e Cristianismo, hoje: crítica destrutiva

  1. Muito obrigada pela sua resposta. Em relação ao encontro 8, cujo tema é Vício e Cristianismo hoje: crítica destrutiva, nós temos a seguinte pergunta: É de todo errado fazer pregações, sabendo das nossas próprias imperfeições? Qual é o momento certo para se iniciar?

Resposta:

Certamente é impossível não fazer pregações, entendendo que todos nós, por lei de Deus inviolável, sempre estamos vibrando e as nossas vibrações são verdadeiras pregações, quase sempre mais poderosas do que as pregações verbais. A questão, meu amigo, é a seguinte: quais são as reais intenções? Aquele que prega, que faz uma palestra, que se expressa verbalmente ensinando, mas que mantém-se consciente das próprias imperfeições o faz bem. Aquele que utiliza-se, como é tão comum nos centros espíritas hoje, da posição de palestrante para fingir evoluído trai o Cristo. Lembremos que não poucas vezes o respeitável apóstolo Pedro iniciava as suas pregações lembrando “eu neguei o Cristo por 3 vezes”. Não nos esqueçamos do admirável doutor de Tarso que tantas vezes fazia questão de destacar “eu, perseguidor dos cristãos”. Portanto, temperemos a nossa pregação com doses de verdades difíceis da nossa própria realidade espiritual. Não distorcendo como se faz hoje, como exibição, mas assumindo com toda a sinceridade as próprias limitações. E pregando, isto sim, porque isso podeis fazer, pregando como um espírito imperfeito, atrasado pode buscar o Cristo. Se a pregação se pauta pela verdade, é sempre aconselhável e acolhida por todos os que dirigem o movimento espírita.

Encontro 10: Rejeição da Luz e Cristianismo, hoje

  1. Muito obrigada por essa resposta. Em relação ao encontro 10, com o tema Rejeição da Luz e Cristianismo hoje, com o caso de Ernestina, temos a seguinte pergunta: se os espíritos menos esclarecidos obsessores, levam em consideração as imperfeições e os desejos impróprios do espírito encarnado, por que os centros espíritas ainda mantém sessões de desobsessão?

Resposta:

Porque a desobsessão, apesar de hoje ter um objetivo distorcido, tem um objetivo claro: de tratar a imperfeição de ambos. A desobsessão não pode ser vista como o afastar do obsessor. Essa é uma visão distorcida. Tirar uma espécie de demônio que perturba a vida do outro. A proposta da desobsessão, segundo Allan Kardec, é a educação de todos os envolvidos. É como uma briga na qual nenhum dos dois tem completa razão. Mas, se se busca ajuda, vai se atuar na ajuda de ambos e dizer: meu irmão, me parece que nesse aspecto você falhou. Para o outro também se deverá dizer a mesma coisa: caro amigo, avalie que neste ponto da discussão talvez você não tenha razão. A desobsessão não é um exorcismo, não uma expulsão do demônio. Até porque, do ponto de vista espírita, esse ser não existe. A desobsessão é um processo de início de fazer as pazes entre dois indivíduos que estão com uma dose de verdade e com uma dose de erro, fazendo com que cada um consiga auto avaliar-se.

Portanto, meu amigo, deveríamos, sim, questionar: por que manter desobsessões que são verdadeiras técnicas filosóficas de exorcismo? Porque não condizem com o centro espírita. Mas condiz a proposta educativa de auxiliar encarnados e desencarnados, porque ambos são igualmente necessitados de auto avaliarem-se à luz do Evangelho. Essa é a proposta do centro espírita. O atendimento fraterno deveria desenvolver uma verdadeira psicologia evangélica, psicologia crística, no sentido de “avaliemos como a sua conduta pode ser aperfeiçoada a partir das sugestões do Cristo. É necessária a reunião mediúnica para que se facilite este diálogo com o desencarnado. Mas defendemos a ideia que a metodologia deve ser, em essência, a mesma: diálogo com todos os envolvidos para que avaliem a sua conduta à luz da psicologia crística.

Encontro 11: Ascensão Espiritual: ensino da cruz

  1. Muito obrigada pela sua resposta. Em relação ao encontro 11, Ascensão Espiritual, sobre o ensino da cruz, nós temos a seguinte pergunta: se o sofrimento é condição indispensável para nossa evolução, então vamos levar muitíssimo tempo para progredir, porque ninguém por livre iniciativa sai à busca de sofrimento, não é?

