Educação Espírita: um Convite à Juventude – Reencarnação -2

Estudamos o impacto da trajetória espiritual milenar na atual existência. Considerar o passado provável é essencial para entendermos e nos prepararmos para os desafios que devemos enfrentar na atualidade.

 

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Educação Espírita: um Convite à Juventude

Módulo – Reencarnação

Encontro 2 – Impulsos Atuais do Passado

 

Memórias de um Suicida

Terceira Parte – A Cidade Universitária – IV – O Homem Velho

Seguira, não obstante, o curso do tempo arrastando-me a lutas constantes. Reencarnações se sucederam através dos séculos… Eu pertencia às trevas… e durante o intervalo de uma existência a outra, aprazia-me permanecer nas inferiores camadas da animalidade!

 Convites reiterados para os trabalhos de regeneração recebia eu em quaisquer planos a que me impelisse a sequência do existir, fosse na condição de homem ou na de Espírito despido das vestes carnais, porquanto também nas regiões astrais inferiores ecoam as doçuras do Evangelho e a figura sublime do Crucificado é apontada como o modelo generoso a imitar-se!

Mas fazia-me surdo, enceguecido pela má vontade dos instintos, tal como sucede a tantos outros…

Posso até asseverar que nem mesmo chegava a perceber com a devida clareza a diferença existente entre a encarnação e a estada no Invisível, pois era o meu modo de ser sempre o mesmo: a animalidade! Hoje sei que a lei imanente do Progresso, qual ímã sábio e irresistível, me impelia para novas possibilidades em corpos carnais, sob orientação de devotados obreiros do Senhor, fazendo-me renascer como homem a fim de que os choques da expiação e as lutas incessantes inerentes às condições da vida na Terra, os sofrimentos inevitáveis, oriundos do estado de imperfeição tanto do planeta como da sua Humanidade, me desenvolvessem lentamente as potências da alma embrutecida pela inferioridade. Na época a que me reporto, no entanto, nada disso percebia, e tanto a existência humana como o interregno no além túmulo se me afiguravam uma e a mesma coisa!

Mas através dos séculos experimentei também grandes infortúnios.

Criminoso impenitente, atendo-me às práticas nefastas do mal, sofria, como é natural, o reverso de minhas próprias ações, cujos efeitos em meu próprio estado se refletiam. Subia, por vezes, a alturas famosas da escala social terrena, fato esse que não implica a posse de virtudes, porque eram ilimitadas as ambições que me orientavam! Tais ambições, porém, vis e degradantes, levavam-me a quedas morais retumbantes, chafurdando-me cada vez mais no pântano dos deméritos, e para minha Consciência criando responsabilidades atordoadoras!

Todavia, minhas renovações carnais sempre se realizaram entre povos cristãos. Tudo indica, na vida laboriosa e disciplinada do Invisível, que os Espíritos são registrados em falanges ou colônias, e sob seus auspícios é que se educam e evolvem, sem se desagregarem de sua tutela senão já quando completado o ciclo evolutivo normal, isto é, uma vez adquiridos cabedais que lhes permitam transmutações operosas e úteis ao bem próprio e alheio. O certo é que nunca me desloquei das Gálias ou da Ibéria, até o momento presente.

A idéia da regeneração começou a se insinuar em minhas cogitações à força de percebê-la sussurrada aos meus ouvidos através da fieira do tempo, quer me encontrasse na Terra sob formas humanas ou mergulhado nas penumbras espirituais próprias dos seres da minha inferior categoria.

Aceitei-a calculada e interesseiramente, entrando a procurar recursos para solucionar as pesadas adversidades que me perseguiam o destino, através dos séculos, nessa doutrina cristã que, segundo afirmavam, tantos benefícios concedia àquele que à sua tutela se confiasse. O que eu não podia compreender, porém, absorto no meu mundo íntimo inferior, era o alto alcance moral e filosófico de tais conselhos ou convites, repetidos sempre em torno de mim em quaisquer locais terrenos ou astrais a que a vida me levasse… e por isso esperava da Grande Doutrina apenas vantagens pessoais, poderes misteriosos ou supersticiosos, que me levassem a conquistar a satisfação de mil caprichos e paixões…

Não obstante, em ouvindo referências àquele Mestre Nazareno cujas virtudes eram modelo para a regeneração da Humanidade, súbito mal-estar

Alucinava-me, tal se incômodas repercussões vibrassem em meu íntimo, enquanto corrente hostil se estabelecia em minha consciência, que parecia temer investigações em torno do melindroso assunto. Era portanto concludente que se minha inteligência e meus conhecimentos intelectuais se robusteciam ao embate das lutas pela existência e dos infortúnios sob o impulso poderoso do esforço próprio, como até das ambições, o coração jazia inativo e enregelado, a alma embrutecida para as generosas manifestações do Bem, da Moral e da Justiça!

