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Jesus e o leproso

Uma dos valores mais importante para o povo hebreu, o povo em que Jesus nasceu, era o da pureza.

A ideia da pureza organizava toda a vida dos hebreus da época. Tudo era classificado entre pureza e impureza. A pureza buscada, a impureza reprimida. Havia animais puros e impuros, havia forma de se alimentar pura e impura; havia condutas puras e impuras… E muitas coisas tornavam uma pessoa temporariamente impura como, por exemplo, a menstruação. Estar impuro era pior do que hoje ser pobre em um grupo de ricos esnobes ou ser analfabeto em um grupo de doutores arrogantes ou andar mal vestido em grupos que são escravos da moda.

Entre as mais abomináveis impurezas estava a  lepra. Sinal evidente de permanente de impureza. Não falo apenas da impureza do corpo, a lepra era considerada um sinal de podridão da alma, condenação divina definitiva. Por causa desta interpretação infeliz, os religiosos rejeitavam os leprosos, segundo eles, Deus já os havia condenado.

O leproso era afastado, considerado morto, proibido de viver nas cidades e de se aproximar de qualquer pessoa não-leprosa. Não era fácil ser leproso nessa época, solidão, abandono, vergonha. Sabemos. Já vivemos esses sentimentos.

Essa condenação, na época do Cristo, já existia há milênios e era inquestionável. Observe o registo em um dos livro do Antigo Testamento, no livro chamado Levítico, no capítulo 13, versículos 44, 45 e 46.

Leproso é aquele homem; imundo está; o sacerdote o declarará totalmente imundo; na sua cabeça tem a sua praga.

Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgados, e a sua cabeça será descoberta; e cobrirá o lábio superior e clamará: Imundo, imundo.

Todos os dias em que a praga estiver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do dos muros da cidade.

Lepra significava condenação divina. É uma experiência extrema de exclusão. Condenação social, religiosa, divina.

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Agora, a pergunta central: como Jesus lida com a lepra e com os leprosos? O que desejava ele ensinar para os leprosos e para todos nós?

Veja a cena que está no Evangelho de Lucas (5:12 a 14).

E aconteceu que, enquanto ele estava em uma das cidades, eis que um homem cheio de lepra, ao ver a Jesus, prosternando-se, rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me.

O homem com lepra por todo o corpo, pede a Jesus: purifica-me. Purificar, porque ele se considerava impuro, o que, como já vimos, é muito pior que simplesmente estar doente.

Estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, seja purificado!

Jesus o toca, o que já seria motivo de escândalo. Mais ainda, diz que quer que ele seja purificado. Para os sacerdotes, é inaceitável! Como ele pode ousar curar uma condenação divina?!

Como pode Jesus querer tirar alguém do inferno da lepra, quando a pessoa foi colocada lá por Deus! Assim, pensam os sacerdotes da época: esse jovem é um louco! Mas, o que aconteceu? Veja.

E imediatamente a lepra afastou-se dele.

E isso gera um imenso problema para os preconceitos da época! Além da atitude ousada e inaceitável de Jesus, a cura acontece! Por isso, nesse momento, chegamos ao limite da compreensão humana da época. Há milênios todos sabiam que a lepra era uma condenação divina… E todas as sábias autoridades repetiam isso constantemente.

Como assim?! Diria você se visse essa cena! Imagina assistir essa cena. Elas causam profunda comoção em toda a sociedade: os olhos vêem, o coração sensibiliza-se, o cérebro não consegue entender.

Como um jovem pode reverter uma condenação divina?! Como pode ele incluir quem, diziam os sacerdotes, Deus excluíra?!

Voltando a viver ainda que com o mesmo povo, o leproso que aprendeu com sua experiência de isolamento nunca mais será o mesmo.

A reintegração promovida por Jesus é uma reintegração superior. Por isso ele disse, não vim trazer a paz, mas a espada, quer dizer, não venho estabelecer ou manter a ordem inferior do grupo humano atual, venho renovar! Venho causar uma desintegração, para reordenar a estrutura emocional dos espíritos e dos grupos da Terra.

Para que Jesus possa fazer isso conosco é indispensável entendermos que o Mestre nos ama e aceita como somos, independente de qualquer tipo de lepra de carregamos, independente de todos os preconceitos de nossa sociedade.

É necessário apenas que busquemos seu amparo. Não há exigências descabidas, nada ele exige do leproso que o busca com fé. Assim se expressa um amigo espiritual sobre o simbolismo da cura da lepra pelo Cristo,

É o símbolo de que os piores condenados possuem regeneração… Esse é o resgate da lepra: não é apenas a cura de uma doença física terrível.

Não se restringe ao restabelecimento maravilhoso das energias do corpo, mas é o resgate da própria dignidade espiritual do indivíduo perante os olhos de todos. Porque aos olhos da sociedade da época do Cristo, a lepra não era uma indignidade física era, acima de tudo, a prova de uma condenação divina irrevogável.

A mensagem é: Deus resgata todos os seus filhos por meio de Jesus de Nazaré.

Para os religiosos, era o escândalo inaceitável, a reversão da vontade do Todo Poderoso. Para o povo, a prova mais profunda da misericórdia do Pai. Para mim, a certeza de que independente de meus erros, defeitos e situação social, o Mestre sempre me resgatará, sempre me incluirá em uma situação superior, desde que eu peça com fé: Senhor, se quiseres, podes me integrar com o Pai.

A mim, não interessa a sua lepra, interessa-me que você vai ser curado, segundo a tua vontade.
Você quer que o Cristo te resgate de tuas dores e medos? Ele pode integrar tua mente, se ela estiver confusa; ele pode purificar teus sentimentos; ele pode acalmar teu coração.

Penso que a cura do leproso tem essa mensagem, se eu ou você pedirmos com fé, Ele nos tocará e nos dará o que pedirmos com sinceridade. Nossas lepras emocionais são problemas de fácil solução para Aquele que é o Enviado de Deus ao mundo, se quisermos fazer a nossa parte.