Resposta:

Apenas os seres doentios saem à busca do sofrimento de forma consciente. São irmãos que carecem de um longuíssimo tratamento, porque eles violam a lei de amor, inclusive em relação a si mesmos. Em um quadro geral defendemos: não se deve buscar o sofrimento. O ser humano não teria a medida adequada para isso. Ao contrário, ensina a lei de preservação, que todos devemos trabalhar e mesmo lutar para evitar o sofrimento, essa é uma lei de Deus. Porém, como também podemos observar na vida de qualquer um existem dores que são absolutamente inevitáveis. Podemos citar os exemplos mais simples: o cansaço físico. Ninguém escapa nesse mundo de enfrentar vez ou outra um imenso desconforto devido ao cansaço físico. O que defendemos é: os sofrimentos não evitáveis devem ser encarados como auxiliares da evolução, sejam eles físicos, sejam eles emocionais. Mas aí há uma distância extraordinária entre evitar a dor e fugir da dor. E aqui a diferença será essencial para os que realmente irão evoluir e os que serão considerados covardes das lutas evolutivas. Daremos um exemplo: alguém amado desencarna. Não há como não sofrer. É indispensável que o indivíduo atenda a essa dor, observando-a, sentindo-a e superando-a. O indivíduo covarde irá defender-se no sentido de mecanismos de fuga, usando drogas, usando condutas promíscuas, usando hábitos perniciosos para fugir da dor. Então este, sim, demorará muito tempo para evoluir. Que fique claro: não defendemos a busca da dor. Mas quando ela se torna inevitável defendemos, sim, o seu enfrentamento. O Cristo em tudo é o modelo. Muitas vezes o nosso Mestre amado desmaterializa-se para não ser apedrejado. Não poderia permitir que fosse, porque não havia necessidade disso. Tantas vezes o Mestre materializa pão para que outros não sofram de fome. Nosso Mestre jamais foi um cultuador da dor, da miséria ou do sofrimento psíquico. Porém, chega o momento em que é necessário, indispensável enfrentar a dor, e assim o fez com dignidade extraordinária. Essa é a posição do seguidor do Cristo. Evita-se a dor ao máximo, mas não devemos fugir dela. Ainda aqui Pedro coloca-se como exemplo: por que negou o Cristo? Porque temia a dor. É a conduta que é o alerta para todo cristão. Sim, todos nós, vez ou outra, negaremos o Cristo por medo de sofrer, mas precisamos desenvolver como fez Pedro a consciência de todas as vezes que fugimos da dor para um dia, como ele exemplificou, enfrentar a própria crucificação. Portanto, entendamos, meu amigo, fugir não é o caminho cristão. Evitar a dor: sempre que possível. Lutar por uma vida confortável é dever humano. Lutar pela melhoria das condições materiais próprias e de todos é dever sagrado. Mas jamais fugir do enfrentamento necessário. Porque muitas vezes o nosso sofrimento é ampliado porque fugimos. Aquele que foge dos deveres do trabalho muitas vezes cai na miséria e sua dor é muito maior. Outras vezes, fugindo, consumindo substâncias tóxicas, gera-se uma dor muito maior no futuro, de doença e desarmonia emocional. Portanto, sim, defendemos, em nome do Cristo, que cada enfrente as suas próprias dores, mas também, conforme ensina o Cristo, evitemos todas as dores desnecessárias. Equilíbrio e coragem deve ser a pauta do cristão em seu dia a dia.

Encontro 12: Ascensão Espiritual, hoje: Allan Kardec

  1. Muito obrigada pela sua resposta. Em relação ao encontro 12, Ascensão Espiritual hoje, com o tema de Allan Kardec, nós temos a seguinte pergunta: quais outras formas de amar ao próximo como a si mesmo, além daquela citada acima por Cairbar Schutel “se não conseguis ainda amar a vosso próximo como a vós mesmos, começai negando-se a colaborar com a verdadeira desestruturação emocional do vosso próximo pela propagação inconsciente e desavisada de tudo aquilo que não seja mensagem de fraternidade pura e legítima”?

Resposta:

As formas de amar são incontáveis. Estais em um transporte público, vede alguém que pela face expressa sofrimento, orai por essa pessoa. Magnetizai-a com fluidos calmantes de forma discreta, sem sequer ser necessário fixá-la com a vista. Se estais em uma fila e vede alguém excessivamente impaciente, trocai de lugar com essa pessoa, assim você a marcará de forma agradável, será uma lembrança que ela carregará, quiçá, por muitos anos. Se estais em uma sala de aula e alguém faz uma pergunta tola, ou que todos julgam tola, evitai zombar da pessoa e, quem sabe, esforçai-vos por encontrar um ângulo inteligente naquela pergunta que outros julgam tola. Tendes tantas formas de fazer o bem que seria impossível enumerá-las. Colaborai com o outro de forma alegre, levai a alegria saudável aos vossos ambientes de frequência regular. Ficai atento aquele que sofre, observai os sinais daquele que se isola e que talvez caminhe para o suicídio. Perguntai, quando oportuno, a alguém que sofre: quais as dores que você carrega de forma oculta? A sua infância foi feliz ou sofrida? Compartilhai de forma sábia as vossas próprias histórias para que outros entendam que poderão compartilhar com você as suas dores. Como podeis entender, existem milhares de formas de amar ao próximo, de auxiliar e de verdadeiramente evitar tragédias emocionais e sociais desde que vossa postura seja equilibrada. Amar ao próximo é dar o exemplo de honestidade. Amar ao próximo é dar o exemplo de compreensão humana ao se analisar figuras públicas. Saibamos, portanto, que jamais faltarão a cada instante variadas formas de exercitarmos a nossa capacidade de amar ao próximo.

Cairbar de Sousa Schutel

Cairbar de Sousa Schutel

Coordenador espiritual do Curso Iniciação à Psicologia Crística.