Pedro – Iniciação pelo Sentimento – Educação Espírita: um Convite à Juventude – Cristo – 1

Estamos iniciando um novo módulo! Ajude-nos compartilhando no Facebook e nas outras redes sociais, contamos com você!!! Nesse encontro, conversamos sobre o processo de amadurecimento espiritual de Pedro, o apóstolo e como a compreensão dos símbolos do Evangelho é essencial para orientarmos nossa vida no mundo com o amparo dos amigos espirituais. 

Segunda edição – Módulo  Cristo

 


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Cristo - 1 Photo and 1 Column 2 (1)

 

Hoje, estudaremos o caso de Pedro. A extraordinária transformação emocional de um espírito que prova o impacto que o Cristo pode ter em nossas vidas, quando decidimos ser cristão.
Para apresentar tal caso e fugir de repetições que você já conhece, peço que você permita que viajemos para uma época distante. Não para a Galileia rústica e bela, mas para a Jerusalém tumultuada, agitada e, nesse período, perigosa. Pelo menos para os cristãos. O ano? 38.
Os seguidores do carpinteiro crucificado atingiam a cifra de 200 pessoas. Estranhos pacíficos. Por isso, ninguém os incomodara até que um jovem fariseus, ofendido por não ser tratado com excesso de reverência, decide por um fim aquela pequena e pacífica seita.
Confiscaram propriedades, torturaram, mataram os que se confessavam cristão. Dos líderes cristãos, Estevão foi apedrejado. Outro espancados e humilhados publicamente. Todos viviam em aterradora insegurança. Ninguém velava por eles, a não ser aquele que fora crucificado.
Em uma noite quente começa a nossa história. Um doente, abatido e cansado, bate a porta da casa da comunidade cristã. Magro, com os olhos cansados e tristes, o doente fala seu nome, Saulo. O responsável por toda a perseguição e todas as dores que vivia aquela comunidade. Sou Saulo e gostaria de ver Pedro. Assim começa nossa história.
Não vamos repetir os fatos belamente narrados na obra Paulo e Estevão. Vamos buscar deles extrair sabedoria ao investigar a personalidade de Pedro.
Como Pedro reage? É nos momentos de medo, de definição e de decisão que nos revelamos. O que Pedro revela ao saber que Saulo o procurava? Primeiro o impacto emocional inevitável. Em seguida, enquanto Saulo aguarda uma resposta, Pedro em conversa com João, evangelhista e Thiago afirma.

Em verdade, ele nos fez o mal que pôde; entretanto, não é por nós que devemos temer e sim pela obra do Cristo que nos está confiada.

E aqui começamos a investigar essa personalidade fascinante. Após tudo o que aconteceu a atenção de Pedro é com a obra do Cristo. O que significa isso? É como se eu acabasse de ter uma pessoa que amo muito assassinada, familiares espancados e expulsos da cidade e diante do responsável por tudo me perguntasse, como melhor cuidar da obra do Mestre?! Há aqueles que se afastam da obra do Cristo por não terem sido suficientemente bajulados, mas Pedro, depois de tudo perder, inclusive a vida tranquila na Galileia, indaga: como cuidar melhor dos interesses do Cristo.
Que tipo de pescador é esse? Como um homem simples e ignorante é capaz de tal atitude? Quem é capaz de uma atitude dessa hoje? Não é fácil entender esse homem.
Pedro avisa que depois irá procurar Saulo. Pedro marca um reunião para discutir o que será feito e nessa reunião você descobrirá o que significa grandeza espiritual. Você entenderá como funciona a mente dos verdadeiros iniciados. Mergulhemos no psiquismo de Pedro, há luz.
Antes de iniciarmos nossa investigação sobre a reunião que foi decisiva sobre o futuro do cristianismo, vamos antes voltar alguns anos. Saiamos de Jerusalém e vejamos o que se passa no lago da Galileia, alguns anos antes. Você vai se surpreender. Pedro estava no barco, a noite, com outros discípulos, quando todos veem um vulto sobre as águas. O pavor toma conta de todos. A situação é tensa, pois o vulto caminha na direção deles. Jesus tinha ficado, quem os protegeria? A tensão aumenta ao ponto deles começarem a gritar de medo. O vulto se aproxima e diz, não temais, sou eu, Jesus. Alívio geral.
Pedro corajosamente fala, Senhor manda que eu vá até você! Vem! Diz Jesus e Pedro caminho sobre as águas. Mas, ele se assusta com o vento, tem medo, e começa afundar. Senhor me socorre. Jesus o seguro, o faz subir. Porque temeste?
Conto essa história para que você entenda o nível da transformação que se operou na personalidade deste pescador. Ele temia e tinha fé. Ele caminhava e afundava. Agora ele está diferente. Transformado.

