Família e Evolução– Educação Espírita: um Convite à Juventude – Reencarnação – 9

Refletimos sobre a diferença entre a compreensão espírita da família e da cultura medieval e como esse compreensão afeta nosso processo evolutivo. Relacionando a visão espírita da família com o judaísmo e com o cristianismo primitivo.

 


 

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Evangelho segundo o Espiritismo

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CAPITULO III – HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

MUNDOS DE EXPIAÇÕES E DE PROVAS

Santo Agostinho, Paris, 1862

 

  1. Que vos direi, que já não conheçais, dos mundos de expiações, pois que basta considerar a Terra que habitais? A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz.
  2. Não obstante, não são todos os Espíritos encarnados na Terra que se encontram em expiação. As raças que chamais selvagens constituem-se de Espíritos apenas saídos da infância, e que estão, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contato de Espíritos mais avançados. Vêm a seguir as raças semi-civilizadas, formadas por esses mesmos Espíritos em progresso. Essas são, de algum modo, as raças indígenas da Terra, que se desenvolveram pouco a pouco, através de longos períodos seculares, conseguindo algumas atingir a perfeição intelectual dos povos mais esclarecidos. Os Espíritos em expiação aí estão, se assim nos podemos exprimir, como estrangeiros. Já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos por sua obstinação no mal, que os tornava causa de perturbação para os bons. Foram relegados, por algum tempo, entre os Espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar, porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos. É por isso que os Espíritos punidos se encontram entre as raças mais inteligentes, pois são estas também as que sofrem mais amargamente as misérias da vida, por possuírem maior sensibilidade e serem mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso moral é mais obtuso.
  3. A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por caráter comum servirem de lugar de exílio para os Espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os Espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, na sua bondade, torna o próprio castigo proveitoso para o progresso do Espírito.

 


CAPÍTULO V – BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

O MAL E O REMÉDIO

Santo Agostinho, Paris, 1863

Vossa terra é por acaso um lugar de alegrias, um paraíso de delícias? A voz do profeta não soa ainda aos vossos ouvidos? Não clamou ele que haveria choro e ranger de dentes para os que nascessem neste vale de dores? Vós que nele viestes viver, esperai portanto lágrimas ardentes e penas amargas, e quanto mais agudas e profundas forem as vossas dores, voltai os olhos ao céu e bendizei ao Senhor, por vos ter querido provar! Oh, homens! Não reconhecereis o poder de vosso Senhor, senão quando ele curar as chagas de vosso corpo e encher os vossos dias de beatitude e de alegria? Não reconhecereis o seu amor, senão quando ele adornar vosso corpo com todas as glórias, e lhe der o seu brilho e o seu alvor? Imitai aquele que vos foi dado para exemplo. Chegado ao último degrau da abjeção e da miséria, estendido sobre um monturo, ele clamou a Deus: “Senhor! Conheci todas as alegrias da opulência, e vós me reduzistes à mais profunda miséria! Graças, graças, meu Deus, por terdes querido provar o vosso servo!” Até quando os vossos olhos só alcançarão os horizontes marcados pela morte? Quando, enfim, vossa alma quererá lançar-se além dos limites do túmulo? Mas ainda que tivésseis de sofrer uma vida inteira, que seria isso, ao lado da eternidade de glória reservada àquele que houver suportado a prova com fé, amor e resignação? Procurai, pois, a consolação para os vossos males no futuro que Deus vos prepara, e vós, os que mais sofreis, julgar-vos-eis os bem- aventurados da Terra.

Como desencarnados, quando vagueáveis no espaço, escolhestes a vossa prova, porque vos consideráveis bastante fortes para suportá-la. Por que murmurais agora? Vós que pedistes a fortuna e a glória, o fizestes para sustentar a luta com a tentação e vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de alma e corpo contra o mal moral e físico, sabíeis que quanto mais forte fosse a prova, mais gloriosa seria a vitória, e que, se saísseis triunfantes, mesmo que vossa carne fosse lançada sobre um monturo, na ocasião da morte, ela deixaria escapar uma alma esplendente de alvura, purificada pelo batismo da expiação e do sofrimento.