A primeira metade do século XVII surpreendeu-me em confusões deploráveis, na obscuridade de um cárcere terreno envolvido em trevas, não obstante minha qualidade de habitante do mundo invisível.

Que odiosa série de feitos criminosos, porém, ocasionara tão amarga repressão para a dignidade de um Espírito liberto das cadeias da carne?… Que abomináveis razões haveria eu dado à lei de atração e afinidades para que meu estado mental e consciencial apenas se afinasse com as trevas de uma masmorra de prisão terrena, infecta e martirizante?…

Convém que te inteires do que fiz por aquele tempo, leitor…

FONTE VIVA (pelo Espírito Emmanuel) 

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Refugia-­te em paz

“Havia muitos que iam  e vinham  e não tinham tempo  para comer” (Marcos, 6:31)

O convite do Mestre, para que os discípulos procurem lugar à parte, a fim de repousarem a mente e o coração na prece, é cada vez mais oportuno. Todas as estradas terrestres estão cheias dos que vão e vêm, atormentados pelos interesses imediatistas, sem encontrarem tempo para a recepção de alimento  espiritual.

Inúmeras pessoas atravessam a senda, famintas de ouro, e voltam carregadas de desilusões. Outras muitas correm às aventuras, sedentas de novidade emocional, e regressam com o tédio destruidor.

Nunca houve no mundo tantos templos de pedra, como agora, para as manifestações de religiosidade, e jamais apareceu tamanho volume de desencanto  nas almas.

A legislação trabalhista vem reduzindo a atividade das mãos, como nunca; no entanto, em tempo algum surgiram preocupações tão  angustiosas como  na atualidade. As máquinas da civilização moderna limitaram espantosamente o esforço  humano, todavia, as aflições culminam, presentemente, em guerras de arrasamento  científico. Avançou  a técnica da produção econômica em todos os setores, selecionando o algodão e o trigo por intensificar-­lhes as colheitas, mas, para os olhos que contemplam a paisagem mundial, jamais se verificou entre os encarnados tamanha escassez de pão e vestuário. Aprimoraram-­se as teorias sociais de solidariedade e nunca houve tanta discórdia.

Como acontecia nos tempos da permanência de Jesus no  apostolado, a maioria dos homens permanece no vaivém dos caminhos, entre a procura desorientada e o achando falso, entre a mocidade leviana e a velhice desiludida, entre a saúde menosprezada e a moléstia sem proveito, entre a encarnação perdida e a desencarnação em desespero.

Ó meu  amigo, se adotaste efetivamente o aprendizado com o Divino  Mestre, retira­-te a um lugar à parte, e cultiva os interesses de tua alma. É possível que não encontres o jardim exterior  que facilite a meditação, nem algum pedaço de natureza física onde repouses do cansaço material, todavia, penetra o santuário, dentro de ti mesmo.

Há muitos sentimentos que te animam há séculos, imitando, em teu íntimo, o fluxo e o refluxo da multidão. Passam apressados de teu  coração ao cérebro e voltam do cérebro ao  coração, sempre os mesmos, incapacitados de acesso à luz espiritual.

São os princípios fantasistas de paz e justiça, de amor e felicidade que o  plano da carne te impôs.

Em certas circunstâncias da experiência transitória, podem ser úteis, entretanto, não vivas exclusivamente ao lado deles. Exerceriam sobre ti o cativeiro  infernal. Refugia-­te no templo à parte, dentro de tua alma, porque somente aí encontrarás as verdadeiras noções da paz e da justiça, do amor e da felicidade reais, a que o Senhor te destinou.

Diálogo Mediúnico

 

 

Que a paz do Cristo, meus filhos, possa ensinar a cada um de nós a lidar com as dificuldades interiores não transformando-as em dificuldades externas e, acima de tudo, que o Cristo nos ajude a entender que cada dificuldade externa que apareça em nosso caminho é um convite para ampliar o esforço, para ampliar a vontade, porque apenas superando obstáculos, diariamente, conseguireis fortalecer a vossa vontade e desenvolver a vossa inteligência no nível necessário para educar de forma verdadeira e profunda os sentimentos difíceis que os habitantes da Terra ainda carregam. Podemos iniciar.

Muito obrigada pela sua presença, amiga Patrícia. Como primeira pergunta desse encontro, que meio nós temos de parar a progressão da desordem no nosso ser?

Primeiro entender, minha filha.