Após ouvir João e Tiago, Pedro se dá conta que já havia se formado dois grupos, um liderados por ele e João, favoráveis a Paulo e outro liderados pelo apóstolos Tiago e Felipe que defendiam que não se deveria dar ajuda imediata. Veja que problema. Um problema que envolve a vida de todos! Literalmente, a sobrevivência física. Como Pedro lidaria com isso? Quais eram os principais argumentos de cada grupo?
O grupo contrário ao acolhimento de Saulo é assim expresso por Nicolau.

— Convenhamos que não é justo esquecer os aleijados que se encontram nesta casa, vítimas da odiosa truculência dos asseclas de Saulo. Ë das escrituras que se exija cuidado com os lobos que penetram no redil sob a pele das ovelhas. O doutor da Lei, que nos fez tanto mal, sempre deu preferência às grandes expressões espetaculares contra o Evangelho, no Sinédrio. Quem sabe nos prepara atualmente nova armadilha de grande efeito?

Quer dizer, primeiro vejam os aleijados que cuidamos aqui vítimas das torturas ordenados por Saulo. Segundo, é preciso te cuidado com os lobos vestidos em pele de cordeiro, isto é, ele pode estar tramando contra todos nós e uma vez aqui, nos matará a todos. Você há de concordar, é um argumento forte! A’te porque junta o medo que quase sempre domina com uma argumentação baseada no Evangelho.
Pedro, como um grande iniciado cristão, inicia com a postura de um sábio ao analisar outra pessoa: lembra o quanto precisou da generosidade dos outros e, acima de tudo, do quanto precisamos da bondade de Jesus.

— Amigos, antes da enunciação de qualquer ponto de vista pessoal, conviria refletirmos na bondade infinita do Mestre.

Após essa evocação sincera e o recolhimento dos próprios erros, Pedro inicia uma análise extraordinária da simbologia evangélica. Vejamos.

— Nosso irmão acaba de referir-se ao símbolo do lobo que surge no redil com a pele das ovelhas generosas e humildes. Concordo com essa expressão de zelo. Também eu não pude acolher Saulo, quando hoje nos bateu à porta, atento à responsabilidade que me foi confiada.

Pedro identifica o lado bom daquele que ele discorda. Há um preocupação boa e honesta. Há sempre um grau de bondade, mesmo quando somos maus. É um exercício emocional extraordinário.Você já tentou isso? Ver o lado bom do diabo que pensa diferente de você?
Nada quis decidir sem o vosso concurso, O Mestre nos ensinou que nenhuma obra útil se poderá fazer na Terra sem a cooperação fraternal. Mas, aproveitando o parecer enunciado, examinemos, com sinceridade, o problema imprevisto.
Carinhosamente, Pedro inicia o análise do símbolo, utilizando-se de mais símbolos!
Em verdade, Jesus recomendou nos acautelássemos contra o fermento dos fariseus, esclarecendo que o discípulo deverá possuir consigo a doçura das pombas e a prudência das serpentes.
Se você meu amigo e amiga não está familiarizado com a linguagem dos símbolos, que é uma linguagem superior e criativa, presta atenção, não foi apenas Jesus que se utilizou dela ( o que já seria muito!), na verdade, seu Eu superior, seu inconsciente, a utiliza até hoje! Como também se utilizaram dela todos os profetas. Vamos entender. Trata-se de: fermento, pombas e serpentes, além de lobos e ovelhas, claro. É conversa de gente grande, quer dizer, de espíritos iniciados pelo Cristo nas verdades espirituais. Prestemos atenção nestes símbolos.

