Segunda leitura – Efeitos da compreensão da reencarnação

Enciclopédia Britânica das religiões do mundo

Traduzimos o verbete - Reencarnação

[Apresentamos esse texto por ele cobrir de uma forma geral a ideia da Reencarnação, bem como, evidenciarmos alguns erros básicos cometidos por quem não estudou atentamente o tema. Nossos comentários estarão em destaque, entre colchetes.]

REENCARNAÇÃO, também chamada transmigração, ou metempsicose, crença no renascimento da alma em uma ou mais existências sucessivas, que podem ser humanas, animais, ou, em alguns casos, vegetais.

[A Enciclopédia Britânica comete um erro grosseiro ao igualar dois conceitos que diferem significativamente, o de Reencarnação e o do Metempsicose, o que nos mostra o desconhecimento aprofundado do assunto dos responsáveis pelo texto e por sua revisão]

Embora a crença na reencarnação seja mais característica das religiões e filosofias asiáticas, ela também aparece no pensamento religioso e filosófico das religiões indígenas e em religiões do antigo Oriente (por exemplo, os mistérios órfãos gregos), no Maniqueísmo e em alguns movimentos gnósticos, bem como em movimentos religiosos modernos como o Teosofia.

Nas religiões indígenas, a crença em múltiplas vidas é comum. A alma é freqüentemente vista como sendo capaz de deixar o corpo pela boca ou narinas e de renascer, por exemplo, como um pássaro, uma borboleta ou um inseto. O Venda da África Austral acreditam que, quando uma pessoa morre, a alma fica perto da sepultura por um curto período de tempo e depois procura um novo lugar de descanso ou outro corpo – humano, mamífero ou reptiliano.

Entre os antigos gregos, o orfismo sustentava que existe uma alma preexistente que sobrevive à morte corporal e depois reencarna em um corpo humano ou outro corpo de mamífero, eventualmente recebendo liberação do ciclo de nascimento e morte e reencontrando seu antigo estado puro. Platão, no século 4-5 a.C, acreditava em uma alma imortal que participava de encarnações freqüentes.

As religiões asiáticas, especialmente Hinduísmo, Janismo, Budismo e Siquismo (todas surgidas na Índia) sustentam em comum a doutrina do Karma (“ação”), a lei de causa e efeito, que afirma que o que se faz nesta vida atual terá seu efeito na próxima vida. No hinduísmo, o processo de nascimento e renascimento – ou seja, a transmigração das almas – termina menos até que se atinja o Moskha, ou salvação, ao compreender a verdade que liberta – quer dizer, que a alma individual (ET-MAN) e a alma absoluta (BRAHMAN) são uma só. Assim, pode-se escapar da roda do nascimento e do renascimento (Sansara).

O janismo, refletindo uma crença em uma alma absoluta, sustenta que o carma é afetado em sua densidade pelos atos que uma pessoa faz. Assim, o fardo do antigo carma é adicionado ao novo carma que é adquirido durante a próxima existência até que a alma se liberte por disciplinas religiosas, especialmente pela AHIU- SE (“não violência”), e se eleve ao lugar das almas liberadas no topo do universo.

Embora o budismo negue a existência de uma alma imutável e substancial, ele se apega à crença em múltiplas existências. Um complexo de elementos psicofísicos e estados que mudam de momento para momento, o eu, composto pelos cinco Skandhas (“grupos de elementos”) – ou seja, corpo, sensações, percepções, impulsos e consciências – é o que existe na morte do indivíduo, mas o carma falecido o condiciona o nascimento de um novo eu. Ao se tornar um monge e praticar disciplina e meditação, pode-se parar a roda do nascimento e do renascimento e alcançar o Nirvana, a extinção dos desejos e do sofrimento.

O Siquismo ensina uma doutrina de reencarnação baseada na visão hindu, mas além disso sustenta que, após o Último Julgamento, as almas – que foram reencarnadas em várias existências – serão absorvidas em Deus.

[Outro elemento falho nesse verbete é a omissão do Espiritismo, pois o Brasil, em larga medida por conta do Espiritismo, é o maior país reencarnacionista do ocidente com 37% da população reencarnacionista].

Texto em inglês

REINCARNATION, also called transmigration, or metempsychosis, belief in the rebirth of the soul in one or more successive existences, which may be human, animal, or, in some instances, vegetable. While belief in reincarnation is most characteristic of Asian religions and philosophies, it also appears in the religious and philosophical thought of indigenous religions, in some ancient Middle Eastern religions (e.g., the Greek Orphic mysteries), MANICHAEISM, and some Gnostic movements, as well as in such modern religious movements as THEOSOPHY.

In indigenous religions, belief in multiple souls is com- mon. The soul is frequently viewed as being capable of leaving the body through the mouth or nostrils and of being reborn, for example, as a bird, butterfly, or insect. The Ven- da of southern Africa believe that, when a person dies, the soul stays near the grave for a short time and then seeks a new resting place or another body—human, mammalian, or reptilian.

Among the ancient Greeks, Orphism held that there is a preexistent soul that survives bodily death and is later reincarnated in a human or other mammalian body, eventually receiving release from the cycle of birth and death and re- gaining its former pure state. Plato, in the 5th–4th century ), believed in an immortal soul that participates in frequent incarnations.

The Asian religions, especially HINDUISM, JAINISM, BUDDHISM, and SIKHISM (all of which arose in India) hold in com- mon a doctrine of KARMA (“act”), the law of cause and effect, which states that what one does in this present life will have its effect in the next life. In Hinduism the process of birth and rebirth—i.e., transmigration of souls—is end- less until one achieves MOKSHA, or salvation, by realizing the truth that liberates—i.e., that the individual soul (ET- MAN) and the absolute soul (BRAHMAN) are one. Thus, one can escape from the wheel of birth and rebirth (SAUSERA).

Jainism, reflecting a belief in an absolute soul, holds that karma is affected in its density by the deeds that a person does. Thus, the burden of the old karma is added to the new karma that is acquired during the next existence until the soul frees itself by religious disciplines, especially by AHIU- SE (“non injury”), and rises to the place of liberated souls at the top of the universe.

Although Buddhism denies the existence of an unchanging, substantial soul, it holds to a belief in multiple existences. A complex of psycho-physical elements and states changing from moment to moment, the self, composed of the five SKANDHAS (“groups of elements”)—i.e., body, sensations, perceptions, impulses, and consciousness—ceases to exist at the individual’s death, but the karma of the de- ceased conditions the birth of a new self. By becoming a monk and practicing discipline and meditation, one can stop the wheel of birth and rebirth and achieve NIRVANA, the extinction of desires and suffering.

Sikhism teaches a doctrine of reincarnation based on the Hindu view but in addition holds that, after the LAST JUDGMENT, souls—which have been reincarnated in several existences — will be absorbed in God.