PodSim 94 Ano Novo

Resumo: Esse é o momento em que avaliamos nossa caminhada dos últimos doze meses. Trouxemos algumas reflexões que podem ajudar em sua avaliação e apresentamos de forma um sucinta nossa avaliação do ano do Grupo Marcos.

Feliz 2017!!!

 



 


 

Significação do Ano Novo para a concepção espírita

Importância da medida relativa do tempo no processo de evolução espiritual do homem – Uma lição de “A Gênese”

Encontramos no capítulo sexto de A Gênese, de Allan Kardec, esta curiosa definição: “O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias”. Devemos então desprezar o tempo, não nos importarmos com as convenções do calendário? O fim do ano, por exemplo, nada mais seria do que um limite convencional, sem maior significação para a vida humana? “Nem o tempo nem o espaço existem, para o homem que conhece o eterno”, afirmou o pensador indiano Khrishnamurti. Os espíritas e os espiritualistas em geral, que conhecem a eternidade da vida e a imortalidade da alma, não deveriam levar em consideração as medidas relativas de espaço e de tempo?

Todo esse capítulo sexto de A Gênese, a que nos referimos, trata dos problemas fundamentais de espaço, tempo, matéria, espírito, criação e vida. E se nos mostra a relatividade de nossos conceitos, também nos demonstra a importância do relativo, no processo de nosso desenvolvimento espiritual. Trata-se do famoso capítulo sobre uranografia geral, recebido do espírito de Galileu, pelo astrônomo e médium Camille Flammarion, na Sociedade Espírita de Paris, entre 1862 e 1863. Kardec o incluiu em A Gênese, sob a orientação do Espírito Verdade, como um dos pontos essenciais do livro.

Conhecemos a concepção do Universo como estrutura tríplice, que nos é dada no capítulo segundo de O Livro dos Espíritos.

O Universo se constitui de dois elementos fundamentais: espírito e matéria, subordinados ao poder supremo de Deus. Assim, a trindade universal, como assinala Kardec, é esta: Deus, Espírito e Matéria. No citado capítulo sexto de A Gênese vamos encontrar a apreciação dos conceitos de espaço e tempo, em função dessa mesma concepção do Universo. Ambos nos são apresentados como formas conceptuais e, portanto, finitas, condicionadas à relatividade dos sentidos humanos, daquilo que poderíamos chamar o “imenso infinito” da realidade superior que nos escapa.

Esquematizando o problema, para torná-lo mais compreensível, podemos expô-lo assim, dentro da própria explicação do texto:

1º) O Universo, na sua constituição tríplice, é infinito em todos os sentidos: tanto espacial, quanto temporal e conceptual.

2º) O espaço é apenas a medida relativa da extensão, qualidade perceptível da imensidade. Quer dizer: existe a imensidade, da qual percebemos a extensão, que nos permite formular o conceito de espaço.

3º) O tempo é apenas a medida relativa da sucessão das coisas, na duração, que é a qualidade perceptível da eternidade.

Quer dizer: existe a eternidade, da qual percebemos a duração, que nos permite formular o conceito de tempo.

4º) Imensidade e Eternidade, como aspectos do Absoluto, que mal podemos imaginar, pertencem à Realidade superior, ao plano supremo da Criação, onde conseguimos intuir a presença de Deus.

A medida do tempo, que nos leva a marcar os dias, os meses e os anos, embora convencional, tem, portanto, uma realidade que a fundamenta. Contando os anos, estamos contando a nossa percepção do fluir da duração na eternidade, da mesma maneira por que, contando os quilômetros, estamos contando o fluir da extensão na imensidade. E tanto o tempo quanto o espaço são reais para nós, em nossa condição de seres que vivem no mundo do relativo.

Não podemos viver sem contá-los, sem levar em consideração a existência real do espaço e do tempo.

Mas o que importa, do ponto de vista espírita, é compreendermos a relatividade das coisas, de maneira a nos servirmos delas como necessidades imediatas, sem transformá-las em realidades absolutas. O espaço e o tempo devem ser, para nós, que conhecemos o Eterno, instrumentos de compreensão da Realidade superior, e não formas de apego à realidade transitória. Foi isso que Jesus ensinou, ao declarar que aquele que se apegasse à vida perdê-la-ia, mas aquele que a perdesse encontrá-la-ia. Porque se apegar à vida é ligar-se inteiramente aos conceitos relativos de espaço e tempo, considerando a passageira encarnação terrena como a única forma de vida, depois da qual só existe a morte.

Mas desapegar-se da vida é compreender a sua relatividade, a sua natureza transitória, e por isso mesmo aprender, com os ensinos de Jesus, a utilizá-la como simples meio de progresso espiritual, para a nossa ascensão a uma vida maior. Cada ano que finda, em nossa existência temporária na Terra, é uma fração do tempo que usamos, bem ou mal, em nosso processo evolutivo. O fim do ano é assim uma oportunidade para avaliarmos o nosso bom ou mau uso do tempo, realizando o balanço de nossa vida, da mesma maneira porque as empresas comerciais procedem ao seu balanço anual de atividades, lucros e perdas. É tão errado pensarmos que o fim do ano nada significa quanto lhe atribuirmos excessiva importância. O ano chega ao fim: pensemos no que fizemos durante o seu transcurso e vejamos o que podemos fazer de melhor, no decorrer do novo ano. Mas, se verificarmos que perdemos o ano que finda, não nos desesperemos.

Temos pela frente um novo ano, ainda intacto, como um presente do Eterno, para o nosso desenvolvimento na duração.

Extraído do Livro O Infinito e o Finito, de J. Herculano Pires, editora Correio Fraterno ABC

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s