Convenhamos em que, de fato, Saulo de Tarso possa ser o lobo simbólico. Ainda aí, após esse conhecimento hipotético, teríamos profunda questão a resolver. Se estamos numa tarefa de paz e de amor, que fazer com o lobo, depois da necessária identificação? Matar? Sabemos que isso não entra em nossa linha de conta.
Não seria mais razoável refletir nas possibilidades da domesticação?
Conhecemos homens rudes que conseguem dominar cães ferozes. Onde estaria, pois, o espírito que Jesus nos legou como sagrado patrimônio, se por temores mesquinhos deixássemos de praticar o bem?
A palavra concisa do Apóstolo tivera efeito singular. O próprio Tiago parecia desapontado pelas anteriores reflexões. Em vão Nicolau procurou argumentos novos para formular outras objeções. Observando o pesado silêncio que se fizera, Pedro sentenciou serenamente:
— Desse modo, amigos, proponho convidarmos Barnabé para visitar pessoalmente o doutor de Tarso, em nome desta casa. Ele e Saulo não se conhecem, valorizando-se melhor semelhante oportunidade, porque, ao vê-lo, o moço tarsense nada terá que recordar do seu passado em Jerusalém. Se fosse visitado, pela primeira vez, por um de nós, talvez se perturbasse, julgando nossas palavras como de alguém que lhe fosse pedir contas.
João aplaudiu a idéia calorosamente. Em face do bom-senso que as expressões de Pedro revelavam, Tiago e Filipe mostravam-se satisfeitos e tranqüilos. Combinou-se a diligência de Barnabé para o dia seguinte.
Aguardariam Saulo de Tarso com interesse. Se, de fato, sua conversão fosse real, tanto melhor.

Como Pedro se transformou

 

Pode parecer incrível essa transformação de Pedro. Como um homem ainda impaciente ante os acontecimentos do dia a dia poderia agir com tamanha sabedoria? Milagre? Sabemos que a transformação emocional não acontece em poucas décadas. São necessário muitos séculos para sairmos da imaturidade para a maturidade espiritual. O caso de Pedro, não por ser miraculosa, mas verdadeiro nos enche de esperança e destaca, ainda mais, a misericórdia de Jesus.
Primeiro, lembremos as palavras de Pedro, que constam no livro Paulo e Estevão, elas são esclarecedoras. Foram retirados do capítulo que estamos estudando.

… Pedro notou que a reunião se dividia em dois grupos. De um lado estavam ele e João chefiando os pareceres favoráveis; do outro, Tiago e Filipe encabeçavam o movimento contrário. Acolhendo a admoestação de Nicolau, exprimiu-se com brandura:
— Amigos, antes da enunciação de qualquer ponto de vista pessoal, conviria refletirmos na bondade infinita do Mestre. Nos trabalhos de minha vida, anteriores ao Pentecostes, confesso que as faltas de toda sorte aparecem no meu caminho de homem frágil e pecador.
Não hesitava em apedrejar os mais infelizes e cheguei, mesmo, a advertir o Cristo para fazê-lo! Como sabeis, fui dos que negaram o Senhor na hora extrema. Entretanto, depois que nos chegou o conhecimento pela inspiração celeste, não será justo olvidarmos o Cristo em qualquer iniciativa. Precisamos pensar que, se Saulo de Tarso procura valer-se de semelhantes expedientes para desferir novos golpes nos servidores do Evangelho, então ele é ainda mais desgraçado que antes, quando nos atormentava abertamente. Sendo, pois, um necessitado, de qualquer modo não vejo razões para lhe recusarmos mãos fraternas.

Estaria eu dizendo que o Pentecostes realizou um milagre de transformação emocional, que instantaneamente tornou Pedro madura? Não. Sem dúvida, não acreditemos nesse tipo de mudança mágica. Ficamos com a pergunta ainda mais intrigante: como entender a maturidade de Pedro?Não ousaria por mim mesmo dar a resposta, mas no livro Vida e Atos dos Apóstolos, Cairbar Schutel, oito anos antes da publicação de Paulo e Estevão, esclarece. Vejamos.