Que remédios, pois, poderíamos dar aos que foram atingidos por obsessões cruéis e males pungentes? Um só é infalível: a fé, voltar os olhos para o céu. Se, no auge de vossos mais cruéis sofrimentos, cantardes em louvor ao Senhor, o anjo de vossa guarda vos mostrará o símbolo da salvação e o lugar que devereis ocupar um dia. A fé é o remédio certo para o sofrimento. Ele aponta sempre os horizontes do infinito, ante os quais se esvaem os poucos dias de sombras do presente. Não mais nos pergunteis, portanto, qual o remédio que curará tal úlcera ou tal chaga, esta tentação ou aquela prova. Lembrai-vos de que aquele que crê se fortalece com o remédio da fé, e aquele que duvida um segundo da sua eficácia é punido, na mesma hora, porque sente imediatamente as angústias pungentes da aflição.

O Senhor pôs o seu selo em todos os que crêem nele. Cristo vos disse que a fé transporta montanhas. Eu vos digo que aquele que sofre e que tiver a fé como apoio, será colocado sob a sua proteção e não sofrerá mais. Os momentos mais dolorosos serão para ele como as primeiras notas de alegria da eternidade. Sua alma se desprenderá de tal maneira de seu corpo, que, enquanto este se torcer em convulsões, ela pairará nas regiões celestes, cantando com os anjos os hinos de reconhecimento e de glória ao Senhor.

Felizes os que sofrem e choram! Que suas almas se alegrem, porque serão atendidas por Deus.


Livro dos Espíritos

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  1. Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos do homem na vida material seria também resultado do nosso livre arbítrio?

– Tu mesmo escolheste a tua prova: quanto mais rude ela for, se melhor a suportas, mais te elevas. Os que passam a vida na abundância e no bem-estar são Espíritos covardes, que permanecem estacionários. Assim, o número de infortunados ultrapassa de muito o dos felizes do mundo, visto que os Espíritos procuram, na sua maioria, as provas que lhes sejam mais frutuosas. Eles vêem muito bem a futilidade das vossas grandezas e dos vossos prazeres. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre perturbada: não é somente a dor que produz contrariedades. (Ver itens 525 e seguintes).

Diálogo Mediúnico

 

Que o Cristo nos auxilie a entender o quanto são valiosas as lições difíceis que vivemos na família terrena. Que possamos compreender que deste núcleo humano teremos os mais poderosos impulsos para a nossa transformação moral e com a inspiração dele possamos aprender a utilizar as dores amargas, as decepções profundas como impulso de crescimento e verdadeira espiritualização.

Colocamo-nos à disposição para iniciarmos o nosso diálogo, minha filha.

 

Muito obrigada pela sua presença, amiga Patrícia. Como primeira pergunta, quais as lições que viemos aprender com as nossas famílias na atualidade?

É importante destacar, falando de forma geral, que o aprendizado familiar adquire características diferentes em cada época da humanidade.

São planejamentos gerais acompanhados pelo próprio Cristo: que padrão familiar irá predominar do período tal a tal? Na Idade Média? Na civilização romana? Na Grécia? É importante compreender que em cada período histórico, falando de forma geral, houve um padrão de aprendizado familiar.

Portanto, a atualidade também pode ser caracterizada por um padrão específico que não é o padrão estabelecido ao longo da história, mas segundo a necessidade evolutiva de cada instante evolutivo.

Na atualidade, portanto, minha filha, as famílias se caracterizam pelo testemunho de aprender a aceitar o que é diferente.

Seja pela necessidade de espíritos acomodados em saírem do seu congelamento psíquico, seja pela necessidade de acolher os erros do passado na própria casa para que haja uma conclusão de aprendizado espiritual. Por exemplo, um espírito relativamente bom, mas que esteja há séculos acomodado no seu padrão evolutivo observa que não terá permissões de permanecer na Terra, apesar de não ter cometido crimes graves nos séculos recentes, mas também não realizou conquistas que o habilitem a estar no mundo em num patamar superior. Esse espírito que se caracteriza pela acomodação espiritual irá pedir, em seu ambiente familiar, estímulos impactantes para que possa aprofundar a sua espiritualização.

Digamos que esse espírito, que seria chamado na linguagem humana de um espírito bom, mas não um espírito caridoso, um espírito que não faz o mal, no sentido ostensivo do termo, mas que não se devota ao bem. Ele poderá pedir para nascer num grupo de malfeitores, num ambiente em que o crime é estimulado, para que possa esse choque social buscar aprofundar o bem no próprio coração para não ser arrastado pela vida do crime.

Está claro esse exemplo, minha filha?

Sim.

Alguma questão sobre esse exemplo específico?

 

No caso, o próprio fato dele não estar fazendo o bem, dele estar estacionado, como dito, nos séculos, é uma motivação para que ele tenha essa família mais difícil?

Exatamente, por opção dele. Porque ele é um indivíduo, ele é um atleta que precisa desenvolver mais resistência para que possa chegar ao fim da maratona e permanecer na Terra.

