Nova Geração # 197 – Saber quem você é


https://youtu.be/8OWGep1gKYA

Em Tudo quanto Olhei Fiquei em Parte

Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa 
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto 
Fenece, e vai com ele 
Parte da minha vida

Em tudo quanto olhei fiquei em parte. 
Com tudo quanto vi, se passa, passo, 
Nem distingue a memória 
Do que vi do que fui. 

Ricardo Reis, in “Odes”. Heterónimo de Fernando Pessoa

Livro dos Espíritos

Segunda Parte – Mundo Espírita ou Dos Espíritos – Capítulo 7

398. Sendo as tendências instintivas do homem uma reminiscência de seu passado, segue-se que, pelo estudo dessas tendências, ele possa conhecer as faltas que cometeu?

“Até um certo ponto, sim; mas, é preciso levar em conta a melhora que pôde operar-se no espírito e as resoluções que tomou no estado errante; a existência atual pode ser muito melhor do que a precedente.”

a) Poderá ser pior, isto é, o homem pode cometer, numa existência, faltas que não cometeu na existência precedente?

“Isto depende do seu adiantamento; se não souber resistir às provações, pode ser arrastado a novas faltas, que são a consequência da posição que escolheu; geralmente, porém, estas faltas denotam muito mais um estado estacionário do que um estado retrógrado, pois o espírito pode se adiantar ou estacionar, mas não retrocede.”

399. As vicissitudes da vida corporal sendo, ao mesmo tempo, uma expiação das faltas passadas e provas futuras, segue-se que, pela natureza dessas vicissitudes, se possa deduzir o gênero da existência anterior?

“Muito frequentemente, visto que cada um é punido por aquilo em que pecou; todavia, não se deve fazer disto uma regra absoluta; as tendências instintivas são um indício mais seguro, pois as provações que o espírito experimenta referem-se tanto ao futuro, quanto ao passado.”

Ao chegar ao termo marcado pela Providência para sua vida errante, o espírito escolhe, ele próprio, as provas a que quer se submeter para apressar seu adiantamento, isto é, o gênero de existência que julga o mais apropriado para lhe fornecer os meios, e essas provas estão sempre relacionadas com as faltas que ele deve expiar. Se delas triunfa, eleva-se; se sucumbe, tem que recomeçar.

O espírito goza sempre de seu livre-arbítrio; é em virtude dessa liberdade que, no estado de espírito, ele escolhe as provas da vida corporal e que, no estado de encarnado, ele delibera se fará ou não, e escolhe entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio, seria reduzi-lo à condição de máquina.

Tendo retornado à vida corporal, o espírito perde, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse; todavia, algumas vezes, delas possui uma vaga consciência, e estas podem até ser-lhe reveladas, em certas circunstâncias; mas, então, isto só se dá pela vontade dos espíritos superiores, que o fazem espontaneamente, com um fim útil, nunca para satisfazer uma vã curiosidade.

As existências futuras, em nenhum caso, podem ser reveladas pelo fato de dependerem da maneira segundo a qual efetua-se a existência presente e da escolha ulterior do espírito.

O esquecimento das faltas cometidas não constitui um obstáculo à melhoria do espírito, pois, se não tem uma lembrança precisa delas, o conhecimento que delas possuía no estado errante e o desejo que experimentou de repará-las, guiam-no, através da intuição, e dão-lhe a ideia de resistir ao mal; essa ideia é a voz da consciência, na qual é secundado pelos espíritos que o assistem, se ele escuta as boas inspirações que lhe sugerem.

Se o homem não conhece os próprios atos que cometeu nas suas existências anteriores, pode sempre saber de que gênero de faltas ele se tornou culpado e qual retorno à vida corporal era seu caráter dominante. Basta-lhe estudar a si mesmo, e pode julgar o que foi, não pelo que ele é, mas pelas suas tendências.

As vicissitudes da vida corporal são, ao mesmo tempo, uma expiação, com relação às faltas passadas, e provas, para o futuro. Elas nos depuram e nos elevam, conforme as suportamos, com resignação e sem-reclamação.