O trabalho dos apóstolos durante a vida corpórea de Jesus, foi nulo. Só depois de haverem recebido o Espírito, após, a explosão de Pentecostes, é que eles entraram em ação para o desempenho de grande tarefa.

É que o homem, por si mesmo nada pode fazer. Sem o auxílio de Deus, que constitui sua Igreja Triunfante, que paira nas alturas para dirigir à altas regiões e ministrar luzes e forças à Igreja Militante. Pessoa alguma deste mundo, em que ainda predominam as trevas e o desamor, tem poder para fazer ou desfazer, ou guiar as massas à Espiritualidade.
Temos exemplos frisantes desta Verdade, e o próprio Jesus a referendou quando Ele, o maior Espírito que baixou à Terra, disse: “Por Mim mesmo nada posso fazer; é o Pai que faz em Mim as obras que vedes; a minha Palavra não é minha, mas do Pai que me enviou.”
Mas passado o Pentecostes todos os escolhidos pelo Mestre, com exceção de Judas Iscariotes que faliu em sua missão, cedendo num momento de fraqueza, às injunções inferiores, todos os demais fizeram o que lhes foi possível para a difusão do grande Ideal a eles outorgado.

Cairbar Schutel. Vida e Atos dos Apóstolos. Capítulo: Os apóstolos de Jesus.

Em outras palavras, Pedro foi capaz de agir com tamanha sabedoria por um motivo: a sinceridade de reconhecer sua extrema limitação e a humildade de aceitar as inspirações do Cristo e de Deus. Eis para mim a grande lição: todos nós devemos e podemos cultivar a sinceridade em relação a nossas faltas e limitações e aprender a ouvir a voz da consciência que é sempre inspirado pelo Cristo. A sabedoria portanto pode habitar em nossos corações e guiar nossas vidas mesmo ainda sendo espíritos atrasados, se soubermos ser sinceros e humildes em nossa relação com o Cristo.

 

Diálogo Mediúnico

 

Paz e alegria em vossos corações. Que o Cristo possa, nesse instante, nos envolver a todos. Nós, discípulos imperfeitos e infiéis que ainda tantas vezes recuamos diante das tarefas a serem realizadas, possa o Mestre, apiedando-se de nossa fraqueza e de nossa pequenez, nos inspirar, nos ensinar a trilhar o caminho da verdadeira abnegação, da doação plena e incondicional, da doação psíquica, emocional e social à sua obra, porque apenas, quando assumirmos o compromisso inadiável de sermos reais discípulos de Jesus de Nazaré encontraremos a verdadeira paz e a verdadeira sabedoria que o nosso coração tanto anseia e que estamos, infelizmente, adiando em séculos incontáveis, mas que devemos, inapelavelmente, neste século, tomarmos a decisão que marcará o nosso destino espiritual agora e no futuro.

Podemos iniciar.

Muito obrigada hoje pela sua presença nesse encontro, amigo Cairbar. Como primeira pergunta, poderia Pedro ter pedido uma orientação direta de Jesus sobre o que fazer no momento em que Saulo chegou à porta?

 Essa é a grande dúvida dos cristãos atuais, porque ainda não compreenderam que as respostas estão todas no Evangelho. Tendo o apóstolo atingido um grau de maturidade espiritual não necessitava indagar ao Mestre sobre questões operacionais.

Esse é o desafio de todos os dirigentes espíritas do século XXI. Não apenas utilizar-se do Evangelho como conteúdo de pregação, não apenas citar o Evangelho quando estão em atividades de desobsessão. Esse é o desafio: aplicar o Evangelho em suas decisões cotidianas e diárias. Isso entendeu Pedro, por isso sequer cogita em uma orientação direta, porque o Mestre já o havia advertido: é necessário que você coma da minha carne e beba do meu sangue.

Tendo passado por essa lição, sabia o apóstolo sincero que o Evangelho teria que estar em cada ato de sua vida e, portanto, tornava-se inexequível a prática de uma consulta direta ao Mestre para cada ação, porque ele aprendeu que, ao responder a indagação de cada enfermo que o buscava pedindo orientação, enfermo do corpo e da alma, ele, antes, teria de se indagar: que símbolo do Evangelho responde a essa questão? E assim traduzir numa linguagem que o necessitado que estava a sua frente pudesse entender. Porque também assim agia com ele mesmo ao lidar com seus impulsos considerava-se um necessitado e indagava: que símbolo do Evangelho orienta-me nessa questão?

