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Os Mensageiros

Extraído do livro Os Mensageiros, André Luiz (Espírito), psicografado pelo médium Francisco C. Xavier em 1944, publicado pela editora Feb.

O espírito de André Luiz, acompanhando um grupo de médiuns que faliram em sua última missão na Terra, apresenta, entre outros, o seguinte relato que se relaciona com o nosso tema: a rejeição da luz, hoje.

No capítulo 9, Ouvindo Impressões,

The Weeping Burgher (Andrieu d'Andres),modeled 1885, cast ca. 1908–9 Auguste Rodin French

Nesse instante, chamou-me Vicente para apresentar um amigo.

Ao nosso lado, outro grupo de senhoras conversava animadamente:

— Afinal, Ernestina — indagava uma delas mais jovem — qual foi a causa do seu desastre?

— Apenas o medo, minha amiga — explicou-se a interpelada —, tive medo de tudo e de todos. Foi o meu grande mal.

—  Mas, como tudo isto impressiona! Você foi muitíssimo preparada.

Recordo-me ainda das nossas lições em conjunto. As instrutoras do Esclarecimento confiavam extraordinariamente no seu concurso. Seu aproveitamento era um padrão para nós outras.

— Sim, minha querida Lesta, suas reminiscências fazem-me sentir, com mais clareza, a extensão da minha bancarrota pessoal. Entretanto, não devo fugir à realidade. Fui a culpada de tudo. Preparei-me o bastante para resgatar antigos débitos e efetuar edificações novas; contudo, não vigiei como se impunha. O chamamento ao serviço ressoou no tempo próprio, orientando-me o raciocínio a melhores esclarecimentos; nossos instrutores me proporcionavam os mais santos incentivos, mas desconfiei dos homens, dos desencarnados e até de mim mesma. Nos estudiosos do plano físico, enxergava pessoas de má fé; nos irmãos invisíveis presumia encontrar apenas galhofeiros fantasiados de orientadores, e, em mim mesma, receava as tendências nocivas. Muitos amigos tinham conta de virtuosa, pelo rigorismo das minhas exigências; todavia, no fundo, eu não passava de enferma voluntária, carregada de aflições inúteis.

— Foi uma grande infantilidade da sua parte — retrucou a outra —, você olvidou que, na esfera carnal, o maior interesse da alma é a realização de algo útil para o bem de todos, com vistas ao Infinito e à Eternidade. Nesse mister, é indispensável contar com o assédio de todos os elementos contrários.

Ironias da ignorância, ataques da insensatez, sugestões inferiores da nossa própria animalidade surgirão, com certeza, no caminho de todo trabalhador fiel.

São circunstâncias lógicas e fatais do serviço, porque não vamos ao mundo psíquico para descanso injustificável, mas para lutar pela nossa melhoria, a despeito de todo impedimento fortuito.

— Compreendo, agora — disse a outra —; todavia, o receio das mistificações prejudicou minha bela oportunidade.

— Minha amiga — tornou a interlocutora — é tarde para lamentar.

Tanto tememos as mistificações, que acabamos por mistificar os serviços do Cristo.