A natureza das vicissitudes e das provas que experimentamos pode também nos esclarecer sobre o que fomos e sobre o que fizemos, assim como julgamos, neste mundo, os atos de um culpado pelo castigo que a lei lhe inflige. Assim, este será castigado, no seu orgulho, pela humilhação de uma existência subalterna; o mau rico e o avarento, pela miséria; o que foi cruel para os outros, pelas crueldades que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão de seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado, etc.

Mensagem de Encerramento

Filhos e filhas amados, que o Cristo nos inspire sempre!

Neste tema tão precioso precisamos da ajuda do Mestre, bem como, precisamos da ajuda dos anjos guardiões. Importante que vocês peçam ajuda de forma particular, de forma específica: meu anjo guardião, que tendências minhas do passado são as mais fortes, são as que mais moldam o meu jeito de ser hoje? Vocês têm de orar e pedir para que o anjo guardião possa ajudá-los a ver tudo isto.

Vocês são seres que só irão crescer lidando sabiamente com o passado. Quando, não foi Sócrates que disse isto, ele divulgou, quando espíritos guias da humanidade ensinam: conhece-te a ti mesmo, tudo na medida correta –  estão ensinando a vocês algo valioso que vocês não conhecem.

Conhecer a si mesmo, em relação às vidas passadas, não é um desfile de informações. Não serve isto. Precisamos de uma compreensão de sentimentos, de tendências emotivas, de buscas milenares. Como vocês vão crescer se vocês não sabem quais foram as principais buscas milenares que vocês tiveram? E adianto assunto: vocês precisariam saber quais foram às buscas milenares nos últimos dois mil anos. Não estou dizendo saber de encarnações de época tal, não é isto! Mas vocês precisam pedir aos anjos guardiões intuições claras. Da forma a técnica possível: sonho, psicografia, como for possível… Mas tem de ser profunda e sentida.

Quais foram filhos? Buscas milenares, nos últimos dois mil anos, quais foram as três coisas que vocês mais buscou? É uma vergonha: espíritas não saibam disto. Sabem falar fofocas reencarnatórias.

Outro dia eu desdobrei um destes espíritas que vivem perturbando o movimento, porque reencarnação disto é fulano… Reencarnação dos outros… Levamos ele para um grupo de estudo e pesquisa. Ele foi o nosso pesquisado e também aprendeu. A pergunta, depois de mostrar tudo, não vou contar detalhes, mas era esta, porque não temos tempo para isto.

Filho, quais são as três buscas principais que você realizou nos últimos dois mil anos? Desde que a Luz pôs os pés no mundo? Conte-me. Não sabia. Eu preciso saber isto? Perguntou-me Eu respondi com a pergunta: você precisa saber das vidas dos outros, por quê? Você acha que não precisa saber das suas três buscas milenares, mas acha que é importante estar falando de vida histórica de a, b, c, sem proveito nenhum.

Esse tema tem de ser tratado pela Nova Geração desta forma e aqui está um ponto que norteia para quem quiser trabalhar: não é briga estúpida, é busca de compreensão.

  • Qual foi a vida deste espírito?
  • Qual a foi a busca emocional dele?
  • Qual foi o compromisso sério que ele assumiu com o Cristo? Cumpriu ou não?

Isto interessa! Porque isto eleva, porque isto causa estímulo de crescimento. Quando tivermos mentes educadas pelo O Livro dos Espíritos será feito, se vocês seguirem Kardec, não seria bom saber disto? Quais foram às buscas milenares deste indivíduo, desta individualidade. Não briga, não estupidez, não loucura vaidosa.

Pergunte ao seu anjo guardião, amigo oculto e verdadeiro, porque ele simbolicamente tem a chave de todas as respostas. Ele é o amigo que guarda o segredo para lhe contar, quando você pedir. Peça constantemente na prece noturna ou na prece quando acorda: amigo, quais são as três grandes tendências que carreguei e carrego nos últimos dois mil anos.

Isto é útil, isto eleva, lhe ajuda a caminhar para a Luz. Façamos isto e estaremos honrando a memória deste grande espírito que tanto amo, chamado de Allan Kardec.

Paz a todos, do amigo espiritual de sempre.

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