Portanto, minha amiga, não se trata do verdadeiro cristão em sempre buscar sempre orientações diretas, mas, principalmente, em se perguntar: como aplico o Evangelho nesse caso? Mas para isso Pedro necessitou preparar-se. Por isso, Pedro, antes de deitar-se à cada noite relembrava a si mesmo tudo que sabia do Evangelho, tudo que o Mestre o havia ensinado e, por isso, tornava-se apto a buscar no próprio coração a lição adequada.

Mas quando não temos indivíduos que possuem uma cultura do Evangelho suficiente e viva dentro de si, como poderemos inspirá-los? O caminho do crescimento espiritual é um caminho de autonomia. Primeiro, a orientação direta, depois, a orientação intuitiva, depois, a iluminação, minha amiga.

É necessário saber em que passo estais, e muitos espíritas estão no passo da acomodação. Querem que os espíritos respondam tudo e não investem na sua cultura evangélica. É errado.

É necessário ter uma compreensão profunda do Evangelho para que os amigos espirituais possam intuir a aplicação necessária. Assim fez o Mestre com Pedro, o ajudou intuitivamente para que ele, que possuía os símbolos do Evangelho vivos em seu ser, pudesse interpretar da maneira justa.

Assim farão os verdadeiros dirigentes cristãos do século XXI. Terão intimidade com toda a simbologia evangélica para que seus guias, em nome de Jesus, possam inspirá-los. Esse é um lobo que precisa ser cuidado, esse irmão é um galho que pertence a plantação da vinha do Senhor, cuidado, isso é um fermento de fariseus. Mas se os indivíduos não amam o Mestre a ponto de manter em seus corações a viva lembrança de seus ensinos, como irão os espíritos superiores orientá-lo no mar bravio da vida? É necessário para aqueles que amam o Senhor terem clareza de seus símbolos em suas mentes e em seus corações para que não se percam nas confusões do mundo, minha amiga.

E assim teremos o Pentecostes do movimento espírita, porque teremos no futuro milhares de indivíduos que ao longo dos anos se prepararam, convivendo diariamente com o Evangelho do Cristo, compreendendo-o em profundidade e aí nós, em nome do Cristo, os alçaremos a um patamar superior de compreensão, porque eles fizeram por merecer, como o fez o grande apóstolo de Jesus.

Então, diante da necessidade do espírita se aproximar dos símbolos do Evangelho, como fazer isso? Como sentir o Evangelho?

Não só dos espíritas, minha amiga, como afirmei, de todos que amam o Senhor, todos.

É preciso conhecer, é preciso amar, é preciso sentir, é preciso ler em voz alta as palavras do Mestre num clima psíquico de devoção.

Não se pode estudar as palavras do Senhor como quem se desincumbe de atividade formalista. É preciso ter grupos que leiam, que criem ambiente psíquico de atuação de espíritos superiores. E é preciso identificar-se com os símbolos do Evangelho, é preciso alimentar-se do Evangelho, é preciso comer a carne e beber o sangue do Senhor. E isso significa, minha amiga, ler implicando-se, envolvendo-se na história: e se fosse eu no barco, que faria? E se fosse a mulher adúltera, como reagiria? E se fosse eu o indivíduo que na crucificação negou o Mestre como eu sentiria? Somente assim esses símbolos serão vida e podereis conectar-se com os espíritos do Senhor. Não há outro caminho.

 

Certo. Como nós podemos vencer as nossas tendências em ignorar as nossas faltas e, assim como Pedro, crescermos espiritualmente?  

Colocar-se como uma ovelha necessitada do rebanho do Senhor. Os espíritas iludem-se, atribuindo-se uma estatura espiritual que não possuem e não colaboram com o Mestre.