Ele é um bom atleta, mas sabe que não tem resistência para uma prova mais extensa. Mas sabe, claramente, no mundo espiritual, da sua necessidade. Então, por isso, aconselhado pelo seu anjo guardião e espíritos amigos, ele pede: preciso de algo que, de fato, em faça sair da minha zona de congelamento, do meu comodismo doentio, porque observo que há três, quatro séculos, reencarno, não faço nada de grave em termos de erro humano, mas me acomodo, mas não sou capaz de realizar o sacrifício necessário pelo bem-estar do próximo.

Em outro caso, podemos imaginar indivíduos ativos, mas que tanto realizaram o bem como o mal. Mas que precisam desenvolver agora, digamos, a capacidade de perdoar, a capacidade de aceitar o outro. E aí poderemos ver, por exemplo, um indivíduo que tem aversão aos esportes, a atividade física, ao estilo de vida devotado ao corpo, que não é necessariamente ruim, à saúde do corpo, uma preocupação talvez excessiva. Mas ele é do outro extremo, porque suas vidas se caracterizam como de um monge medieval, de viver isolado do mundo, de viver desprezando o corpo. Então ele pede para reencarnar numa família vinculada a todas essas questões do corpo, numa família de halterofilistas e preocupações afins.

Neste caso não é para combater, não é para não seguir, mas para que ele aprenda duas coisas: chegar a um meio termo, nem o extremo do desprezo físico, nem o outro extremo do culto excessivo. Assim, esses dois extremos buscam aprender um pouco um com o outro e chegar num ponto de equilíbrio.

Por outro lado, o maior desafio é a necessidade de entender o outro para dialogar. Aquilo que ele facilmente desprezou ao longo dos séculos, o cuidado com o corpo, agora não pode mais ser desprezado, porque seu pai, seu irmão, seu tio, sua mãe, seu ambiente familiar está repleto de pessoas que vivem esse culto ao corpo e que, pelo menos por muitos anos, ele terá que lidar com isso. Terá de posicionar-se, será insistentemente convidado a frequentar esse tipo de ambiente e, até por interesse da própria sobrevivência emocional, terá que buscar pontos em comum.

Entendido isso, falaremos que na atualidade a família se caracteriza por grupos de opostos. Espíritos que não estariam juntos por uma opção agradável. Espíritos que se juntam sob o mesmo lar para vencerem barreiras imensas.

A família de hoje é a família desafio. Nada mais desafiador do que o convívio na família. Porque é preciso entender que o indivíduo sempre, mesmo adulto e independente, ele terá que dialogar emocionalmente com a sua família. Ele terá que responder questões, ele terá que lidar com impulsos que foram assimilados no grupo familiar, impulsos energéticos.

Então, a família de hoje se caracteriza pela necessidade de todos de viver algo chamado tolerância. Embora não concordando, aprender a olhar a vida com os olhos do outro, aprender a respeitar o que é totalmente diverso e aprender a buscar um terreno comum para um convívio harmônico e fraterno.

A família de hoje caracteriza-se pela necessidade de um profundo testemunho de compreensão. Se o seu familiar é criminoso, compreender não significa entrar na vida do crime, mas significa ser capaz de entender, e quem sabe amar o outro, apesar de sua opção pelo crime. Então é um duplo esforço, não arrastar-se para o crime, seja o crime da calúnia, seja o crime de uma vida fútil e tola de desperdício, seja o crime catalogado nos códigos humanos da lei. Seja como for, mas é não participar do crime e, apesar disso, desenvolver misericórdia por aquele ser necessitado.

Imensos desafios são postos para todos os espíritos que estão na Terra, e podemos dizer que, quanto mais jovens são, maiores serão os desafios, porque se radicalizará os extremos no núcleo familiar, pois estamos vivendo a era anunciada pelo Cristo: onde houverem na mesma família cinco pessoas, duas estarão contra três, e três estarão contra duas.

O que é que Ele quer dizer com isso? Que elas serão completamente diferentes. Um grupo não entenderá o outro, porque serão de realidades espirituais diversamente construídas ao longo de milênios, mas terão a necessidade de um esforço supremo de compreender o outro e tirarem as sublimes lições que o Cristo quer que aprendamos em nossas lutas e conflitos familiares, porque a família da Terra não é um oásis de paz, mas é um campo emocional de batalha, em que vitorioso sairá aquele que aprender a compreender e ser fiel a Deus.

Muita paz, de vossa irmã e amiga, Patrícia.

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