Diálogo Mediúnico
Que o Cristo possa nos iluminar nesse instante a nós, seus servidores pequeninos, que ofertamos o nosso coração à obra do Senhor deste mundo para que consigamos, unindo-nos uns aos outros e ao coração magnânimo do Mestre, realizar a nossa pequena parte na imensa tarefa de regeneração dos corações terrenos, obra que Deus confia a Jesus de Nazaré. Podemos iniciar.
Muito obrigada pela sua presença, amigo Cairbar. Como nós podemos nos preparar para que a rejeição social não nos impeça de cumprir a nossa missão?
Refletir com seriedade nos lúcidos ensinos de Allan Kardec. Os espíritas que já conhecem os conceitos do mestre de Lyon serão responsabilizados se não os aplicarem nas próprias vidas.
Entender, inicialmente, que viver na Terra se trata de viver em um dos planetas mais infelizes do universo. Que os espíritos que aqui habitam são seres atrasados e grosseiros, indivíduos acostumados a satisfazer às próprias necessidades, ignorando as necessidades mais elementares de seus irmãos.
É necessário compreender isso para que vos torneis discípulos sinceros de Jesus de Nazaré. A brutalidade, diária, com que o indivíduo aqui hoje citado foi tratado é comovedora para todo amante sensível do Bem e da Verdade.
Um espírito nobre e lúcido que se dispôs vir à Terra para auxiliar seus irmãos em sofrimento, amargou diariamente a exclusão da sociedade que veio servir. Essa é a imagem de todos aqueles que veem ao mundo e se inspiram em Jesus de Nazaré, independente da religião, da crença, do local de nascimento. Porque eles se tornam incompreendidos pela sociedade que servem.
O preconceito que sofreu esse amigo foi muito além do preconceito da cor da pele, porque também muitos negros não o entendiam e o criticavam dizendo que ele submetia aos brancos como um tolo e inútil, como um serviçal estúpido. O que esse irmão sofreu de incompreensão de brancos e negros é uma dose imensa que foi suportada por uma renúncia verdadeira. Mas esse não é um caso isolado.
Entendais, meus irmãos e amigos, quantos mais vos aproximardes do coração generoso do Mestre, menos o mundo vos compreenderá. Como uma sociedade que tem por ídolos, e os adora de forma fanática, atletas desequilibrados, artistas doentes da emoção poderá entender a devoção doce de um cristão sincero? A abnegação diária daquele que está construindo a paz para as gerações futuras? Quando todos os ídolos atuais repetem e clamam diariamente: aproveitemos os gozos da vida material, usufruamos ao máximo e não nos importa o futuro da humanidade! Como aqueles que servem a Mamon terão a sensibilidade emocional e psíquica de compreender os que servem ao Enviado de Deus?
Meus filhos, disse o Cristo, o mundo vos odiará por minha causa. Mas as palavras do Mestre não eram de condenação, mas de uma ternura suprema por seus discípulos que se dispunham a servir mesmo sofrendo a rejeição de suas comunidades mais queridas.
Ao Mestre, houve a rejeição máxima da cruz para que seus discípulos não se iludissem que o mundo não os entenderia, porque o reino do Cristo cabe a nós instalá-lo na Terra, iniciando pelos nossos corações. Porque o reino do Cristo se instalará com a ajuda de nossas mãos imperfeitas, mas obedientes ao comando do amor.
Por isso, não nos enganemos, só há um caminho para que o medo da rejeição não petrifique os nossos corações: é entender que o mundo não nos rejeita, o mundo rejeita ao nosso Mestre.