Apenas aqueles que reconhecem, como o fez Pedro, as suas necessidades espirituais, que as assumem continuadamente, e eis aqui a minha sugestão prática: aceitar os defeitos. Não com falsa humildade e auto degradação, não com arrogância alucinada. Eu possuo esse defeito, mas o Senhor há de me ajudar, e sustentar essa consciência ao longo dos anos. Possuo esse defeito, mas o Cristo não me expulsa de seu rebanho por eu carregar esse defeito, ao contrário, ele me enviará o remédio necessário em forma de pessoas e circunstâncias. Porque aquele que assim faz recebe o remédio e, pouco a pouco, supera os obstáculos internos para que o Cristo viva em mais plenitude em seus corações.

Orar. Orar e em oração assumir ao Cristo todos os defeitos: Mestre, sou um pecador, tenho tais distúrbios, tenho tais impulsos, ajuda-me. Diariamente. Porque assim você fará do Cristo o que o Pedro fez: um amigo, que está disposto a ouvir todos os seus problemas, capaz de acolher toda a sua fraqueza e capaz de vos amar apesar de tudo e talvez por todos os defeitos estender mão compassiva. Nunca se esquecer: quando Pedro afunda o Mestre o reergue. Ficai com essa imagem. Quando estiverdes afundando, no mar revolto e podre das paixões inferiores, lembrai-vos dessa cena, colocai-vos no lugar de Pedro e suplicai: Senhor, salva-me! E, independente do mar de lodo em que estejais afundando, o Mestre irá pairar acima dele, estendendo mão generosa e irá vos reerguer.

Não vos esqueçais disso, orai com humildade: Senhor, salvai-me! E Ele vos tirará quantas vezes forem necessárias do mar infeliz das paixões inferiores e vos colocará sãos e salvos no barco que fará a travessia para um mundo melhor.

Muita paz,

Do vosso irmão e amigo,

Cairbar de Sousa Schutel.

Cristo - Untitled Page (2)

 Em 25 de agosto de 1936, o escritor desencarnado Humberto de Campos entrevista o apóstolo Pedro em um inesperado. O apóstolo chamou atenção do escritor e jornalista por manter sua aparência de judeu da época do Cristo. Veja como ocorreu.

Enquanto a Capital dos mineiros, dirigida pelos seus elementos eclesiásticos, se prepara, esperando as grandes manifestações de fé do segundo Congresso Eucarístico Nacional, chegam os turistas elegantes e os peregrinos invisíveis. Também eu quis conhecer de perto as atividades religiosas dos conterrâneos de Augusto de Lima.
Na Praça Raul Soares, espaçosa e ornamentada, vi o monumento dos congressistas, elevando-se em forma de altar, onde os altos religiosos serão celebrados. No topo, a custódia, rodeada de arcanjos petrificados, guardando o símbolo suave e branco da eucaristia, e, cá em baixo, nas linhas irregulares da terra, as acomodações largas e fartas, de onde o povo assistirá, comovido, às manifestações de Minas católica.
Foi nesse ambiente que a figura de um homem trajado à israelita, lembrando alguns tipos que em Jerusalém se dirigem, frequentemente, para o lugar sagrado das lamentações, aguçou a minha curiosidade incorrigível de jornalista.

– Um judeu?! – exclamei, aguardando as novidades de uma entrevista.

– Sim, fui judeu, há algumas centenas de anos – respondeu laconicamente o interpelado.

– Vosso nome? – continuei.

– Simão Pedro.

– O Apóstolo?

E a veneranda figura respondeu afirmativamente, colando ao peito os cabelos respeitáveis da barba encanecida.

E o Apóstolo venerável, dentro da sua expressão resignada e humilde, começou a falar:
– Ignoro a razão por que revestiram a minha figura, na Terra, de semelhantes honrarias. Como homem, não fui mais que um obscuro pescador da Galiléia e, como discípulo do Divino Mestre, não tive a fé necessária nos momentos oportunos. O Senhor não poderia, portanto, conferir-me privilégios, quando amava todos os seus apóstolos com igual amor.

– É conhecida, na história das origens do Cristianismo, a vossa desinteligência com Paulo de Tarso. Tudo isso é verdadeiro?
– De alguma forma, tudo isso é verdade – declarou bondosamente o Apóstolo. – Mas, Paulo tinha razão. Sua palavra enérgica evitou que se criasse uma aristocracia injustificável, que, sem ele, teria que desenvolver-se fatalmente entre os amigos de Jesus, que se haviam retirado de Jerusalém para as regiões da Batanéia.