O exemplo dado, de Camilo Castelo Branco, é por demais significativo para a grande parte dos habitantes da Terra. É preciso reconhecer, observando a própria história da humanidade, que nela se expressam paixões infelizes. A traição, o ódio, o assassinato estão presentes em todas as épocas de forma significativa e isso significa a traição de si mesmo e do próprio Mestre.

Portanto, deverá o espírito encarnado considerar com seriedade a possibilidade de ele mesmo ter composto esse quadro histórico da Terra. Afinal, aqueles que empunharam a espada nas cruzadas da maldade, em nome do Cristo, assassinando mulheres indefesas, abusando de crianças infelizes, são os mesmos espíritos que hoje, sob a veste carnal de brasileiros, atuam nos segmentos religiosos da pátria do Evangelho.

Muitas vezes, o impulso do mando, do autoritarismo, invade-lhes o ser, atormentando-os de forma poderosa, fazendo assim acreditarem-se ainda com a autoridade que outrora tiveram, esquecendo-se da amarga colheita que tiveram de sorver ao deixar o corpo físico.

Por isso, é muito importante que os indivíduos que possuem uma afinidade com a área espiritual, religiosa, indaguem-se: como foram as atividades religiosas nos últimos dois mil anos da Terra? Pois aí, muitas vezes, meus filhos, vereis a história como um espelho. E este é o primeiro convite que gostaria de vos fazer: em que a história da humanidade é o espelho do vosso íntimo?

É uma questão austera, é uma questão difícil, é uma questão necessária. É importante que cada um, ao ler ou ao assistir representações da história do mundo, busque ali identificar sentimentos que ainda habitam em seu coração.

Não somos seres apartados da história do planeta. Entender isso é um pré-requisito para que se possa compreender com exatidão ou, pelo menos, com a exatidão mínima necessária, o planejamento reencarnatório.

Onde estão os sentimentos que fizeram as guerras, as traições religiosas, a perfídia disfarçada de santidade, a crueldade acobertada de bondade? É um desafio necessário para todos aqueles que desejam conhecer mais a si mesmo e conhecer os desafios que vieram enfrentar na atual existência.

É um exercício, insisto, necessário para todos os que querem progredir nas reflexões que esse módulo propõe.

Como aprofundar o nosso autoconhecimento?

Sentindo.

Uma vez que você desenvolveu a capacidade emocional de identificar quais sentimentos infelizes seus moldaram, contribuíram para acontecimentos históricos infelizes, chega o momento do passo seguinte: sentir.

Colocar-se em um lugar à parte, segundo a expressão retirada do Evangelho, e pedir o alimento espiritual. Mas, se o alimento só faz sentido para aquele que tem fome, o alimento espiritual só será assimilado por aquele reconhece a sua necessidade emocional. Por isso, sentir é indispensável.

Num lugar à parte, observar sentindo: que sentimentos infelizes carrego em mim? Observar o ódio, a vingança, o impulso da mentira, da falsidade, e uma vez permitindo-se sentir esses impulsos infelizes, sem condenar-se, pois a condenação quase sempre é uma fuga, orar ao Cristo, pedir que a luz desse amigo venha balsamizar esse sentimento, não aniquilá-lo, transformá-lo e não destruí-lo.

Então, o aprofundamento do autoconhecimento, minha filha, só se dá com o sentir.

O primeiro passo é intelectual, é reconhecer. O aprofundamento se dá com mais dois passos: o sentir e o pedir. Reconhecer, sentir e pedir. Pedir ao Cristo que aquele sentimento que se faz consciente receba a luz espiritual dele sem a ilusão que haverá solução imediata.

Imagine esse sentimento que você já conseguiu identificar como um monstro bravio, que receberá a cada dia, durante esse período de forma mais intensa, o alimento da luz, o alimento do Cristo e apenas pouco a pouco esse animal bravio irá sendo carinhosamente educado, carinhosamente domesticado e, um dia, se tornará um belo e harmonioso ser, uma bela e harmoniosa parte que irá compor a sua grandeza espiritual. É um processo que exige devoção.

Quero encerrar dizendo que o caminho da iniciação verdadeira requererá, sempre, de cada um de vocês devoção. Retirar um pequeno período do dia para fazer isso significa devotar-se, dedicar-se com o coração. Crescimento espiritual requer essa dedicação com o coração. Devoção, meus filhos.

A devoção poderá resolver todos os vossos conflitos emocionais. Tende esse tempo diariamente, tende a coragem em sentir e tende a humildade em pedir auxílio da luz espiritual desse mundo. E esse ato de devoção diário vos conduzirá a conquistas inimagináveis hoje, mas que são garantidas e certas, porque ao devoto sincero Deus sempre dá a colheita saborosa.

Muita paz, de vossa irmã e amiga, Patrícia

 

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