– Nada desejais dizer ao mundo sobre a autenticidade dos Evangelhos?
– Expressão autêntica da biografia e dos atos do Divino Mestre, não seria possível acrescentar qualquer coisa a esse livro sagrado. Muita iniqüidade se tem verificado no mundo em nome do estatuto divino, quando todas as hipocrisias e injustiças estão nele sumariamente condenadas.

– E no capítulo dos milagres?
– Não é propriamente milagre o que caracterizou as ações práticas do Senhor. Todos os seus atos foram resultantes do seu imenso poder espiritual. Todas as obras a que se referem os Evangelistas são profundamente verdadeiras.
E, como quem retrocede no tempo, o Apóstolo monologou:
– Em Carfanaum, perto de Genesaré, e em Betsaida, muitas vezes acompanhei o Senhor nas suas abençoadas peregrinações. Na Samaria, ao lado de Cesaréia de Felipe, vi suas mãos carinhosas dar vistas aos cegos e consolação aos desesperados. Aquele sol claro e ardente da Galiléia ainda hoje ilumina toda a minha alma e, tantos séculos depois de minhas lutas no mundo, ao lado de alguns companheiros procuro reivindicar para os homens a vida perfeita do Cristianismo, com o advento do Reino de Deus, que Jesus desejou fundar, com o seu exemplo, em cada coração…

– Os filósofos terrenos são quase unânimes em afirmar que o Cristo não conhecia a evolução da ciência grega, naquela época, e que as suas parábolas fazem supor a sua ignorância acerca da organização política do Império Romano: seus apóstolos falam de reis e príncipes que não poderiam ter existido.
– A ação do Cristo – retrucou o Apóstolo – vai mais além que todas as atividades e investigações das filosofias humanas. Cada século que passa imprime um brilho novo à sua figura e um novo fulgor ao seu ensinamento. Ele não foi alheio aos trabalhos do pensamento dos seus contemporâneos. Naquele tempo, as teorias de Lucrécio, expandidas alguns anos antes da obra do Senhor, e as lições de Filon em Alexandria, eram muito inferiores às verdades celestes que Ele vinha trazer à Humanidade atormentada e sofredora…

E, quando a figura venerada de Simão parecia prestes a prosseguir na sua jornada, inquiri, abruptamente: – Qual o vosso objetivo, atualmente, no Brasil?
– Venho visitar a obra do Evangelho aqui instituída por Ismael, filho de Abraão e de Agar, e dirigida dos espaços por abnegados apóstolos da fraternidade cristã.

– E estais igualmente associado às festas do segundo Congresso Eucarístico Nacional? – perguntei.
Mas, o bondoso Apóstolo expressou uma atitude de profunda incompreensão, ao ouvir as minhas derradeiras palavras.
Foi quando, então, lhe mostrei o rico monumento festivo, as igrejas enfeitadas de ouro, os movimentos de recepção aos prelados, exclamando ele, afinal:
– Não, meu filho!… Esperam-me longe destas ostentações mentirosas os humildes e os desconsolados. O Reino de Deus ainda é a promessa para todos os pobres e para todos os aflitos da Terra. A Igreja romana, cujo chefe se diz possuidor de um trono que me pertence, está condenada no próprio Evangelho, com todas as suas grandezas bem tristes e bem miseráveis. A cadeira de São Pedro é para mim uma ironia muito amarga… Nestes templos faustosos não há lugares para Jesus, nem para os seus continuadores…

– E que sugeris, Mestre, para esclarecer a verdade?
Mas, nesse momento, o Apóstolo venerando enviou-me um gesto compassivo e piedoso, continuando o seu caminho, depois de amarrar, resignadamente, o cordão das sandálias.

cronicas

3 comentários

  1. Bom dia Carlos.
    Uma alegria poder compartilhar com esses ensinamentos. Obrigada por fazer parte desse Grupo. Que Jesus Mestre possa nos envolver mais e mais. Um abraço a todos!!!!

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